a OBSERVATÓRIO DA PAX

domingo, 23 de abril de 2017

Cristãos e budistas: percorramos juntos o caminho da não-violência

«Cristãos e budistas: percorramos juntos o caminho da não-violência», eis o título da mensagem que o Pontifício conselho para o diálogo inter-religioso enviou aos budistas por ocasião da festa anual do Vesakh, durante a qual se comemoram os principais acontecimentos da vida de Buda. A festa do Vesakh/Hanamatsuri de 2017 celebra-se em datas diferentes, segundo as várias tradições; este ano será comemorada nos países da Ásia oriental no dia 3 de maio e na maioria das nações de cultura budista a 10 de maio. A seguir publicamos a tradução da citada mensagem.


Cristãos e budistas: percorramos juntos o caminho da não-violência

Prezados amigos budistas!

Em nome do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, transmitimos-vos as nossas mais amáveis saudações, bons votos e orações por ocasião do Vesakh. Que esta festa infunda alegria e paz em todos vós, nas vossas famílias, comunidades e nações.

Este ano queremos refletir convosco sobre a urgente necessidade de promover uma cultura de paz e de não-violência. A religião está na primeira página no nosso mundo, embora às vezes de maneiras opostas. Enquanto muitos crentes se comprometem a fomentar a paz, outros exploram a religião para justificar os seus gestos de violência e ódio. Vemos que às vítimas da violência oferecem cura e reconciliação, mas também tentativas de apagar qualquer vestígio e memória do «outro». Abre-se o caminho para a cooperação religiosa global, mas também se assiste à politização da religião; há uma consciência da pobreza endémica e da fome no mundo, e no entanto continua a deplorável corrida aos armamentos. Esta situação exige um apelo à não-violência, uma rejeição da violência em todas as suas formas.

Jesus Cristo e Buda promoveram a nãoviolência e foram construtores de paz. Como escreve o Papa Francisco: «O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: “Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos” (Mc 7,21)» (Mensagem para o Dia mundial da paz de 2017 «Não-violência: estilo de uma política para a paz», n. 3). O Pontífice ressalta também que «Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, através da qual estabeleceu a paz e destruiu a inimizade (cf. Ef 2,14-16)» (ibidem). Por conseguinte, «hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus, significa aderir também à sua proposta de não-violência » (ibidem).

Caros amigos, o vosso fundador Buda anunciou inclusive uma mensagem de nãoviolência e paz, encorajando todos a «conquistar aquele que está irado sem se irar, o malvado com a bondade, o miserável com a generosidade, o mentiroso com a verdade» (Dhammapada, n. XVII, 3). Ele ensinou também que «a vitória gera inimizade, deixando os vencidos no sofrimento. Os pacíficos vivem em paz, transtornando tanto a vitória como a derrota» (ibid., XV, 5). Por isso, ele observou que a conquista de si mesmo vale mais do que a conquista do outro: «Não obstante possamos conquistar mil vezes mil homens em batalha, o vencedor mais nobre é, em última análise, aquele que se conquista a si mesmo» (ibid., VIII, 4).

Não obstante estes nobres ensinamentos, muitas das nossas sociedades devem fazer as contas com o impacto das feridas passadas e presentes, causadas pela violência e pelos conflitos. Isto inclui a violência doméstica, assim como a violência financeira, social, cultural, psicológica e contra o meio ambiente, que é a nossa casa comum. É triste que a violência gere outros males sociais; por isso, «a escolha da não-violência como estilo de vida torna-se cada vez mais uma exigência de responsabilidade a todos os níveis» (Discurso do Santo Padre Francisco por ocasião da apresentação das Cartas Credenciais de alguns embaixadores, 15 de dezembro de 2016).

Embora reconheçamos a unicidade das nossas duas religiões, em relação às quais permanecemos comprometidos, contudo concordamos que a violência brota do coração do homem, e que os males da pessoa causam males estruturais. Por isso, somos chamados a um empreendimento comum: estudar as causas da violência; ensinar os nossos respetivos seguidores a combater o mal nos seus corações; libertar do mal tanto as vítimas como aqueles que praticam a violência; formar os corações e as mentes de todos, especialmente das crianças; amar e viver em paz com todos e com o meio ambiente; ensinar que não existe paz sem justiça, nem verdadeira justiça sem perdão; convidar todos a colaborar para a prevenção dos conflitos na reconstrução das sociedades fragmentadas; encorajar os meios de comunicação social a evitar e combater discursos de ódio e relatórios de parte e provocatórios; fomentar as reformas no campo da educação, para prevenir a deturpação e a má interpretação da história e dos textos das Escrituras; e por fim rezar pela paz no mundo, percorrendo juntos o caminho da não-violência.

Estimados amigos, podemos dedicar-nos ativamente à promoção no seio das nossas famílias, assim como nas instituições sociais, políticas, civis e religiosas, um novo estilo de vida em que se rejeite a violência e se respeite a pessoa humana. É com este espírito que vos reiteramos os nossos votos de uma pacífica e alegre festa do Vesakh!

Cardeal Jean-Louis Tauran
Presidente

D. Miguel Ángel Ayuso Guixot, MCCJ
Secretário

L'Osservatore Romano

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Pax Christi International statement on the situation in Syria


Endless war crimes and enormous human suffering:
the people of Syria are in need of justice and peaceful support

Syria’s war has created the worst humanitarian crisis of our time. Six years have passed since violent repression by the Assad regime turned what began as a peaceful uprising for freedom and dignity into a brutal war. The consequences are unspeakable: half the country’s pre-war population — more than 11 million people — have been killed or forced to flee (1).

Pax Christi International is appalled by the continuation of war crimes and crimes against humanity. Our movement unequivocally condemns the chemical gas attack that killed 72 people, including 20 children (2), in Khan Sheikhoun. Many of our member organisations have also expressed their concerns (3). Despite Syria’s ratification of the Chemical Weapons Convention (CWC), the supposed destruction of Syria’s chemical stockpile by the Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW), and UN Security Council resolutions, these despicable weapons obviously remain available in Syria – possibly to different sides – and have once again caused enormous suffering.

We fully support the ongoing investigation of the OPCW into the use of chemical weapons in Syria. The OPCW is investigating the incident under the continued mandate of the Fact-Finding Mission (FFM) and has initiated contact with the Syrian authorities (4). The OPCW should have full access to attack sites and report to the UN Security Council as soon as possible. The international community should collect evidence and build criminal cases for perpetrators, including individuals, to be held criminally accountable so that justice be brought to victims. In this regard individual countries should step up their concrete support for the recently established international, impartial and independent UN mechanism for accountability in Syria.

Rather than holding perpetrators of atrocities to account or contributing to a just solution in Syria, other nations have intensified the violence in pursuit of their own interests. We hear the frustration and can imagine the heartbreak of the people of Syria. However, we deeply believe that more military action, including the U.S. missile strikes on Syrian government airfields, will not lead to a just resolution of the war and could lead to the further escalation of violence, exacerbating the suffering of Syrians. Moreover, the U.S. attack lacked a UN Security Council mandate and further contributes to the erosion of international law taking place over the past years. It is a responsibility of all members of the Council to address this problem.

We urge the international community to work with Syrian civil society, with all nations committed to a just peace in Syria, with respected faith and civil society leaders from around the world, and others to implement strategic nonviolent actions, including lifting sieges and securing humanitarian access throughout Syria; deploying independent UN monitors to re-establish a national cease-fire; supporting local peacebuilding programs in Syria; ending weapons sales and arms trafficking in the region; and urgently renewing a multinational commitment to make progress in the Geneva peace talks, which should lead to a credible political transition, as agreed upon last week at the Brussels Conference on “Supporting the Future of Syria and the Region” (5).

In this regard we support the position by the EU and other countries to make reconstruction support conditional on meaningful progress towards a political transition. Individual countries should develop concrete benchmarks to assess such progress. This is also in line with the UN Secretary General who urged ‘to avoid any escalation of the situation in Syria and that these events underscored his belief that there is no way to solve the conflict other than through a political solution' (6). Intense negotiations to stop abuse of the veto in the UN Security Council are also essential if UN member states are ever going to act together effectively to protect civilians, stop war crimes, end impunity and work with Syrians to implement a viable political strategy.

Pax Christi International strongly affirms Pope Francis’s message of last year in which he stated that 'peace in Syria is possible, but that the only way to achieve it is through a political solution’ (7). We believe that a fully inclusive and nonviolent political process is the only way to end this brutal conflict. All support for ongoing military action and transfers of weapons or ammunition that are prolonging the war should immediately be stopped by the parties involved. Massive humanitarian assistance for the victims of violence and displaced communities is needed, as well as international investment in local and national peacebuilding strategies.

Next to our political work in support of the people of Syria, we call upon our members, partners and those who want to join us in a day of fasting in the coming days in support of Syria and in the light of Easter hope (8).

~ Brussels, 11 April 2017

Click here for a PDF version of this statement.

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1. Mercy Corps, ‘Quick facts: What you need to know about the Syria crisis’, 9 March 2017, online available at: https://www.mercycorps.org/articles/iraq-jordan-lebanon-syria-turkey/quick-facts-what-you-need-know-about-syria-crisis.

2. Syrian Observatory for Human Rights, ‘Warplanes re-bomb Khan Shaykhun and the death toll of Black Tuesday massacre rise to 72 more than half of them are women and children’, April 5th 2017, online available at: http://www.syriahr.com/en/?p=64136.

3. Dutch member organisation PAX calls on the UN Security Council to take action after chemical attack’, April 4th 2017, online available at: http://www.paxchristi.net/news/syria-pax-calls-unsc-take-action-after-chemical-attack/6622#sthash.MlJy9zxy.dpbs. Pax Christi Australia has also issued a statement condemning the violence on April 8th 2017, online available at: http://www.cathnews.com/media-releases/721-170408-pax-christi-church-groups-condemn-us-retaliatory-air-strikes-on-syria/file as well as Pax Christi Italy on April 6th: http://www.paxchristi.it/?p=12803 and Pax Christi USA on April 10th: https://paxchristiusa.org/2017/04/09/statement-bombing-syria-will-not-create-peace/.

4. Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons (OPCW), ‘Media Brief: Reported Use of Chemical Weapons, Southern Idlib, Syria’, 4 April 2017, online available at: https://www.opcw.org/news/article/media-brief-reported-use-of-chemical-weapons-southern-idlib-syria-4-april-2017/.

5. EU External Action Service, ‘Brussels Conference on “Supporting the Future of Syria and the Region” agrees holistic approach to the crisis and 5.6 billion euros in pledges for 2017’, April 5th 2017, online available at: https://eeas.europa.eu/headquarters/headquarters-homepage/24256/brussels-conference-supporting-future-syria-and-region-agrees-holistic-approach-crisis-and-56_en.

6. UN News Centre, ‘Syria: As US responds militarily to chemical attack, UN urges restraint to avoid escalation’, April 7th 2017, online available at: http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=56524#.WOtxsWdcKM9.

7. Crux, ‘Pope Francis says there’s no military solution in Syria’, July 5th 2017, online available at: https://cruxnow.com/vatican/2016/07/05/pope-francis-says-theres-no-military-solution-syria/.

8. Pax Christi International is supporting an initiative taken by Pax Christi Italy and Caritas Italy who are calling for a day of fast on Wednesday April 12th. Further information can be found on this website of Pax Christi Italy: http://www.paxchristi.it/?p=12803.

Pax Christi International

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Why Pope Francis’ World Day of Peace message is such a breakthrough | Catholic Nonviolence Initiative

The following essay was written by Dr. Terrence Rynne, who was one of the attendees of the April 2016 Nonviolence & Just Peace conference in Rome.


That Pope Francis consciously chose “nonviolence” as the theme of his message to the world on New Year ’s Day 2017, is in itself a powerful fact. The pope unabashedly pointed out that “nonviolence” is what Jesus taught and modeled and said, “To be true followers of Jesus today also includes embracing his teaching about nonviolence.” The pope is signaling a true return to the sources for the Catholic Church: Sacred Scripture and the traditions of the early Church. Just as the return to the sources (ressourcement) by theologians such as Henri de Lubac, Yves Congar and Karl Rahner fueled the renaissance of Catholic theology and the magnificent documents of the Second Vatican Council so also today the pope is returning in a fresh way to the sources.

First, he is reading the Gospels attentively and finds his inspiration there. He says for example: “Jesus himself lived in violent times…But Christ’s message in this regard offers a radically positive approach. He unfailingly preached God’s unconditional love, which welcomes and forgives. He taught his disciples to love their enemies and to turn the other cheek. When he stopped her accusers from stoning the woman caught in adultery and when, on the night before he died, he told Peter to put away his sword, Jesus marked out the path of nonviolence. He walked that path to the very end, to the cross.” Pope Francis is not using natural law theory as the basis of the Church’s teaching on war and violence, he is going straight to the Gospels.

Second, he reflects on the lived tradition of the early Church and how they confronted persecution with courageous nonviolence and how they stunned the world, prompting massive conversions to Christianity.

The third source of inspiration for Pope Francis is the living witness of believing, nonviolent Christians across the world. He says: “Nor can we forget the eventful decade that ended with the fall of Communist regimes in Europe. The Christian communities made their own contribution by their insistent prayer and courageous action. Particularly influential were the ministry and teaching of Saint John Paul II. Reflecting on the events of 1989 in his 1991 encyclical Centesimus Annus, my predecessor highlighted the fact that momentous change in the lives of people, nations and states had come about ‘by means of peaceful protest, using only the weapons of truth and justice.’” (Mais ...)

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Papa Francisco: O mal não se vence com o mal

«Não respondamos ao mal com o mal, mas perdoemos sem vingança», foi o convite que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis que participaram na audiência geral de quarta-feira, 5 de abril, na praça de São Pedro.


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

A Primeira Carta do apóstolo Pedro tem em si uma carga extraordinária! É preciso lê-la uma, duas, três vezes para compreender esta carga extraordinária: ela consegue infundir grande consolação e paz, fazendo entender como o Senhor está sempre ao nosso lado e nunca nos abandona, sobretudo nos momentos mais delicados e difíceis da nossa vida. Mas qual é o «segredo» desta Carta, e de modo particular do trecho que acabámos de ouvir (cf. 1 Pd 3, 8-17)? Esta é uma pergunta. Sei que hoje abrireis o Novo Testamento, procurareis a primeira Carta de Pedro, lereis devagarinho, para entender o segredo e a força desta Carta. Qual é o segredo desta Carta?

O segredo consiste no facto que este escrito afunda as suas raízes diretamente na Páscoa, no coração do mistério que estamos para celebrar, fazendo com que compreendamos toda a luz e a alegria que brotam da morte e ressurreição de Cristo, que ressuscitou verdadeiramente, e esta é uma linda saudação para fazermos no dia da Páscoa: «Cristo ressuscitou! Cristo ressuscitou!», como muitos povos fazem. Recordar-nos de que Cristo ressuscitou, está vivo entre nós e habita em cada um de nós. É por isso que São Pedro nos convida com vigor a adorá-lo nos nossos corações (cf. v. 16). O Senhor começou a habitar ali no momento do nosso Batismo, e dali continua a renovar a nós e à nossa vida, enchendo-nos com o seu amor e a plenitude do seu Espírito. Eis então porque o Apóstolo nos recomenda a dizer a razão da esperança que está em nós (cf. v. 16): a nossa esperança não é um conceito, nem um sentimento, não é um telemóvel, nem uma porção de riquezas! A nossa esperança é uma Pessoa, é o Senhor Jesus que reconhecemos vivo e presente em nós e nos nossos irmãos, porque Cristo ressuscitou. Os povos eslavos quando se cumprimentam, em vez de dizer «bom dia», «boa noite», nos dias de Páscoa saúdam-se com a expressão «Cristo ressuscitou!», «Christos voskrese!» dizem entre si; e sentem-se felizes por isso! Este é o «bom dia» e a «boa noite» que se desejam: «Cristo ressuscitou!».

Compreendemos então que desta esperança não se deve dizer só a razão teórica, com palavras, mas sobretudo com o testemunho da vida, e isto deve acontecer quer no âmbito da comunidade cristã, quer fora dela. Se Cristo está vivo e habita em nós, no nosso coração, então devemos também deixar que se torne visível, sem escondê-lo, e que aja em nós. Isto significa que o Senhor Jesus deve tornar-se cada vez mais o nosso modelo: modelo de vida e que devemos aprender a comportar-nos como Ele se comportou. Fazer o que fez Jesus. Portanto, a esperança que habita em nós não pode permanecer escondida dentro de nós, no nosso coração: seria uma esperança débil, que não tem a coragem de sair e se mostrar: mas a nossa esperança, como se lê no Salmo 33 citado por Pedro, deve necessariamente desabrochar e sair, tomando a forma bonita e inconfundível da doçura, do respeito e da benevolência pelo próximo, chegando até a perdoar quem nos faz mal. Uma pessoa que não tem esperança não consegue perdoar, não consegue dar a consolação do perdão nem obter a consolação de perdoar. Sim, porque assim fez Jesus, e assim continua a fazer através de quantos lhes oferecem espaço no próprio coração e na vida, na consciência de que o mal não se vence com o mal, mas com a humildade, a misericórdia e a mansidão. Os mafiosos pensam que o mal pode ser derrotado com o mal, e assim praticam a vingança e muitas outras coisas que todos sabemos. Mas não sabem o que é a humildade, a misericórdia e a mansidão. E por quê? Porque os mafiosos não têm esperança. Pensai nisto.

Eis por que São Pedro afirma que «é melhor sofrer praticando o bem do que fazendo o mal» (v. 17): não significa que é bom sofrer, mas que quando sofremos pelo bem, estamos em comunhão com o Senhor, o qual aceitou sofrer e ser crucificado pela nossa salvação.

Quando também nós, nas situações mais simples e nas mais importantes da nossa vida, aceitamos sofrer pelo bem, é como se espalhássemos ao nosso redor as sementes da ressurreição, sementes de vida e fizéssemos resplandecer na escuridão a luz da Páscoa. É por isso que o Apóstolo nos exorta a responder sempre «desejando o bem» (v. 9): a bênção não é uma formalidade, não é só um sinal de cortesia, mas um grande dom que nós primeiro recebemos e depois temos a possibilidade de partilhar com os irmãos. É o anúncio do amor de Deus, um amor sem medida, que não se esgota, que nunca falta e que constitui o fundamento verdadeiro da nossa esperança.

Queridos amigos, compreendamos também porque o Apóstolo Pedro nos chama «bem-aventurados», se devêssemos sofrer pela justiça (cf. v. 13). Não é só por uma razão moral nem ascética, mas porque cada vez que desempenhamos a parte dos últimos e dos marginalizados ou não respondemos ao mal com o mal, mas perdoando, sem vingança, perdoando e abençoando, sempre que fazemos isto resplandecemos como sinais vivos e luminosos de esperança, tornando-nos assim instrumentos de consolação e de paz, segundo o coração de Deus. E assim vamos em frente com a doçura, a mansidão, com o ser amável e praticando o bem também àqueles que não nos querem bem ou nos fazem mal. Em frente!

Vatican.va

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pax Christi International’s panel discussion on ‘Nonviolence: a Style of Politics for Peace’ to take place on the 21st of April in Brussels

The European Union (EU) and its member organisations have moral and legal obligations to use all possible nonviolent solutions - such as external action instruments in support of the prevention of violent conflict and peace building, diplomacy and mediation - to prevent violent conflicts around the world.

Despite the challenges that the EU and its member states are facing, such as migration, terrorism and geopolitical risks, they should continue to focus their policies on the prevention and peaceful resolution of conflicts instead of shifting to defence, as nonviolent responses to conflict are more effective in tackling the root causes of conflicts and reaching sustainable peace. Moreover, partnerships with civil society organisations and international organisations, such as the UN, should be strengthened.

In his message for the World Day of Peace on 1 January 2017, Pope Francis called for a renewed culture of nonviolence to inform global politics today, saying military responses to conflicts only breed more violence. In this regard, the EU, along with its member states, has an important role to play, having employed and supported financially a wide array of external assistance instruments for the prevention of violent conflict and peacebuilding.

However, the EU has increasingly taken more initiatives in the area of defence and various member states have increased their defence spending , despite the recognition in the EU Global Strategy that preventing conflicts is more efficient and effective than engaging with crises after they break out.

Panel discussion, 21 April

At our 21 April event taking place in the afternoon we will focus on the potential of nonviolent strategies and tools, especially as part of EU policies responding to conflicts in the world. Participants will gain greater understanding about nonviolent approaches to conflict and their effectiveness. In addition, the panel will discuss how EU policies can support nonviolent strategies for prevention of violent conflict and protection of vulnerable communities. This event follows an event held on 2 March at the UN in New York.

Speakers panel discussion

The panel of speakers includes:

  • Ms. Marie Dennis, Co-President, Pax Christi International
  • Sr. Teresia Wamuyu Wachira, lecturer in Peace and Conflict Studies at St. Paul’s University, Nairobi, and board member of Pax Christi International
  • Ms. Canan Gündüz, Mediation Advisor at the EU External Action Service (EEAS)
  • Prof. Dr. Joachim Koops, Dean of Vesalius College, Free University of Brussels (VUB) and Director of the Global Governance Institute (GGI)

Moderator: Ms. Pat Gaffney, Coordinator of Pax Christi UK

Pax Christi International

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domingo, 12 de março de 2017

«O "Outro" é um dom a que nos devemos dar»: reflexão da CNJP para a Quaresma 2017

O “OUTRO” É UM DOM A QUE NOS DEVEMOS DAR

REFLEXÃO QUARESMAL DA
COMISSÃO NACIONAL JUSTIÇA E PAZ

“O cristão - na Quaresma - é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”. Assim começa o desafio que o Papa Francisco deixa a todos os cristãos nesta preparação para a Páscoa de 2017.

1. Não nos conformemos com uma cidadania “medíocre”

A CNJP vem, mais uma vez, dar um contributo para ajudar no exame individual e coletivo que se impõe à Igreja portuguesa, ajudando a perspetivar as palavras do Papa à luz da realidade económica e social do nosso país e do mundo em que nos integramos.
Vivemos num tempo mergulhado numa crise que não se esgota nos fatores económicos e sociais em que muitas vezes nos focamos, mas se caracteriza por uma crescente ausência de valores morais e civilizacionais dados por adquiridos nas últimas décadas.
Esta crise de valores é bem patente, também, na proliferação de uma cultura de violência latente, que em Portugal encontramos num crescendo sistemático e preocupante.
Há algumas décadas diríamos que a violência doméstica se extinguiria com uma geração de homens e mulheres educados numa nova sociedade, que já não pactuaria com um estatuto de submissão da mulher. Seria o fim de uma sociedade onde a baixa literacia e altos níveis de alcoolismo favorecem a propagação do fenómeno.
Hoje, contudo, a prevalência da violência no namoro entre os mais jovens, a par de um crescendo da violência doméstica denunciada e abarcando todos os extratos sociais, provam que o fenómeno não se encontra, afinal, em extinção e terá provavelmente aumentado.
Os inquéritos efetuados ao fenómeno do bullying nas escolas e nas relações sociais fazem soar, a todos os níveis, os sinais de alarme. O uso intensivo das redes sociais permite e fomenta entre os jovens sentimentos de controlo e restrições de amizades que os incapacita para a relação interpessoal.

2. Que possam ver que nos amamos

O Papa pede-nos que nos aproximemos da festa da Páscoa com uma alegria autêntica, que brota de uma vida mais coerente em que o “moralismo” dê lugar ao testemunho vivo, merecendo o respeito da própria sociedade que nos rodeia. Respeito que mereciam os primeiros cristãos.
Desses podia dizer-se, com verdade, que, embora aparentemente as suas vidas se confundissem com as dos restantes cidadãos, se distinguiam pela alegria do encontro com o Senhor, pela forma generosa de partilha de tudo entre todos e pela amorosa dedicação de uns aos outros. Vede como eles se amam!
Uma alegria e um Amor ao Outro que não se contentam com a “esmola” daquilo que nos sobra, mas vai à raiz do que de mais precioso podemos dar num tempo de stress permanente : o nosso próprio tempo, dádiva que acarreta o anúncio natural do nosso encontro com Jesus, que é “o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016)”.
Façamos sincero exame sobre o nosso atuar dentro e fora das Comunidades em que nos integramos.
Dados recentes da autoridade tributária (Out. de 2016) mostram que, em média, o rendimento dos que se situam no escalão mais alto do IRS era 142 vezes superior ao do escalão mais baixo.
Não se trata de cultivar a inveja social, mas tão só de reconhecer a urgência de um despertar mais forte de uma consciência social coletiva capaz de se interrogar sobre a justiça de uma disparidade desta dimensão.
O alerta visa também confrontar-nos com uma outra realidade: em que medida, nas nossas relações sociais e comunitárias, acabamos a replicar o universo mundano e desigual de uma sociedade distinguida e etiquetada entre pobres e ricos, bem e mal sucedidos, poderosos e sem influência, sábios e ignorantes, invertendo a escala que o próprio Senhor nos recomendou.
Como “gestores” do Universo que nos foi dado a todos para guardar, mantendo-o ao serviço da grande família humana, assumimos esse protagonismo de liderança, no cuidado da criação? Ou continuamos indiferentes aos danos causados às gerações futuras ou aos mais pobres de outros continentes?
O texto de Francisco nesta Quaresma não deixa de nos interpelar neste ponto concreto, convidando-nos a não deixar os meios tradicionais (oração, jejum e esmola), mas dedicando um pouco mais de atenção à meditação de uma parábola improvável: a “parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31)”. O Santo Padre pede: “deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão”.

3. Os “outros” são para nós “um dom” ou um peso?

Vivemos num momento em que em Portugal se discute abertamente a possibilidade da legalização da eutanásia, com tudo o que ela implica de corte com o reconhecimento de que a vida deve ser inviolável da conceção até à morte natural. Entremos serenamente no debate. Saibamos ouvir sem sobranceria os receios, os medos, e o desespero alheios, respondendo com a convicção que nos advém da certeza de quem sabe dar as razões da sua esperança.
Na serenidade desse debate aprendamos também a distinguir os múltiplos meios ao dispor do cristão para que este não prolongue um inútil sofrimento, que ninguém defende nem deseja, mas sobretudo demos exemplo prático de apoio empenhado no combate à solidão dos mais idosos e doentes, nas redes de vizinhança sejamos presença atenta e a mão que nas horas de maior sofrimento alivia a dor física e dá esperança e conforto. Pessoas que somos capazes de ouvir e compreender, no desespero de quem nos pede a morte, dando-lhes, pelo contrário, razões adicionais para sentirem que a vida vale a pena.
Que saibamos ser nós os primeiros a bater-nos pelo reforço do serviço nacional de saúde, onde todos tenham acesso e os cuidados paliativos não sejam privilégio, mas sejam acessíveis sobretudo aos mais desamparados em todo o território.
E também pelo apoio às famílias com mais dificuldades em acompanhar os seus. Pela defesa dos apoios à vida com deficiência. Ou na luta por leis laborais mais compatíveis com a conciliação trabalho e família, e pelo reconhecimento pleno do estatuto e do papel do cuidador como elemento decisivo para um genuíno acompanhamento de uma morte sem angústia e dores evitáveis.

4. Lázaro pode chamar-se Aylan ou Galip

Francisco começa a descrição da parábola chamando a atenção para o facto de ser o pobre que merece a descrição mais detalhada:
“encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.
A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; (…) Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de Janeiro de 2016)”
O Papa tem insistido na luta contra a globalização da indiferença, algo contra o qual é cada vez mais difícil lutar. Se todos os dias os telejornais nos falam de centenas de náufragos no Mediterrâneo e nos mostram filas e filas de refugiados enregelados a bater à porta da Europa, os nossos corações vão gelando também.
Talvez estremeçam com a imagem de Aylan, o menino de três anos fotografado morto na praia turca perto de Bochum depois de dar à costa, jazendo a poucos metros do seu irmãozinho Galip de apenas 5 anos, também ele trazido pelo mar da morte.
A sua imagem despertou por momentos a nossa atenção. Mas terá sido suficiente para não nos perdermos nos números de uma desgraça sem fim à vista? As estatísticas do Alto Comissariado da O.N.U. para os Refugiados (de 20 de junho de 2016) falam de 65,3 milhões de deslocados em todo o mundo 21,3 milhões de refugiados, 53 por cento dos quais provenientes de três únicos países (Síria, Afeganistão e Somália).
Até que ponto seremos nós, enquanto cristãos, sinais coerentes e corações abertos que resistam aos discursos xenófobos que grassam por quase toda a Europa?
Portugal está felizmente na linha da frente do acolhimento aos refugiados, designadamente sírios, pela ação concertada de várias entidades (como a PAR). O Serviço Jesuíta de Apoio aos Refugiados mostrava em janeiro como já tinha salvo 157 crianças das atrocidades da guerra e dos perigos do mar (72 famílias colocadas em 62 instituições). Muitos católicos ofereceram-se já para acolher nas suas próprias casas estudantes sírios, permitindo-lhes que continuem em paz os estudos universitários interrompidos com a guerra. São bons exemplos.

5. O perigo da “ganância”

“O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz".
Pensemos, por momentos, quantas vezes nos desculpámos com a amoralidade geral para não pagar o imposto devido ou o salário merecido a quem trabalha. Pensemos que na nossa sociedade há cerca de 20 por cento da riqueza nacional que resulta da “economia informal ou paralela”.
Aproveitemos, também, esta Quaresma para eliminar a cumplicidade do nosso coração com a corrupção que grassa na nossa sociedade, sempre defraudando os mais pobres e frágeis dos seus direitos.
Peçamos sinceramente ao Senhor que não nos deixe dormir descansados quando sabemos que dois milhões de portugueses vivem abaixo da linha da pobreza. Não deixemos que nos convençam facilmente que o salário mínimo não pode subir, a menos que façamos parte dos muitos que heroicamente conseguem alimentar uma família com o seu parco valor.
Façamos parte dos que ouvindo a Palavra a põem em prática. Esta Quaresma pode ser para cada um de nós e para cada comunidade o momento de conversão que nos chama à mudança de vida. Aprendendo a não repetir o erro do “rico” que pensava ser compatível amar a Deus e ao dinheiro, ao mesmo tempo que a indiferença o levou a só reparar em Lázaro tarde demais.

Lisboa, 7 de março de 2017

A Comissão Nacional Justiça e Paz

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Pax Christi International sends letter to EU regarding Israel's move to legalise settlements

In the wake of Israel's approval of the settlement expansion bill which legalises 4000 homes in illegal settlements, the EU Foreign Affairs Council stated that these settlements are contrary to international law and an obstacle to a negotiated peace agreement between Israel and Palestine. Furthermore the proposed meeting of the EU-Israel Association Council has been postponed.

Pax Christi International calls upon the EU to take a much stronger stance towards the Israeli government in condemning policies incompatible with the human rights clause of the EU-Israel Association Agreement. The EU should consider suspending economic relations until Israel respects International law.

To read the letter Pax Christi International sent to the EU High Representative for Foreign Affairs & Security Policy, click here.

Click here to sign the petition to Federica Mogherini, EU High Representative for Foreign Affairs & Security Policy and Vice-President of the European Commission.

Pax Christi International


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World Council of Churches gravely concerned over Israel’s travel ban

[World Council of Churches] The World Council of Churches (WCC) March 9 expressed grave concern about a new law passed March 8 by the Knesset which reportedly forbids granting entry visas to foreign nationals who call for economic, cultural or academic boycotts of either Israel or the Israeli settlements in the occupied Palestinian territories. The ‘Entry to Israel Act (Denial of Visa to Non-Residents Who Knowingly Call for a Boycott on Israel)’ apparently makes no distinction between boycotting Israel proper and boycotting products of the settlements, which are widely considered illegal under international law.

“If reports of its content and intent are correct, this law is a shockingly regressive law,” said WCC general secretary Rev. Dr Olav Fykse Tveit. “It would be a clear violation of freedom of expression, that is critical for those who want to visit Israel, for those who have to live under the occupation, and for those who want access to the Palestinian territories. It is also a significant violation of freedom of religion. It is precisely because of our Christian principles and teachings that we in the World Council of Churches find the purchase and consumption of goods produced in Israeli settlements in the occupied territories immoral, and it is for the same reason many churches and Christians around the world choose to divest from companies that profit from the illegal occupation.”

Tveit observed that, if strictly applied according to its reported terms, “this new legislation would have the effect of barring representatives of many churches around the world from entering Israel, from accompanying sister churches and fellow Christians in the region, and from visiting the holy places for Christians. This potentially impacts the religious freedom of many Christians around the world, and harms Christians in Israel and Palestine. It could mean that I cannot, as general secretary of the WCC, visit our member churches in Israel and Palestine any more, nor go to the holy sites.” (...)

World Council of Churches

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quinta-feira, 2 de março de 2017

Intenção do Papa Francisco para o mês de Março: Ajudar os cristãos perseguidos



Pelos cristãos perseguidos, para que experimentem o apoio de toda a Igreja na oração e através da ajuda material.

Papa Francisco - Março 2017

Vídeo do Papa

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quarta-feira, 1 de março de 2017

A Palavra é um dom. O outro é um dom | Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017



Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

Vaticano, 18 de outubro – Festa do Evangelista São Lucas – de 2016.

FRANCISCO

Vatican.va

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os pobres batem à nossa porta: ​Na mensagem para a Quaresma o Papa releu e atualizou a parábola de Lázaro | L'Osservatore Romano

«O pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida». Eis quanto recordou o Papa Francisco na mensagem para a Quaresma de 2017, apresentada na manhã de terça-feira 7 de fevereiro.

Centrado sobre o tema «A Palavra é um dom. O outro é um dom», a reflexão do Pontífice retomou e atualizou a parábola evangélica de Lázaro: uma «página significativa – definiu-a Francisco – que nos oferece a chave para compreender como agir para alcançar a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma conversão sincera».

«O primeiro convite que nos faz esta parábola – revela a mensagem – é abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, quer o nosso vizinho quer o pobre desconhecido». Com efeito, a Quaresma «é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e reconhecer nele ou nela o rosto de Cristo». O Papa recordou que na raiz de todos os males está «a avidez do dinheiro», que «pode chegar a dominar-nos, a ponto de se tornar um ídolo tirânico». Deste modo, em vez de «instrumento ao nosso dispor», o dinheiro «pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz».

Além disso, a parábola mostra-nos que «a ganância do rico fá-lo vaidoso». De facto, a sua personalidade vive de aparências «fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir»; mas «a aparência serve de máscara para o vazio interior». Portanto, para o homem corrompido pelas riquezas «nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar».

Por fim, «só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro». Esta é «uma mensagem para todos os cristãos»: na realidade, «a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo». Eis o convite conclusivo do Pontífice a viver o caminho da Quaresma como «tempo favorável para se renovar no encontro com Cristo vivo na sua palavra, nos sacramentos e no próximo».

Mensagem do Papa

L'Osservatore Romano

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Outra economia é possível: Denunciada pelo Papa Francisco a idolatria do sistema financeiro que aniquila milhões de famílias | L'Osservatore Romano

Denunciando a idolatria de um sistema financeiro que aniquila milhões de famílias, Francisco invocou uma mudança nas regras do capitalismo que continua a produzir descartes. Estes votos estão contidos no seu discurso dirigido aos participantes no encontro sobre a economia de comunhão — promovido pelo movimento dos focolares — recebidos na manhã de 4 de fevereiro.

Para a sua reflexão, o Papa inspirou-se em dois termos «economia» e «comunhão», que «a cultura atual mantém bem separadas», aliás «considera opostas». E que na realidade os herdeiros espirituais de Chiara Lubich quiseram unir, aceitando o convite de fundadora neste sentido.

O Papa aprofundou três temas relativos ao dinheiro, à pobreza e ao futuro. A propósito do primeiro, frisou a importância da «comunhão dos rendimentos», porque o dinheiro «é importante, sobretudo quando não há e dele dependem a comida, a escola o futuro dos filhos». Outra coisa é transformá-lo em ídolo; por isso, «quando o capitalismo faz da busca do lucro sua única finalidade, corre o risco de se tornar uma forma de culto».

Quanto à pobreza, o Pontífice elogiou as «múltiplas iniciativas públicas e particulares» para a debelar. E recordou que «a razão dos impostos» está «também nesta solidariedade, que é negada pela evasão e da fraude fiscal». Não obstante, «o capitalismo continua a produzir descartes que depois gostaria de resolver». Uma hipocrisia evidente que deve ser eliminada, apostando na mudança das regras de jogo do sistema económico-social.

Enfim, em relação ao futuro, Francisco espera num crescimento desta «experiência que por enquanto se limita a um pequeno número de empresas». Uma esperança inspirada no princípio da reciprocidade, porque — evocou — «a comunhão não é só divisão, mas também multiplicação dos bens». Eis os seus votos conclusivos: «Continuar a ser semente, sal e fermento de outra economia», onde «os ricos sabem compartilhar as suas riquezas e os pobres são chamados bem-aventurados».

O discurso do Papa

L'Osservatore Romano

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Dia Internacional de Oração pelas vítimas do tráfico humano recorda crianças vítimas das redes criminosas | Agência Ecclesia

O Vaticano, em conjunto com organizações da Cáritas de todo o mundo e representantes das várias religiões, vai assinalar a 8 de fevereiro o Dia Internacional de Oração pelas vítimas do tráfico humano.

De acordo com um comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a iniciativa vai ter especialmente em conta “as crianças apanhadas nesse géneros de redes” e buscar formas “de ajudar os mais novos”, através de um seminário que decorrerá esta sexta-feira em Roma.

Para o presidente da Caritas Internationalis, o cardeal Luis Tagle, é essencial difundir uma mensagem de apoio a todas as pessoas afetadas por esta prática, e são milhões de homens, mulheres e crianças em todo o mundo.

“Que a misericórdia de Jesus esteja com as famílias, com as mães e os pais que perderam os seus filhos para a violência, o vício, o tráfico humano, para as novas formas de escravatura, crianças que foram raptadas, vendidas para a prostituição, que viram o seu corpo usado para alimentar uma rede internacional de venda de órgãos”, afirmou o prelado.

O lema escolhido para o Dia Internacional de Oração pelas vítimas do tráfico humano é “Elas são apenas crianças, não são escravas”. (Mais ...)

Agência Ecclesia



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Intenção do Papa Francisco para o mês de Fevereiro: Acolher os necessitados





Por aqueles que estão oprimidos, especialmente os pobres, os refugiados e os marginalizados, para que encontrem acolhimento e apoio nas nossas comunidades.

Papa Francisco - Fevereiro 2017


Vídeo do Papa

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domingo, 29 de janeiro de 2017

Pax Christi USA Deplores Trump’s Executive Orders

Pax Christi USA deplores the three executive orders President Trump has recently signed. One is in favor of resurrecting the Dakota Access pipeline, another in favor of the Keystone XL pipeline, and another for advancing the deportation of immigrants and the construction of a wall on the US southern border. The common thread of these orders is the blatant disregard for the will of the people, care of the earth, and personhood and struggles of the migrant.

Our hearts are with the Standing Rock nation and all indigenous people who have worked so hard to protect the water and the land from the Dakota Access pipeline. The will of the people was heard when it came to changing the route of this pipeline just a few months ago, and now the people are being overlooked in the interest of corporate growth. We believe in people over profit. We believe in the care of the earth over the desire for oil. Mark Charles, a Navajo man and activist said, “No matter how much money you have. No matter how powerful you are. No matter what alternative facts you quote. The truth of the matter is – You CANNOT drink oil.” In the end, travesties against the earth will affect us all – even those who make much profit off pillaging the earth.

Our hearts are with our immigrant brothers and sisters living in fear of deportation and separation from their families. No one flees their countries of origin on a whim. We honor the multiplicity of reasons people migrate to the United States, many of which are poverty, gang violence, and terror. People are not the enemy, but that is the myth we are being told by President Trump. Building a wall is the visual symbol of these political lies. We do not believe this story, and we will not support this wall.

We need a country where people feel safe, welcomed, and know the only prerequisite for their rights is being human. All human beings, regardless of skin color or country of origin, should be able to rely on having safe water, a safe family, and a clean earth. President Trump’s executive orders set us on an immoral course we cannot endorse. Pax Christi USA is committed to the vision of justice that Trumps hate and builds bridges instead of walls.

Peace of Christ,

Sr. Patricia Chappell
Executive Director

Pax Christi USA

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Os gestos que marcaram a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que termina esta quarta-feira, fica marcada por apelos à reconciliação, por parte dos diversos líderes religiosos em Portugal, e gestos especiais como a cedência de uma capela católica para o culto da comunidade ortodoxa.

Em Braga, onde teve lugar a celebração nacional deste Oitavário, a reconciliação foi destacada como “um dom de Deus oferecido a todos”. (...)
Um pouco por todo o país e nas Ilhas, o Oitavário de oração congregou responsáveis e líderes das várias comunidades cristãs, paróquias e grupos de jovens à volta desta questão. (Mais...)

Agência Ecclesia

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Cristãos de várias Igrejas vão assinar declaração comum sobre o valor da vida

Lisboa, 24 jan 2017 (Ecclesia) - Líderes de várias Igrejas cristãs em Portugal vão assinar no próximo sábado em Sintra uma declaração comum sobre o valor da vida, onde estará incluída a rejeição da eutanásia.

No documento, enviado hoje à Agência ECCLESIA, os responsáveis cristãos defendem “juntos” o ideal de “uma vida em plenitude”, preservada “desde a conceção ao seu fim natural”.

“A dignidade humana não se perde pela dependência de outros, pela doença ou pela improdutividade económica”, sustenta a referida declaração, sublinhando que “a morte provocada, nomeadamente a eutanásia, o suicídio assistido e o homicídio não são respostas” para os problemas.

Neste campo, os líderes das várias Igrejas cristãs apoiam “o direito aos cuidados paliativos” para todos.

Quanto aos desafios que hoje a crise dos refugiados está a levantar um pouco por todo o mundo, apelam a “uma cultura de acolhimento e inclusão”, e a uma sociedade que “não fique indiferente a quantos são forçados a fugir da guerra e da perseguição”.

Na declaração são ainda abordados desafios como “a pobreza, o terrorismo e as ideologias que o pretendem justificar, o tráfico humano, fruto de uma visão utilitarista do outro e o abandono dos idosos, consequência de um individualismo sem limites”.

“Queremos desenvolver uma economia ao serviço da pessoa humana, rejeitando a exploração e a ganância que esmagam e tornam excluída a maioria da população”, escrevem os representantes cristãos.

Durante o encontro ecuménico, os participantes vão ainda querer dar “testemunho de um empenho comum” a favor da reconciliação e da paz entre todas as comunidades cristãs.

“Comprometemo-nos a agir neste sentido, com coragem, criatividade, alegria e esperança”, complementam.

A assinatura desta declaração comum contará com a presença de D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, da Igreja Católica, D. Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana, e o pastor António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa; vai ter lugar no salão da Igreja de S. Miguel, em Sintra (junto ao Centro Cultural Olga Cadaval).

A iniciativa insere-se no VII Encontro Cristão daquela região do Patriarcado de Lisboa e na edição deste ano da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que tem como tema “Reconciliação - É o amor de Cristo que nos impele”.

Agência ECCLESIA

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Cooperação ecuménica na vida social: caminho que leva à unidade dos cristãos

Visto que nos nossos tempos largamente se estabelece a cooperação no campo social, todos os homens são chamados a uma obra comum, mas com maior razão os que crêem em Deus, sobretudo todos os cristãos assinalados com o nome de Cristo. A cooperação de todos os cristãos exprime vivamente aquelas relações pelas quais já estão unidos entre si e apresenta o rosto de Cristo Servo numa luz mais radiante. Esta cooperação, que já se realiza em não poucas nações, deve ser aperfeiçoada sempre mais, principalmente nas regiões onde se verifica a evolução social ou técnica. Vai ela contribuir para apreciar devidamente a dignidade da pessoa humana, promover o bem da paz, aplicar ainda mais o Evangelho na vida social, incentivar o espírito cristão nas ciências e nas artes e aplicar toda a espécie de remédios aos males da nossa época, tais como a fome e as calamidades, o analfabetismo e a pobreza, a falta de habitações e a inadequada distribuição dos bens. Por essa cooperação, todos os que crêem em Cristo podem mais facilmente aprender como devem entender-se melhor e estimar-se mais uns aos outros, e assim se abre o caminho que leva à unidade dos cristãos.

CONCÍLIO VATICANO II - Decreto «Unitatis Redintegratio», 12.


A área do desenvolvimento, que é sobretudo uma resposta às necessidades humanas, proporciona uma variedade de possibilidades para a cooperação entre a Igreja Católica e as Igrejas e Comunidades Eclesiais, a nível regional, nacional ou local. Essa cooperação, deve abranger, entre outras, as actividades em favor de uma sociedade mais justa, para promover a paz, os direitos e dignidade da mulher e uma distribuição mais equitativa dos recursos. Neste sentido, seria possível organizar um serviço comum em favor dos pobres, doentes, deficientes, idosos e de todos aqueles que sofrem por causa das injustas «estruturas de pecado». A cooperação nesta área é especialmente recomendada nos lugares onde houver uma grande concentração da população com graves consequências para a habitação, a alimentação, a água, o vestuário, a higiene e os cuidados médicos. Um aspecto importante da cooperação neste campo é a preocupação com os problemas dos migrantes, dos refugiados e das vítimas de catástrofes naturais.

CPPUC - Directório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo, 215.

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Celebração Ecuménica a nível nacional em Braga


A Basílica dos Congregados, em Braga, acolheu, na passada sexta-feira, dia 20, a Oração Ecuménica que assinalou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos a nível nacional. Presentes estiveram o Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, o Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, o Presidente do Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC) e Bispo da Igreja Metodista, Sifredo Teixeira, o Bispo D. Jorge Pina Cabral, da Igreja Lusitana, o Pastor Emanuel de Carvalho e a Pastora Eunice Alves, da Igreja Metodista. (Mais...)

ARQUIDIOCESE DE BRAGA

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Declaração conjunta por ocasião da comemoração conjunta católico-luterana da Reforma



DECLARAÇÃO CONJUNTA
por ocasião da comemoração conjunta católico-luterana da Reforma
Lund, 31 de outubro de 2016

«Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim» (Jo 15, 4).

Com coração agradecido

Com esta Declaração Conjunta, expressamos jubilosa gratidão a Deus por este momento de oração comum na Catedral de Lund, com que iniciamos o ano comemorativo do quinto centenário da Reforma. Cinquenta anos de constante e frutuoso diálogo ecuménico entre católicos e luteranos ajudaram-nos a superar muitas diferenças e aprofundaram a compreensão e confiança entre nós. Ao mesmo tempo, aproximamo-nos uns dos outros através do serviço comum ao próximo – muitas vezes em situações de sofrimento e de perseguição. Graças ao diálogo e testemunho compartilhado, já não somos desconhecidos; antes, aprendemos que aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa.

Do conflito à comunhão

Ao mesmo tempo que estamos profundamente gratos pelos dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma, também confessamos e lamentamos diante de Cristo que luteranos e católicos tenham ferido a unidade visível da Igreja. Diferenças teológicas foram acompanhadas por preconceitos e conflitos, e instrumentalizou-se a religião para fins políticos. A nossa fé comum em Jesus Cristo e o nosso Batismo exigem de nós uma conversão diária, graças à qual repelimos as divergências e conflitos históricos que dificultam o ministério da reconciliação. Enquanto o passado não se pode modificar, aquilo que se recorda e o modo como se recorda podem ser transformados. Rezamos pela cura das nossas feridas e das lembranças que turvam a nossa visão uns dos outros. Rejeitamos categoricamente todo o ódio e violência, passados e presentes, especialmente os implementados em nome da religião. Hoje, escutamos o mandamento de Deus para se pôr de parte todo o conflito. Reconhecemos que fomos libertos pela graça para nos dirigirmos para a comunhão a que Deus nos chama sem cessar.

O nosso compromisso em prol dum testemunho comum

Enquanto superamos os episódios da nossa história que gravam sobre nós, comprometemo-nos a testemunhar juntos a graça misericordiosa de Deus, que se tornou visível em Cristo crucificado e ressuscitado. Cientes de que o modo como nos relacionamos entre nós incide sobre o nosso testemunho do Evangelho, comprometemo-nos a crescer ainda mais na comunhão radicada no Batismo, procurando remover os obstáculos ainda existentes que nos impedem de alcançar a unidade plena. Cristo quer que sejamos um só, para que o mundo possa acreditar (cf. Jo 17, 21).

Muitos membros das nossas comunidades anseiam por receber a Eucaristia a uma única Mesa como expressão concreta da unidade plena. Temos experiência da dor de quantos partilham toda a sua vida, mas não podem partilhar a presença redentora de Deus na Mesa Eucarística. Reconhecemos a nossa responsabilidade pastoral comum de dar resposta à sede e fome espirituais que o nosso povo tem de ser um só em Cristo. Desejamos ardentemente que esta ferida no Corpo de Cristo seja curada. Este é o objetivo dos nossos esforços ecuménicos, que desejamos levar por diante inclusive renovando o nosso empenho no diálogo teológico.

Rezamos a Deus para que católicos e luteranos saibam testemunhar juntos o Evangelho de Jesus Cristo, convidando a humanidade a ouvir e receber a boa notícia da ação redentora de Deus. Pedimos a Deus inspiração, ânimo e força para podermos continuar juntos no serviço, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres, trabalhando pela justiça e rejeitando todas as formas de violência. Deus chama-nos a estar perto de todos aqueles que anseiam por dignidade, justiça, paz e reconciliação. Hoje, de modo particular, levantamos as nossas vozes para pedir o fim da violência e do extremismo que ferem tantos países e comunidades, e inumeráveis irmãos e irmãs em Cristo. Exortamos luteranos e católicos a trabalharem juntos para acolher quem é estrangeiro, prestar auxílio a quantos são forçados a fugir por causa da guerra e da perseguição, e defender os direitos dos refugiados e de quantos procuram asilo.

Hoje mais do que nunca, damo-nos conta de que o nosso serviço comum no mundo deve estender-se à criação inteira, que sofre a exploração e os efeitos duma ganância insaciável. Reconhecemos o direito que têm as gerações futuras de gozar do mundo, obra de Deus, em todo o seu potencial e beleza. Rezamos por uma mudança dos corações e das mentes que leve a um cuidado amoroso e responsável da criação.

Um só em Cristo

Nesta auspiciosa ocasião, expressamos a nossa gratidão aos irmãos e irmãs das várias Comunhões e Associações cristãs mundiais que estão presentes e unidos connosco em oração. Ao renovar o nosso compromisso de passar do conflito à comunhão, fazemo-lo como membros do único Corpo de Cristo, no qual estamos incorporados pelo Batismo. Convidamos os nossos companheiros de estrada no caminho ecuménico a lembrar-nos dos nossos compromissos e a encorajar-nos. Pedimos-lhes que continuem a rezar por nós, caminhar connosco, apoiar-nos na observância dos compromissos de religião que hoje manifestamos.

Apelo aos católicos e luteranos do mundo inteiro

Apelamos a todas as paróquias e comunidades luteranas e católicas para que sejam corajosas e criativas, alegres e cheias de esperança no seu compromisso de prosseguir na grande aventura que nos espera. Mais do que os conflitos do passado, há de ser o dom divino da unidade entre nós a guiar a colaboração e a aprofundar a nossa solidariedade. Estreitando-nos a Cristo na fé, rezando juntos, ouvindo-nos mutuamente, vivendo o amor de Cristo nas nossas relações, nós, católicos e luteranos, abrimo-nos ao poder de Deus Uno e Trino. Radicados em Cristo e testemunhando-O, renovamos a nossa determinação de ser fiéis arautos do amor infinito de Deus por toda a humanidade.

Vatican.va

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Os jovens e o Ecumenismo: o derrubar dos muros

Na força da juventude é possível ultrapassar grandes muros, ir mais além perante o aparentemente inultrapassável.

A vida tem muros: Uns pequenos, outros maiores, os internos e os externos e alguns que separam realidades, bem duras…

Mas ser jovem em Cristo implica uma atitude proactiva ao jeito de Jesus: positiva, determinada e empreendedora, que procura, com irreverencia caminhar, superar, ser mais, saindo do “sofá”, da zona de conforto, para construir algo de novo, com o espírito firmado no “amor de Cristo que nos move” 2 Cor 5, 14

Construir um muro implica técnica de junção de partes – pedras, tijolos, massas, entre outros materiais, com a finalidade de erguer algo que pode ser para separar, dividir e em alguns casos proteger, no entanto, mesmo os grandes os muros, devem permitir entrada e saída, para que haja liberdade, “a verdade vos libertará” Jo 8, 32.

Em Portugal, o movimento ecuménico, consubstanciado no desejo de Cristo, para que “todos sejam um para que o mundo creia” Jo 17,21, tem vindo a ganhar cada vez mais força junto dos jovens, muito por causa do FEJ – Fórum Ecuménico Jovem, que desde 1998, tem proporcionado em dezenas de cidades portuguesas, espaços de encontro/festa de jovens de diferentes Igrejas, bem como a necessária formação e aprendizagem ecuménica.

Tenho acompanhado a evolução do FEJ desde o seu início, há 18 anos, até os dias de hoje, como membro da equipa organizadora. Recordo a primeira reunião em Leiria. Participaram clérigos e jovens das Igrejas Católica Romana, Lusitana - Comunhão Anglicana, Metodista e Presbiteriana. Grandes pontes foram criadas que possibilitaram a milhares de jovens a experiência da unidade na diversidade, em que a diferença do Outro constitui uma riqueza e não propriamente um obstáculo, uma pedra!

Obviamente que ver no outro Irmão, que pertence a outra Igreja, um sinal da mesma Igreja de Cristo, requer uma abertura forte e ousada, uma identidade segura que permita ver para além do muro e ser capaz de derrubar e transformar as pedras da divisão em pedras que se juntam e formam verdadeiramente a Igreja Una de Cristo.

Por isso ser jovem é ser portador desta esperança que com a força que vem de Cristo é capaz de fazer “rolar a pedra” Lc 24,2 e inaugurar algo novo, porque viver uma fé “jovem” com Jesus permite “fazer novas todas as coisas” Ap. 21,5.

Reverendo Sérgio Alves
Presbítero da Igreja Lusitana – Comunhão Anglicana
Membro da Equipa Ecuménica Jovem

Departamento Nacional da Pastoral Juvenil | DNPJ

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Celebração Ecuménica - Grande Porto



Comissão Ecuménica do Porto

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | As 95 teses de Martinho Lutero



ALMEIDA, Dimas de. As 95 teses de Martinho Lutero | Controvérsia em torno da questão das Indulgências. Cadernos de Ciência das Religiões, [S.l.], nov. 2013. Disponível em: http://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernoscienciadasreligioes/article/view/3985.

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domingo, 22 de janeiro de 2017

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Abraços no lugar de cismas

Os gestos e as palavras do Papa Francisco conquistam mediatismo crescente e geram popularidade em crentes e não-crentes. A economia, a defesa dos pobres, a preocupação por contextos periféricos, a sustentabilidade ambiental e a defesa da vida são temas que geram simpatia e empatia pelo antigo cardeal de Buenos Aires, agora bispo de Roma. Também quando se refere ao ecumenismo… Não só pela força das suas palavras a respeito do “escândalo” da divisão entre os seguidores de Cristo, mas sobretudo pelos braços que estende para outros tantos abraços no esforço de aproximar lideranças de várias igrejas cristãs.

Se o espaço mediático que Francisco conquistou é único, os gestos e as palavras que agora diz estão naturalmente em linha com imagens do passado e do presente, protagonizadas por outras lideranças da Igreja Católica, à escala universal ou local, que raramente merecem a mesma amplificação na opinião pública.

Em janeiro de 1964, representantes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa punham fim a quase um milénio de desencontros entre as respetivas lideranças com um abraço. O Papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras, da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, confirmavam publicamente determinações conjuntas de promover o encontro entre cristãos desavindos com um gesto que impulsionou o caminho ecuménico, mesmo antes de ter terminado o Concílio Ecuménico Vaticano II.

Em outubro de 2016, o presidente da Federação Luterana Mundial Munib Yunan e o Papa Francisco selavam com um abraço a assinatura de uma declaração comum por ocasião da comemoração conjunta católico-luterana dos 500 anos da reforma protestante.

Em mais de meio século, outras declarações e muitos mais abraços marcaram o diálogo ecuménico, com o protestantismo e não só, assim como o encontro entre líderes de diferentes religiões, assinalados pela relevância que decorre de visitas institucionais. De facto, a presença de vários pontífices em templos ortodoxos, sinagogas ou mesquitas, o encontro entre patriarcas de várias “ortodoxias” e o Papa, a presença de rabinos ou imãs em ambiente católicos e destes em templos de tradição judaica ou islâmica foram passos dados no diálogo inter-religioso e ecuménico, sobretudo pelo conhecimento pessoal que proporcionaram e pela proximidade que daí resultou.

Na história dos abraços e da proximidade entre crentes, nomeadamente os seus líderes, tem de se incluir o que aconteceu na escala de uma viagem intercontinental, mas que representa uma etapa fundamental do percurso ecuménico. A caminho do México, o Papa encontrou-se com patriarca ortodoxo de Moscovo Cirilo para um abraço entre “irmãos” no “mesmo batismo” e dizer “finalmente”…!

Falar hoje em aproximação entre cristãos significa tentar por fim a duas grandes separações, que infelizmente não são as únicas: a que começou no século XI, no cisma do oriente, que separou ortodoxos e católicos; e a que se seguiu às teses de Lutero, que distanciou católicos e protestantes. Um percurso que há de ser feito com o debate de ideias, declarações conjuntas e sobretudo com a capacidade de replicar o espírito de Assis, marcado por abraços, por muitos abraços!

Paulo Rocha

Agência ECCLESIA


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Liberdade religiosa não é apenas questão de minorias: O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa fala à Agência ECCLESIA

Em entrevista à Agência ECCLESIA o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, José Vera Jardim, fala das prioridades deste organismo consultivo, do exemplo português na área do diálogo entre comunidades crentes e das questões ligadas à defesa do direito fundamental da liberdade de culto, assegurados em Portugal pela Lei da Liberdade Religiosa e a Concordata. (Mais...)

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Visita do Papa à Suécia a propósito dos 500 anos da reforma


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sábado, 21 de janeiro de 2017

Observe a Year of Peace and Nonviolence | Sisters of St. Joseph

On January 1, Pope Francis delivered a message in observance of the 50th Annual World Day of Peace. The Pope’s message called on the global church, government leaders, and all people of good will to engage the theme of Non-Violence: A Style of Politics for Peace.

Inspired by this challenge from Pope Francis, we are planning to observe a Year of Peace and Nonviolence in our Congregation, starting with 100 days of Prayer.

We are grateful to the Sisters of St. Joseph of Orange for developing this resource, which offers short daily prayers during the first 100 days of the new administration. The content encourages unity and reconciliation and offers support to people who may be vulnerable to policy changes.

In order to remain flexible and have the ability to adjust to what may actually be happening, the 100 Days of Prayer will be shared in two-week installments. View the first edition, covering Jan. 20-31.

We invite you to stay tuned for additional ways that you can be an “artisan of peace” with us this year.

Sisters of St. Joseph of Baden


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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | 500 anos do protestantismo. Entrevista ao padre Joaquim Carreira das Neves e a Timóteo Cavaco


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | XVIII Fórum Ecuménico Jovem - FEJ 2016


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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | «Reconciliação» entre cristãos é esperança para a Europa


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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2017 | Do conflito à comunhão

Intenções não faltam para a nossa oração, em especial no Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos. Que Deus nos atenda, purificando os nossos corações e as nossas memórias!

Para a causa ecuménica, 2017 é um ano de grandes desafios. Faz 500 anos que a unidade da Igreja de Cristo, amputada já nessa altura de sua asa oriental, a desde então chamada comunhão ortodoxa, sofreu novo e rude golpe com a emergência da igreja luterana e, pouco depois, da calvinista, da anglicana e de muitas outras derivadas destas, até às neopentecostais dos nossos dias. Tem sido uma penosa história de muito sofrimento, até com guerras de crueldade extrema. Uma tragédia mundial. A Deus pertence o julgamento, a nós a confissão das próprias culpas.

Vivemos outros tempos, não por mérito, mas por graça. Pareceu-me um sonho lindo a visita do Papa Francisco à Suécia em 31 de Outubro passado. Ela foi possível devido a 50 anos de um persistente esforço de reaproximação entre católicos e luteranos, a partir do Concílio Vaticano II. Marco destacado a balizar essa caminhada foi a assinatura, em 1999, da “Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação”. No encontro de 31 de Outubro, não se fez uma celebração da Reforma Luterana nem dos 50 anos de reaproximação ecuménica. Em vez disso, a nova “Declaração Conjunta”, que ficará para a história do ecumenismo como o melhor deste encontro memorável, pôs o acento na comemoração. O título é mesmo: “DECLARAÇÃO CONJUNTA por ocasião da comemoração conjunta católico-luterana da Reforma”. Comemorar significa lembrar juntos. Se não se pode refazer a história, pode-se sempre purificar a memória, rememorar com verdade o passado para emendar o presente. Lembrar o passado é como olhar pelo espelho retrovisor de um carro; para ir em frente com segurança não se pode perder a perspectiva do que vai ficando para trás. (Mais ...)

P. José Gaspar

Espiritanos.pt

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