a OBSERVATÓRIO DA PAX

domingo, 20 de dezembro de 2020

Semeai palavras de bem... Reflexões para o Advento 2020 - 4ª Semana


O ambiente digital também é um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até chegar ao caso extremo da dark web. Os meios de comunicação digitais podem encerrar o risco de dependência, de isolamento e de progressiva perda de contacto com a realidade concreta, levantando obstáculos ao desenvolvimento de relações interpessoais autênticas. Novas formas de violência são difundidas mediante os social media, por exemplo, o ciberassédio [...].
PAPA FRANCISCO, Cristo vive. Exortação Apostólica pós-sinodal, 2019, n. 88


REFLEXÃO

A propósito do novo livro lançado por Cristina Ferreira, “Pra Cima de Puta”, os portugueses viram-se confrontados com a nova realidade do século XXI, o cyberbullying. E se o título do livro é forte, duro e agressivo, o cyberbullying não fica atrás. Trata-se de assédio virtual, invasivo da privacidade, agressivo, injurioso e difamador. Consiste na “divulgação pública de conteúdos textuais, visuais e áudio que depreciem ou desacreditem alguém (ou um grupo), assim como a intimidação, ameaça e perseguição através de mensagens privadas que ocorra de forma sistemática, recorrente e intencional”. Cabem aqui desde comentários injuriosos, ofensivos, ameaças, humilhações, divulgação de imagens de teor sexual, usurpação de fotografias para colocar em sites de encontros, roubo de identidade, criação de perfis falsos em redes sociais, … 
A internet figura entre as mais importantes ferramentas de pesquisa, utilizada por todos [...]. E se disponibiliza todo um sem fim de informação e lazer social, útil e pertinente, também nos trouxe o cyberbullying, um território carregado com o claro propósito de prejudicar alguém, onde não há margem para o “não tinha intenção”. A intenção é clara e inequívoca: atacar, perseguir, denegrir e fazer mal, quer se trate ou não de uma figura pública, quer se conheça ou não pessoalmente. A troco de nada [...] passam a ser o alvo perfeito de ataques, ao sabor de um ódio tornado público. Com recurso muitas vezes a perfis falsos, homens e mulheres, jovens e adultos, escondidos por um écran, num sentimento de impunidade, vão destilando ódio nas redes sociais, de forma cobarde, criminosa e censurável. 
É preciso dizer que não são apenas as figuras públicas os alvos dos ataques. Somos (ou podemos ser) todos. Quando menos se espera podemos estar a ser perseguidos, vítimas da obsessão de alguém, que passa a enviar todo o tipo de mensagens e comentários, ofensivos e ameaçadores. E se há quem ignore essas vozes que desconhecem a bondade, a tolerância e o respeito, há muitos outros, e de forma especial os mais jovens, que sofrem o pão que o diabo amassou. Foi o caso de Amanda Todd, vítima desde os 12 anos de cyberbullying e que aos 15 se suicidou… 
Quando abro um vídeo que revela a intimidade sexual de alguém que não consentiu na divulgação, quando partilho uma foto que atenta contra os direitos de outra pessoa, estou a ser cúmplice e a alimentar o cyberbullying, estou a contribuir para colocar em marcha a corrente de maldade que corrói e abala as estruturas da humanidade no século XXI. E isto precisa ser dito, precisa ser educado, precisa ser ensinado, sob pena de tudo isto passar a ser encarado com normalidade. [...]
CARLA RODRIGUES, Quando um teclado me define.
In Igreja Viva. Suplemento do Diário do Minho. 3 de dezembro 2020, p. 2.

Etiquetas: , , , ,

domingo, 13 de dezembro de 2020

Semeai palavras de bem... Reflexões para o Advento 2020 - 3ª Semana


 (...) o termo ‘discurso de ódio’ engloba todas as formas de expressão que propaguem, incitem, promovam ou justifiquem o ódio racial, a xenofobia, o antissemitismo ou outras formas de ódio baseadas na intolerância, incluindo: a intolerância expressa por nacionalismo agressivo e etnocentrismo, discriminação e hostilidade contra minorias, pessoas migrantes e pessoas descendentes de migrantes.
CONSELHO DA EUROPA, Comité de Ministros, Recomendação nº. (97) 20


REFLEXÃO

O ódio está a ganhar terreno em todo o mundo. 
Uma onda ameaçadora de intolerância e violência baseada no ódio tem como alvo fiéis de muitas religiões em todo o mundo. Infelizmente, estes cruéis incidentes estão a tornar-se frequentes.
Nos últimos meses, vimos judeus assassinados em sinagogas, as suas lápides profanadas com suásticas, muçulmanos mortos a tiros em mesquitas, os seus locais de cultos vandalizados, cristãos mortos durante as orações e as suas igrejas incendiadas.
Além destes ataques horríveis, uma retórica cada vez mais repugnante está a ser dirigida contra grupos religiosos, mas também contra minorias, migrantes, refugiados, mulheres e os chamados "outros". 
À medida que o fogo do ódio se propaga como um incêndio arrasador, as redes sociais estão a ser exploradas para promover a intolerância. Os movimentos neonazis e a supremacia branca ganham adeptos e a retórica incendiária está a ser utilizada para proveito político.
O ódio está a deixar de ser residual, tanto nas democracias liberais como nos regimes autoritários, lançando uma sombra sobre a humanidade. [...]
Reconhecemos o discurso do ódio como um ataque à tolerância, inclusão, diversidade e à própria essência das nossas normas e princípios de direitos humanos.
De um modo mais geral, o ódio prejudica a coesão social, corrói os valores partilhados e pode lançar as bases para a violência, fazendo retroceder a causa da paz, estabilidade, desenvolvimento sustentável e dignidade humana.
Nas últimas décadas, o discurso de ódio tem sido precursor de crimes atrozes, incluindo o genocídio, do Ruanda à Bósnia, até ao Camboja.
Temo que o mundo esteja a chegar a outro momento agudo na luta contra o ódio. [...]
Aos que insistem em usar o medo para dividir as comunidades, devemos dizer que a diversidade é uma riqueza, nunca uma ameaça.
Um espírito profundo e sustentado de respeito e recetividade mútuos pode transcender publicações e tweets disparados numa fração de segundo. Nós nunca devemos esquecer, afinal de contas, que cada um de nós é um “outro” para alguém, em algum lugar. Não pode haver ilusão de segurança quando o ódio é generalizado.
Como parte da humanidade, é nosso dever cuidar uns dos outros.
Naturalmente, todas as ações destinadas a abordar e a confrontar o discurso do ódio devem ser consistentes com os direitos humanos fundamentais.
Abordar o discurso do ódio não significa limitar ou proibir a liberdade de expressão. Significa impedir que o discurso de ódio se transforme em algo mais perigoso, particularmente incitação à discriminação, hostilidade e violência, o que é proibido pelo direito internacional.
Precisamos de tratar o discurso do ódio como lidamos com todos os atos maliciosos: condenando-os, recusando amplificá-los, combatendo-os com a verdade e incentivando os perpetradores a mudar o seu comportamento.
É hora de intensificar a luta contra o antissemitismo, o ódio antimuçulmano, a perseguição aos cristãos e todas as outras formas de racismo, xenofobia e intolerância.
Os governos, a sociedade civil, o setor privado e os órgãos de comunicação social têm papéis importantes a desempenhar. Os líderes políticos e religiosos têm uma responsabilidade especial de promover a coexistência pacífica.
O ódio é um perigo para todos e, portanto, esta luta deve ser uma tarefa de todos. 
Juntos, podemos apagar o fogo do ódio e defender os valores que nos unem numa só família humana.

ANTÓNIO GUTERRES, O discurso de ódio, um incêndio arrasador.
In https://unric.org/pt/o-discurso-de-odio-um-incendio-arrasador

Etiquetas: , , , ,

domingo, 6 de dezembro de 2020

Semeai palavras de bem... Reflexões para o Advento 2020 - 2ª Semana


Isto é uma maçã.
Algumas pessoas podem tentar dizer-lhe que isto é uma banana.
Podem gritar “banana, banana, banana”, uma e outra vez.
Podem escrever BANANA, em maiúsculas.
E pode até começar a acreditar que isto é uma banana.
Mas não é.
Isto é uma maçã.
Clip publicitário da CNN, mostrando uma maçã. In https://youtu.be/nuTEeCNBfYE


REFLEXÃO

A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.
A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade. [...]
Nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais.
Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. [...]
Este episódio bíblico revela [...] um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.
De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação.
PAPA FRANCISCO, "A verdade vos tornará livres" (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz.
Mensagem para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2018.
In http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html.

Etiquetas: , , , ,

domingo, 29 de novembro de 2020

Semeai palavras de bem... Reflexões para o Advento 2020 - 1ª Semana


No mundo digital estão em jogo ingentes interesses económicos, capazes de fomentar formas de controlo tão subtis como invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático. O funcionamento de muitas plataformas acaba por favorecer, amiúde, o encontro entre pessoas que pensam do mesmo modo, dificultando a confrontação entre as diferenças. Estes circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódios. A proliferação das fake news é expressão de uma cultura que perdeu o sentido da verdade e submete os factos a interesses particulares. A reputação das pessoas corre perigo mediante julgamentos sumários online. Tal fenómeno também afeta a Igreja e os seus pastores.
PAPA FRANCISCO, Cristo vive. Exortação Apostólica pós-sinodal, 2019, n. 89


REFLEXÃO

O oitavo mandamento, «não levantarás falso testemunho», já deixou de se recomendar até às crianças. Está espalhado o hábito de introduzir distinções que preveem mentiras boas, mentiras úteis, até indispensáveis. […] 
A virtude que impede o falso testemunho é a sinceridade. É uma virtude que está diretamente ligada à verdade: em relação à própria pessoa, aos outros e a Deus. Quem é sincero consigo próprio tem a capacidade de honrar a sua dignidade, referenciando-se às leis morais e civis em que acredita. É uma questão de seriedade. […] 
As ofensas à verdade são muitas. A mais grave é a mentira: dizer a falsidade para enganar. É um pecado que parece desaparecido. Simplesmente, transformou-se, tornando-se até tendência. 
O exemplo mais evidente é o uso da internet. Por causa de interesses deploráveis, inserem-se fake news na rede. Para amaciar o impacto usa-se a língua inglesa, quando muitas vezes se escrevem e propõem mentiras pensadas, redigidas e comunicadas para denegrir, declarando o falso. Nem sequer as leis penais dos Estados predispuseram instrumentos adequados que condenem o fenómeno. Em nome da privacy – na realidade, por interesses económicos – criam-se danos em pessoas, grupos, nações. Desencadeiam-se processos que determinam um modo de sentir comum, impelindo para a não obrigatoriedade da verdade, e, consequentemente, limpando a mentira. […] 
A nossa cultura, com referências morais firmes que remontam aos tempos antigos, tem dificuldade em chamar à mentira o seu verdadeiro nome. É um pecado gravíssimo porque, baseando-se na boa-fé das pessoas, cria um costume que deixa em suspenso a referência moral. 
São também numerosos os pecados contra a boa fama do próximo: o juízo temerário verifica-se quando se admite como verdadeira uma presumida culpa de um outro. A difamação pode exprimir-se em maledicência (dizer mal do outro), em murmuração (feita sem que o outro o saiba), e, por fim, em calúnia (atribuir defeitos aos outros) (cf. Catecismo da Igreja Católica nn. 2475-2480). Parecem pecados característicos das “comadres” que murmuram sobre tudo e sobre todos. Na realidade, são muitas vezes cometidos por inveja, para garantir o sucesso pessoal, por simples maldade, frequentemente misturados com amargura e reivindicações. […] 
Há uma maneira mais subtil de não dizer a verdade: é a lisonja que pode tornar-se adulação, para chegar à complacência. Permanecer na verdade hoje é difícil: o ambiente é artificial, as pressões são enormes, as ocasiões para a superficialidade são diárias. Só um grande esforço para viver uma espiritualidade alta, atenta aos valores, ao respeito pelos outros, permite não transgredir o oitavo mandamento. 
Essa atitude pode ser sintetizada na humildade. A capacidade de compreender antes de tudo os próprios limites, que, por sua vez, se traduz na correção das relações. Esta posição ajuda a ser-se leal, sem condescender em perdões superficiais. […] 
A perspetiva evangélica requer limpidez. A liberdade de se ser fiel à verdade, mas também a sua busca e a coragem de professá-la. No tempo do pensamento globalizado, é um útil apelo à justiça, à compreensão, à construção de uma identidade corajosa e transparente.

VINICIO ALBANESI, Ottavo, non dire falsa testimonianza.
In http://www.settimananews.it/teologia/ottavo-non-dire-falsa-testimonianza.

Etiquetas: , , , ,

sábado, 22 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES (10 de maio de 1906 – 13 de abril de 1989), bispo da diocese do Porto desde 1952, viu-se forçado ao exílio durante o Estado Novo, por ter criticado a situação político-social e religiosa do país.
Após o afastamento político de Salazar (ocorrido em 1968), e no seguimento da denominada primavera marcelista, regressou a Portugal em 18 de junho de 1969, dez anos após o começo do exílio, tendo retomado o governo da diocese portucalense até 1982.
D. António foi um paladino da liberdade e um educador da consciência e da convivência democrática e da sua faceta de cidadão ressalta a sua postura sempre serena mas frontal perante a realidade e os desafios que o cercavam.



2. Reflexão

Vivemos habitualmente num alibi tão fácil como falso, numa alienação tranquilizante de consciência: a Paz depende de todos os outros, dos exércitos ou dos governos, das Nações Unidas ou das nações nacionalistas desunidas, dos papas ou dos bispos, dos políticos ou dos economistas, dos mass media ou dos educadores, de todos enfim, menos da minha honesta e pacífica pessoa, sentada ao canto da minha lareira ou a cultivar o meu jardim…
Pois bem: a Paz – e também consequentemente a guerra – depende de ti. De ti, multiplicado evidentemente por milhões. Mas, cuidado, não vás já alienar-te nos milhões, alienar-te agora nos milhões de boas pessoas à tua imagem, como antes nos governos ou nos exércitos ou nos bispos!...
De ti, de cada indivíduo, multiplicado por milhões, sem dúvida. Mas, se não desmultiplicamos esses milhões, se não reduzimos essas massas humanas às unidades, ao indivíduo, à consciência humana, à responsabilidade pessoal, numa palavra, se não responsabilizamos o coletivo, para que falar aqui, para que falar em Igreja inerme, para que tratar de fé e de moral?!

A paz depende de ti. Homilia do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro de 1974


3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 4ª semana:.
Acho que a paz só depende dos outros, daqueles que ocupam cargos de poder ou de responsabilidade na sociedade? Ou estou disposto/a a fazer a minha parte para a construção da Paz? Como penso que o posso fazer?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 15 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. MANUEL DA SILVA MARTINS (20 de janeiro de 1927 – 24 de setembro de 2017) foi o primeiro bispo da diocese de Setúbal e o primeiro Presidente da Secção Portuguesa da Pax Christi.
Em Setúbal, para onde foi nomeado bispo em 26 de outubro de 1975, encontrando um clima social marcado pela instabilidade e por todo o tipo de carências, procurou comungar vivamente a vida daquele povo, como proclamou no momento da sua ordenação: «Nasci bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho de Cristo – isto é, a justiça, a paz, o amor».
Com uma presença muito ativa, exerceu a sua ação pastoral, até 24 de abril de 1998, numa vertente de serviço sobretudo aos mais carentes e marginalizados.



2. Reflexão

A Igreja desculpa-se quando é interpelada sobre as suas obrigações nesta sociedade. Diz que tem cumprido o seu dever, mas entende-o apenas como o “dar de comer a quem tem fome”. Tem-lhe faltado uma coisa que é muito importante, que é apontar as causas da fome e denunciá-las sem medo. Mas se calhar a Igreja está comprometida com muita coisa, com o Governo que dá dinheiro para o seminário, com o presidente da Câmara que dá dinheiro para uma obra... Está comprometida com o poder e tem-se esquecido um bocadinho da sua dimensão profética, que é a de denunciar com coragem e sem medo as causas e os causadores da situação que vivemos. O Papa Francisco disse que prefere uma Igreja mergulhada no mundo, do que uma Igreja bonequinha, muito bem tratadinha dentro de uma redoma.

Entrevista ao Expresso, por ocasião dos 40 anos do 25 de Abril (2014)


3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 3ª semana:.
Como desempenho o meu papel na Igreja? A Igreja, a Comunidade é para mim um refúgio, o local onde me abrigo para esquecer os problemas do mundo? Ou, pelo contrário, é uma fonte de inspiração e de coragem para me ajudar a “mergulhar” no mundo?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 8 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

MARIA DE LURDES PINTASILGO (18 de janeiro de 1930 – 10 de julho de 2004) foi a primeira mulher (a única até ao momento presente) a assumir o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo liderado o V Governo Constitucional, de 31 de julho de 1979 a 3 de janeiro de 1980.
Ainda muito jovem, pela sua participação no movimento católico português e internacional, alcançou grande notoriedade. Esse protagonismo, associado à sua sensibilização pelas questões sociais, conduziu-a ao envolvimento político tendo uma participação constante na política institucional em Portugal.
A justiça social, a intervenção das mulheres na sociedade e a dimensão internacional de todas as questões foram as suas causas.



2. Reflexão

A uma ética da justiça – em que se funda e a que se limita no seu melhor a democracia existente – há que justapor a ética do cuidado.
Enquanto a ética da justiça constrói todo o edifício político sobre o ser humano como sede de direitos, a ética do cuidado toma em linha de conta a posição eminentemente realista de que o ser humano também é um ser de vulnerabilidades que, em numerosas situações, o impedem de se erguer para defender os seus direitos. (…)
Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda decisão política (…).
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. Haverá, sim, que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades.

Cuidar o futuro (2000)


3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 2ª semana:
O que significa para mim a intervenção política e democrática? Considero a dimensão política uma forma de intervir na sociedade dando testemunho de uma ética de justiça e do cuidado? Ou, pelo contrário, acho que a intervenção política e democrática são perda de tempo e esforço inglório? Como estou disposto/a a lutar pelos direitos de todas e de todos com justiça e cuidado?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 1 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

ARISTIDES DE SOUSA MENDES (19 de julho de 1885 – 3 de abril de 1954) foi um diplomata português, que desempenhava funções de cônsul de Bordéus em França no início da Segunda Guerra Mundial.
De 16 a 23 de junho de 1940, guiando-se pelos imperativos da sua consciência, trabalhou incessantemente na emissão de vistos a refugiados, na sua maioria judeus, que fugiam duma França ocupada pelos alemães, desobedecendo à ordem do Governo português que proibia a emissão de vistos ou documentos que permitissem atravessar território nacional.
Pela sua ação humanitária em Bordéus, devido à qual morreu na miséria, em 1966 o Yad Vashem, Memorial do Holocausto em Jerusalém, prestou-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de “Justo entre as Nações”, título oficial dado a não-judeus que tenham arriscado a vida para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.



2. Reflexão

Realmente desobedeci, mas a minha desobediência não me desonra. Não cumpri instruções que significavam, a meu ver, perseguição a verdadeiros náufragos que procuravam a todo o custo salvar-se da sanha hitleriana. Acima dessas instruções, estava para mim a lei de Deus e foi essa que eu procurei cumprir, sem hesitações, nem cobardias de poltrão. O verdadeiro valor da religião cristã está no amor do próximo e eu, sendo cristão, não podia fugir do seu império.

Carta a Adelino da Palma Carlos. 17 de julho 1941


3. Gesto de Paz

Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 1ª semana:
Quando tenho de tomar uma decisão importante na minha vida qual o primeiro critério que me guia: A opinião dos que me rodeiam? As convenções sociais? Ou procuro seguir a Lei de Deus e os valores cristãos?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 23 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 3


2. Reflexão

Com o desejo de sermos autênticos discípulos de Jesus […] fazemos um apelo à Igreja que amamos para:
  • Continuar a desenvolver o ensinamento social católico sobre a não-violência. […]
  • Integrar a não-violência evangélica de maneira explícita na vida, incluindo a vida sacramental, e no trabalho da Igreja através das dioceses, paróquias, organismos, escolas, universidades, seminários, ordens religiosas, associações de voluntariado e outras.
  • Promover práticas e estratégias não-violentas (p. ex. resistência não-violenta, justiça restaurativa, cura de traumas, proteção civil não armada, transformação de conflitos e estratégias de construção de paz).
  • Iniciar um diálogo global sobre não-violência no seio da Igreja, com pessoas de outras tradições religiosas e com o mundo em geral, para responder às crises monumentais do nosso tempo com a visão e as estratégias da não-violência e da Paz Justa.
  • Nunca mais usar ou ensinar a “teoria da guerra justa”; continuar a defender a abolição da guerra e das armas nucleares.
  • Elevar a voz profética da Igreja para desafiar os poderes injustos deste mundo e para apoiar e defender os ativistas não-violentos cujo trabalho pela paz e pela justiça coloca as suas vidas em risco.
Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

COMPROMETER-SE: Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a quarta e última vela da Coroa do Advento, comprometamo-nos a deixar que a caridade e a não-violência nos guiem no modo como nos tratamos uns aos outros.

PROPOSTA: Ler e reflectir sobre a declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica” e, depois, assiná-la individualmente, como paróquia ou como organização. E não vamos esquecer a ação que nos propusemos fazer na semana passada


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Tu que nos criaste e chamas a viver como irmãos, dá-nos a capacidade de nos amarmos uns aos outros, amar os inimigos, reconciliar-nos com todos, resistir à injustiça, promover um mundo novo sem guerra, sem pobreza, sem armas nucleares, sem aquecimento global, sem violência.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 16 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos […]. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 2


2. Reflexão

Cremos que não existe “guerra justa”. Com demasiada frequência, a “teoria da guerra justa” foi utilizada para respaldar e não para prevenir ou limitar a guerra. […]
Necessitamos de um novo quadro de referência que seja consistente com a não-violência evangélica. Um outro caminho vai-se desenvolvendo claramente no recente ensinamento social católico. O Papa João XXIII escreveu que a guerra não é um meio apropriado para restaurar direitos; o Papa Paulo VI associou paz e desenvolvimento e disse à ONU “nunca mais a guerra”; o Papa João Paulo II disse que “a guerra pertence ao passado trágico, à história”; o Papa Bento XVI disse que “amar o inimigo é o núcleo da revolução cristã”; e o Papa Francisco disse que “a verdadeira força do cristão é o vigor da verdade e do amor, que requer a renúncia a toda a violência. Fé e violência são incompatíveis”. Ele também pediu veementemente a “abolição da guerra”.
Propomos que a Igreja Católica desenvolva e considere a mudança para uma perspetiva de Paz Justa baseada na não-violência evangélica. A perspetiva da Paz Justa oferece uma visão e uma ética para construir a paz assim como para prevenir, reduzir e curar o dano causado pelo conflito violento. Esta ética inclui o compromisso com a dignidade humana e com umas relações florescentes, com critérios, virtudes e práticas específicas para guiar as nossas ações. Reconhecemos que a paz exige justiça e a justiça exige a construção da paz.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

AGIR: Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a terceira vela da Coroa do Advento, digamos não à violência em todas as suas formas, no nosso agir diário.

PROPOSTA: Junte-se a dezenas de milhares de pessoas que procuram construir a paz no nosso país e em todo o mundo: participe em algumas das ações propostas e/ou proponha uma ação (um debate, uma conferência, um acto de solidariedade com vítimas de violência, etc.), a realizar na sua comunidade, na sua escola, na sua organização…


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a coragem de dizer: “nunca mais a guerra”; “com a guerra, tudo fica destruído”! Infunde em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artí-fices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 9 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8,1 11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26,52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2,14-16).

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 3


2. Reflexão

No seu tempo, carregado de violência estrutural, Jesus proclamou uma nova ordem, não-violenta, enraizada no amor incondicional de Deus. Jesus chamou os seus discípulos a amarem os seus inimigos (Mateus 5,44), que inclui respeitar a imagem de Deus em todas as pessoas; a oferecerem resistência não-violenta a quem faz mal (Mateus 5,39); a converterem-se em construtores de paz; a perdoarem e a arrependerem-se; e a serem abundantemente misericordiosos (Mateus 5-7). Jesus encarnou a não-violência ao resistir ativamente à desumanização sistémica, como quando desafiou a lei do Sabat para curar o homem com a mão paralisada (Marcos 3,1-6); quando confrontou os poderosos no Templo e o purificou (João 2,13-22); quando pacífica mas decididamente desafiou os homens que acusavam uma mulher de adultério (João 8,1-11); quando na noite antes de morrer ordenou a Pedro não usar a espada (Mateus 26,52).
Nem passiva nem débil, a não-violência de Jesus foi o poder do amor em ação. Na sua visão e obras Ele é a revelação e a encarnação do Deus Não-violento, uma verdade especialmente iluminada na Cruz e na Ressurreição. Ele chama-nos a desenvolver a virtude da construção não-violenta da paz.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

INFORMAR-SE: Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a segunda vela da Coroa do Advento, assumamos o caminho não-violento de Jesus como nosso caminho.

PROPOSTA: Pesquisar informações sobre o modo como as igrejas cristãs e os movimentos e organizações a elas ligados estão a trabalhar pela paz (em Portugal e no mundo). Quais são as mais ativas na construção da Paz? Que propostas e ações estão a realizar?


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Tu que amas cada pessoa de maneira infinita e incondicional, dá-nos a força para seguir Jesus no seu caminho não-violento; dá-nos a capacidade de nos tornarmos instrumentos da tua paz, comprometidos em fazer acabar as guerras e em promover a cultura da não-violência.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 2 de dezembro de 2017

ADVENTO 2017: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. […] A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes.

PAPA FRANCISCO, Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2017, n. 4


2. Reflexão

Vivemos numa época de extenso sofrimento, trauma generalizado e medo relacionados com a militarização, a injustiça económica, as alterações climáticas e milhares de outras formas específicas de violência. Neste contexto de violência normalizada e sistémica, aqueles de entre nós que vivem na tradição cristã, estamos chamados a reconhecer a centralidade da não-violência ativa na visão e na mensagem de Jesus; na vida e na praxis da Igreja Católica; e na nossa vocação de longo prazo de curar e reconciliar tanto as pessoas como o planeta.
Alegramo-nos com as ricas experiências concretas de pessoas comprometidas no trabalho pela paz em todo o mundo […]. Essas experiências iluminam a criatividade e o poder das práticas não-violentas em muitas e diversas situações de conflito violento potencial ou real. De facto, investigações académicas recentes demonstraram que as estratégias de resistência não-violenta são duas vezes mais eficazes que as estratégias violentas.
Chegou o momento de a nossa Igreja ser um testemunho vivo e de investir muitos mais recursos humanos e financeiros na promoção de uma espiritualidade e prática da não-violência ativa, e na formação e capacitação das nossas comunidades católicas em práticas não-violentas eficazes. Em tudo isto, Jesus é a nossa inspiração e o nosso modelo.

Declaração “Um apelo à Igreja Católica a comprometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”


3. Gesto de Paz

ORAR: Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a primeira vela da Coroa do Advento, rezemos pela paz no mundo.

PROPOSTA: Passar a vela acesa entre as pessoas presentes. A pessoa que segura a vela reza em voz alta por uma área do nosso mundo que hoje precisa de paz. No fim todos respondem com a petição: «Senhor Deus de Paz, escuta a nossa súplica!»


4. Oração

1. Senhor, Deus da Paz e da Não-violência, escuta a nossa súplica! Pedimos-te perdão pelas vezes em que não soubemos reconhecer a tua bênção de amor e de paz e escolhemos a violência em lugar da não-violência. Abre os nossos olhos e os nossos corações e dá-nos a imaginação para superar todas as formas de violência com a não-violência criativa.

Todos: Escuta, Senhor, a nossa súplica e guia-nos no caminho da não-violência!


5. Bênção

1. Que o Deus forte, que se manifestou como menino e se mostrou a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar, nos faça compreender que, unidos a Ele, devemos ser artífices de paz e apóstolos da não-violência.

Todos: Ámen.


In: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , , ,

sábado, 17 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». […] Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa

Mateus 1,20-21.24


2. Reflexão

Tragicamente, no mundo de hoje mais de 65 milhões de pessoas foram obri-gadas a abandonar os seus lugares de residência. Este número sem preceden-tes supera qualquer imaginação. […] Contudo, se formos além da mera estatís-tica, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, jovens e moças que não são diversos dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, assim como o direito inalienável de viver em paz e de aspirar por um futuro melhor para os próprios filhos. […]
Encorajo-vos a dar as boas-vindas aos refugiados nas vossas casas e comunida-des, de modo que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento caloroso e humano. Recordai-vos que a hospitalidade autêntica é um profundo valor evangélico, que alimenta o amor e é a nossa maior segurança contra as odiosas ações de terrorismo. […] Vós sois olhos, lábios, mãos e coração de Deus neste mundo. […]
Exorto-vos a ajudar a transformar as vossas comunidades em lugares de boas-vindas onde todos os filhos de Deus têm a oportunidade, não simplesmente de sobreviver, mas de crescer, florescer e dar fruto. […]
Pensai na Sagrada Família – Maria, José e o Menino Jesus – na sua longa viagem como refugiados para o Egito, quando fugiam da violência e encontraram abrigo entre os estrangeiros. De igual modo recordai-vos das palavras de Jesus: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me» (Mt 25,35).



3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a quarta e última vela da Coroa do Advento, comprometo-me a procurar e conhecer uma família de refugiados ou imigrantes na minha cidade ou bairro e ajudar na sua integração e acolhimento.


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , ,

sábado, 10 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

«És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo»

Mateus 11,3-6


2. Reflexão

Sob o impulso do Espírito, o núcleo familiar não só acolhe a vida gerando-a no próprio seio, mas abre-se também, sai de si para derramar o seu bem nos outros, para cuidar deles e procurar a sua felicidade. Esta abertura exprime-se particularmente na hospitalidade, que a Palavra de Deus encoraja de forma sugestiva: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Heb 13, 2). Quando a família acolhe e sai ao encontro dos outros, especialmente dos pobres e abandonados, é «símbolo, testemunho, participação da maternidade da Igreja». Na realidade, o amor social, reflexo da Trindade, é o que unifica o sentido espiritual da família e a sua missão fora de si mesma, porque torna presente o querigma com todas as suas exigências comunitárias.*
A Sagrada Família de Nazaré sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quantos não têm abrigo, para quem deve fugir do perigo! As famílias cristãs façam da sua soleira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e da hospitalidade de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida em todos os recantos da terra: como a sentinela de um Deus que bate à porta, como o acolhimento de um Deus que não nos fecha a porta na cara, com a desculpa de que não somos de casa.**

PAPA FRANCISCO


3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a terceira vela da Coroa do Advento, comprometo-me a reunir a minha família e preparar em conjunto um gesto de solidariedade e acolhimento para com os refugiados ou estrangeiros que procuram abrigo e acolhimento (seja através de uma organização, da nossa paróquia ou outra forma).


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , ,

sábado, 3 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus […]. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus.»

Romanos 15,5.7


2. Reflexão

Acolhimento e hospitalidade constituem caraterísticas fundamentais do ministério pastoral, inclusive aquele que se desempenha no meio dos requerentes de asilo, dos refugiados, das pessoas deslocadas internamente e das vítimas do tráfico de seres humanos. Eles garantem que os tratemos como pessoas e, se forem cristãos, como irmãos ou irmãs na fé, evitando deste modo que passe-mos a considerá-los como números, casos ou mão-de-obra. O acolhimento não consiste tanto numa tarefa, como num modo de viver e de compartilhar.
A oferta da hospitalidade nasce a partir de um esforço em ser fiel a Deus, em ouvir a sua voz nas Sagradas Escrituras e em reconhecê-lo nas pessoas que estão ao nosso redor. Através da hospitalidade, o estrangeiro é recebido na Igreja local, que deve constituir um lugar seguro onde ele possa encontrar alívio, que o respeita, que o aceita e que lhe é amiga. Este acolhimento exige a escuta atenta e a partilha mútua das histórias de vida. Ele requer a abertura do coração, a disponibilidade para tornar a própria vida visível aos outros e uma partilha generosa do próprio tempo e recursos. Desde a doação de coisas até à oferta do próprio tempo e amizade, e finalmente à oferta de Cristo, nosso tesouro, ao próximo como proposta respeitosa e humilde.
No entanto, uma comunidade eclesial que recebe estrangeiros constitui um «sinal de contradição», um lugar onde alegria e dor, lágrimas e paz se encontram intimamente entrelaçadas. Isto torna-se particularmente visível em sociedades que são hostis em relação a quantos são acolhidos. […] Oferecer hospitalidade significa repensar e reformular constantemente as próprias prioridades.



3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a segunda vela da Coroa do Advento, comprometo-me a apoiar uma organização de ajuda a refugiados ou imigrantes no meu país.


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , ,

sábado, 26 de novembro de 2016

ADVENTO 2016: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

Ali afluirão todas as nações, e muitos povos acorrerão, dizendo: «Vinde, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas. De Sião há-de vir a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.»

Isaías 2,3


2. Reflexão

Cada cristão sente-se chamado a partilhar a tribulação e apuro do outro, no qual o próprio Deus Se esconde. Mas a abertura às necessidades do irmão implica um acolhimento sincero, que só é possível numa disposição pessoal de pobreza em espírito. De facto, não existe só pobreza de sinal negativo. Há também uma pobreza que é abençoada por Deus. A esta, o Evangelho chama-a «bem-aventurada» (Mt 5,3). Graças a ela, o cristão reconhece que a sua salvação vem exclusivamente de Deus, e torna-se disponível para acolher e servir o irmão, considerando-o «superior a si mesmo» (cf. Fil 2,3). […]
Este clima de acolhimento torna-se tanto mais necessário por assistirmos, no nosso tempo, a diversas formas de rejeição do outro. Manifestam-se de maneira grave no problema dos milhões de refugiados e exilados, no fenómeno da intolerância racial mesmo para com pessoas cuja única «culpa» é a de procurar trabalho e melhores condições de vida fora da sua pátria, no medo de tudo o que é diverso e por isso visto como ameaça. A Palavra do Senhor adquire, assim, nova actualidade frente às necessidades de tantas pessoas que pedem uma casa, que lutam por um emprego, que reclamam educação para os seus filhos. O acolhimento que lhes é devido permanece um desafio para a comunidade cristã, que não pode deixar de sentir-se empenhada em fazer com que cada homem possa encontrar condições de vida condizentes com a sua dignidade de filho de Deus.



3. Gesto de Paz

Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a primeira vela da Coroa do Advento, comprometo-me a estar mais atento a todos os que me rodeiam e a procurar mais informação sobre todos aqueles que procuram abrigo e acolhimento no meu país e na minha cidade.


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

Etiquetas: , ,

sábado, 19 de dezembro de 2015

ADVENTO 2015: 4º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação

Desde 1990 o mundo reduziu a pobreza para metade; no entanto 1 em cada 8 pessoas no mundo ainda sofre de fome. O número de crianças em idade escolar que não vai à escola desceu para quase metade entre 2000 e 2012; porém, 1 em cada 10 crianças continua a não entrar numa sala de aula. Morrem menos 17.000 crianças por dia; no entanto 6 milhões continuam a não chegar a celebrar o seu 5º aniversário.



2. Reflexão

É meu vivo desejo que o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina. A pregação de Jesus apresenta-nos estas obras de misericórdia, para podermos perceber se vivemos ou não como seus discípulos. […].
Não podemos escapar às palavras do Senhor, com base nas quais seremos julgados: se demos de comer a quem tem fome e de beber a quem tem sede; se acolhemos o estrangeiro e vestimos quem está nu; se reservamos tempo para visitar quem está doente e preso (cf. Mt 25, 31-45). De igual modo ser-nos-á perguntado se ajudamos a tirar da dúvida, que faz cair no medo e muitas vezes é fonte de solidão; se fomos capazes de vencer a ignorância em que vivem milhões de pessoas, sobretudo as crianças desprovidas da ajuda necessária para se resgatarem da pobreza; se nos detivemos junto de quem está sozinho e aflito; se perdoamos a quem nos ofende e rejeitamos todas as formas de ressentimento e ódio que levam à violência; se tivemos paciência, a exemplo de Deus que é tão paciente connosco; enfim se, na oração, confiamos ao Senhor os nossos irmãos e irmãs.



3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a quarta e última vela da Coroa do Advento, deixemo-nos interpelar pelas palavras de Jesus Cristo sobre quando formos julgados pelo amor com que amamos: «Saibam que todas as vezes que fizeram [deixaram de fazer] isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizeram [deixaram de fazer]» (Mt 25,40.45).

Neste 4º Domingo do Advento comprometo-me a _________________________


4. Oração

1. Senhor Jesus Cristo, que com a tua palavra, os teus gestos e toda a tua pessoa, revelas a misericórdia de Deus Pai, faz com que cada um de nós abra os seus olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e nos sintamos desafiados a escutar o seu grito de ajuda, para que juntos possamos romper a barreira da indiferença que humilha e do cinismo que destrói.

Todos: Ámen


5. Bênção

1. Que neste Ano Jubilar da Misericórdia possamos experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.

1. O Senhor nos abençoe e nos guarde; faça resplandecer o seu rosto sobre nós e nos proteja; nos olhe com misericórdia e nos dê a paz.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.


In: Sejamos misericordiosos... (cf. Lc 6,36). Contributos para a celebração do Advento 2015. Esta brochura está disponível online aqui

Etiquetas: ,

sábado, 12 de dezembro de 2015

ADVENTO 2015: 3º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação

Só em 2014, 13,9 milhões de pessoas se somaram ao número de novos deslocados, resultante de perseguições, conflitos, violência generalizada ou violação dos direitos humanos – quatro vezes mais que em 2010. Em todo o mundo, foram contabilizados 19,5 milhões de refugiados, 38,2 milhões de deslocados dentro dos seus próprios países e 1,8 milhão de solicitantes de refúgio. Um dado alarmante: metade dos refugiados no mundo é formada por jovens e crianças menores de 18 anos.



2. Reflexão

Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo actual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. […] Não nos deixemos cair na indife-rença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de desco-brir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo.



3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a terceira vela da Coroa do Advento, deixemo-nos interpelar pelas palavras de Jesus Cristo, ditas aos seus discípulos depois de lhes lavar os pés: «Dei-vos o exemplo para que, assim como eu fiz, o façam também uns aos outros» (Jo 13,15).

Neste 3º Domingo do Advento comprometo-me a _________________________


4. Oração

1. Senhor Jesus Cristo, que com a tua palavra, os teus gestos e toda a tua pessoa, revelas a misericórdia de Deus Pai, faz com que cada um de nós abra os seus olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e nos sintamos desafiados a escutar o seu grito de ajuda, para que juntos possamos romper a barreira da indiferença que humilha e do cinismo que destrói.

Todos: Ámen


5. Bênção

1. Que neste Ano Jubilar da Misericórdia possamos experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.

1. O Senhor nos abençoe e nos guarde; faça resplandecer o seu rosto sobre nós e nos proteja; nos olhe com misericórdia e nos dê a paz.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.


In: Sejamos misericordiosos... (cf. Lc 6,36). Contributos para a celebração do Advento 2015. Esta brochura está disponível online aqui

Etiquetas: ,

sábado, 5 de dezembro de 2015

ADVENTO 2015: 2º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação

Em 2013, 19,5% das pessoas residentes em Portugal estavam em risco de pobreza; destas, uma em cada cinco encontrava-se também em pobreza em pelo menos dois dos três anos anteriores. As crianças foram o grupo populacional onde o risco de pobreza foi mais elevado (25,6%). Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística para 2013, manteve-se o agravamento da taxa de intensidade da pobreza e uma forte desigualdade na distribuição dos rendimentos.



2. Reflexão

Na Sagrada Escritura […] a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para connosco. Ele não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua pró-pria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua respon-sabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros. […]
Misericordiosos como o Pai é, pois, o «lema» do Ano Santo. Na misericórdia, temos a prova de como Deus ama. Ele dá tudo de Si mesmo, para sempre, gratuitamente e sem pedir nada em troca. Vem em nosso auxílio, quando O invocamos. […]. Ele vem para nos salvar da condição de fraqueza em que vi-vemos. E a ajuda d’Ele consiste em fazer-nos sentir a sua presença e proximi-dade. Dia após dia, tocados pela sua compaixão, podemos também nós tornar-nos compassivos para com todos.



3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a segunda vela da Coroa do Advento, deixemo-nos interpelar pelas palavras de Jesus Cristo que declara: «Felizes os que usam de misericórdia para com os outros, porque Deus os tratará com misericórdia!» (Mt 5,7).

Neste 2º Domingo do Advento comprometo-me a _________________________


4. Oração

1. Senhor Jesus Cristo, que com a tua palavra, os teus gestos e toda a tua pessoa, revelas a misericórdia de Deus Pai, faz com que cada um de nós abra os seus olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e nos sintamos desafiados a escutar o seu grito de ajuda, para que juntos possamos romper a barreira da indiferença que humilha e do cinismo que destrói.

Todos: Ámen


5. Bênção

1. Que neste Ano Jubilar da Misericórdia possamos experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.

1. O Senhor nos abençoe e nos guarde; faça resplandecer o seu rosto sobre nós e nos proteja; nos olhe com misericórdia e nos dê a paz.

Todos: Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia.


In: Sejamos misericordiosos... (cf. Lc 6,36). Contributos para a celebração do Advento 2015. Esta brochura está disponível online aqui

Etiquetas: ,

Durante o Advento e o Natal, envie mensagens de paz e de esperança para Belém

Foto de painel do muro de separação em Belém
Em maio de 2015, a Pax Christi teve a grande honra de celebrar o seu 70º aniversário em Belém. A nossa Assembleia Mundial foi acolhida pelos nossos amigos e colegas do Arab Educational Institute (AEI), uma organização membro da Pax Christi Internacional da Palestina. Durante o nosso tempo na Cisjordânia, visitamos vários locais, reunimo-nos com construtores da paz palestinianos e israelitas, e rezamos ao longo do muro de separação.

Durante o Advento e o Natal de 2015, os membros da Pax Christi Internacional e as pessoas de boa vontade estão convidados a escreverem uma mensagem de esperança e encorajamento aos nossos amigos em Belém. O AEI irá distribuí-las aos habitantes de Belém, a membros e amigos.

Por favor envie as suas orações e desejos de paz de Natal por e-mail antes de 25 de Dezembro de 2015 (Natal Ocidental) e/ou 7 de Janeiro de 2016 (Natal Oriental). Apesar de o inglês ser a língua preferencial, os não anglófonos podem usar a sua própria língua.

Envie os seus e-mails para o seguinte endereço: aei@p-ol.com, com o assunto: Advent-Christmas-2015. As mensagens serão publicadas no website do AEI.

Etiquetas: ,