a OBSERVATÓRIO DA PAX

sábado, 22 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES (10 de maio de 1906 – 13 de abril de 1989), bispo da diocese do Porto desde 1952, viu-se forçado ao exílio durante o Estado Novo, por ter criticado a situação político-social e religiosa do país.
Após o afastamento político de Salazar (ocorrido em 1968), e no seguimento da denominada primavera marcelista, regressou a Portugal em 18 de junho de 1969, dez anos após o começo do exílio, tendo retomado o governo da diocese portucalense até 1982.
D. António foi um paladino da liberdade e um educador da consciência e da convivência democrática e da sua faceta de cidadão ressalta a sua postura sempre serena mas frontal perante a realidade e os desafios que o cercavam.



2. Reflexão

Vivemos habitualmente num alibi tão fácil como falso, numa alienação tranquilizante de consciência: a Paz depende de todos os outros, dos exércitos ou dos governos, das Nações Unidas ou das nações nacionalistas desunidas, dos papas ou dos bispos, dos políticos ou dos economistas, dos mass media ou dos educadores, de todos enfim, menos da minha honesta e pacífica pessoa, sentada ao canto da minha lareira ou a cultivar o meu jardim…
Pois bem: a Paz – e também consequentemente a guerra – depende de ti. De ti, multiplicado evidentemente por milhões. Mas, cuidado, não vás já alienar-te nos milhões, alienar-te agora nos milhões de boas pessoas à tua imagem, como antes nos governos ou nos exércitos ou nos bispos!...
De ti, de cada indivíduo, multiplicado por milhões, sem dúvida. Mas, se não desmultiplicamos esses milhões, se não reduzimos essas massas humanas às unidades, ao indivíduo, à consciência humana, à responsabilidade pessoal, numa palavra, se não responsabilizamos o coletivo, para que falar aqui, para que falar em Igreja inerme, para que tratar de fé e de moral?!

A paz depende de ti. Homilia do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro de 1974


3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 4ª semana:.
Acho que a paz só depende dos outros, daqueles que ocupam cargos de poder ou de responsabilidade na sociedade? Ou estou disposto/a a fazer a minha parte para a construção da Paz? Como penso que o posso fazer?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 15 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. MANUEL DA SILVA MARTINS (20 de janeiro de 1927 – 24 de setembro de 2017) foi o primeiro bispo da diocese de Setúbal e o primeiro Presidente da Secção Portuguesa da Pax Christi.
Em Setúbal, para onde foi nomeado bispo em 26 de outubro de 1975, encontrando um clima social marcado pela instabilidade e por todo o tipo de carências, procurou comungar vivamente a vida daquele povo, como proclamou no momento da sua ordenação: «Nasci bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho de Cristo – isto é, a justiça, a paz, o amor».
Com uma presença muito ativa, exerceu a sua ação pastoral, até 24 de abril de 1998, numa vertente de serviço sobretudo aos mais carentes e marginalizados.



2. Reflexão

A Igreja desculpa-se quando é interpelada sobre as suas obrigações nesta sociedade. Diz que tem cumprido o seu dever, mas entende-o apenas como o “dar de comer a quem tem fome”. Tem-lhe faltado uma coisa que é muito importante, que é apontar as causas da fome e denunciá-las sem medo. Mas se calhar a Igreja está comprometida com muita coisa, com o Governo que dá dinheiro para o seminário, com o presidente da Câmara que dá dinheiro para uma obra... Está comprometida com o poder e tem-se esquecido um bocadinho da sua dimensão profética, que é a de denunciar com coragem e sem medo as causas e os causadores da situação que vivemos. O Papa Francisco disse que prefere uma Igreja mergulhada no mundo, do que uma Igreja bonequinha, muito bem tratadinha dentro de uma redoma.

Entrevista ao Expresso, por ocasião dos 40 anos do 25 de Abril (2014)


3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 3ª semana:.
Como desempenho o meu papel na Igreja? A Igreja, a Comunidade é para mim um refúgio, o local onde me abrigo para esquecer os problemas do mundo? Ou, pelo contrário, é uma fonte de inspiração e de coragem para me ajudar a “mergulhar” no mundo?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 8 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

MARIA DE LURDES PINTASILGO (18 de janeiro de 1930 – 10 de julho de 2004) foi a primeira mulher (a única até ao momento presente) a assumir o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo liderado o V Governo Constitucional, de 31 de julho de 1979 a 3 de janeiro de 1980.
Ainda muito jovem, pela sua participação no movimento católico português e internacional, alcançou grande notoriedade. Esse protagonismo, associado à sua sensibilização pelas questões sociais, conduziu-a ao envolvimento político tendo uma participação constante na política institucional em Portugal.
A justiça social, a intervenção das mulheres na sociedade e a dimensão internacional de todas as questões foram as suas causas.



2. Reflexão

A uma ética da justiça – em que se funda e a que se limita no seu melhor a democracia existente – há que justapor a ética do cuidado.
Enquanto a ética da justiça constrói todo o edifício político sobre o ser humano como sede de direitos, a ética do cuidado toma em linha de conta a posição eminentemente realista de que o ser humano também é um ser de vulnerabilidades que, em numerosas situações, o impedem de se erguer para defender os seus direitos. (…)
Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda decisão política (…).
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. Haverá, sim, que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades.

Cuidar o futuro (2000)


3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 2ª semana:
O que significa para mim a intervenção política e democrática? Considero a dimensão política uma forma de intervir na sociedade dando testemunho de uma ética de justiça e do cuidado? Ou, pelo contrário, acho que a intervenção política e democrática são perda de tempo e esforço inglório? Como estou disposto/a a lutar pelos direitos de todas e de todos com justiça e cuidado?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Manual para fazer a paz: ​Missa do Papa Francisco em Santa Marta

Com o estilo humilde dos artesãos, «viver em paz com a nossa alma, em casa com a família, na escola, no trabalho, no bairro»: eis o compromisso prático para o Advento — um verdadeiro manual para construir a paz no dia a dia, com exame de consciência para todos, incluindo as crianças — sugerido por Francisco na missa celebrada a 4 de dezembro em Santa Marta.

Para esta reflexão sobre a paz, o Papa realçou que na primeira leitura, tirada de Isaías (11, 1-10), «há uma promessa dos tempos, quando o Senhor vier: o povo esperava a vinda do Salvador, do Libertador, do Senhor — explicou — e o profeta diz como será aquele tempo, quando Ele vier». E «afirma que tudo estará em paz, o Senhor fará a paz».

Em particular, observou Francisco, o profeta «descreve esta paz com imagens que parecem um pouco bucólicas, mas bonitas: haverá tanta paz que “o lobo estará com o cordeiro, a pantera deitar-se-á ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino guiá-los-á; a vaca e o urso fraternizar-se-ão, as suas crias deitar-se-ão juntas e o leão alimentar-se-á de palha, como o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte”».

Diante deste texto, prosseguiu o Papa, questionamo-nos se isto «será possível». Na realidade, afirmou, Isaías «quer dizer que a paz do Senhor é capaz de transformar a vida e a história, e Jesus é chamado precisamente príncipe da paz porque vem trazer esta paz, oferecer-nos esta paz».

«O tempo de Advento é para nos preparamos em vista desta vinda do Príncipe da paz», insistiu o Pontífice. É, pois, «um tempo para nos pacificarmos: antes de tudo, com nós mesmos, pacificar a alma», porque «muitas vezes não estamos em paz; somos ansiosos, angustiados, sem esperança, e a pergunta que o Senhor nos dirige é: “Como está a tua alma hoje, está em paz?” — “Não sei” – “Mas olha, se não está em paz, começa a percorrer este caminho para a pacificar” — “Mas não posso”». Contudo «Ele pode», afirmou o Papa, convidando a pedir «a Ele que te pacifique: o Príncipe da paz pacifica a alma».

Eis que, observou Francisco, «o primeiro passo deste tempo de Advento consiste em pacificar a própria alma». Na realidade, «estamos habituados a olhar para a alma dos outros: “Mas olha o que ele, ela, faz”». Ao contrário, devemos olhar para a nossa alma e interrogar-nos: «Como estás? O que sente o teu coração? Está em paz? Estás zangado, zangada? És ansioso, ansiosa?». Assim, «pede ao Senhor a graça de pacificar a alma, preparando-te para o encontro com Ele».

«Outra realidade a pacificar é a casa», disse o Pontífice, sugerindo que nos perguntemos: «Como está a paz em casa?». É preciso sempre «pacificar a família: há muitas tristezas na família, muitas lutas, tantas pequenas guerras, às vezes uma grande desunião». Assim, «não há paz: um contra o outro, ou desafia o outro». Por isso, propôs Francisco, «cada um se interrogue: como está a minha família, em paz ou em guerra, unida ou desunida? Existem muitas pontes entre nós, ou muros que nos separam?». O objetivo é «pacificar a família».

É preciso também alargar os horizontes para «observar o mundo — convidou o Papa — e ver que há mais guerra que paz: há muitas guerras, desunião, ódio, exploração. Não há paz». Mas «que faço para construir a paz no mundo?». Poderíamos justificar-nos, dizendo que «o mundo está demasiado distante». Então, o Pontífice convidou a verificar «o que faço para construir a paz no bairro, na escola, no lugar de trabalho: encontro sempre um pretexto para entrar em guerra, para odiar, para falar mal dos outros? Isto significa fazer guerra! Sou manso? Procuro construir pontes? Não condeno?». É uma questão que se refere também às crianças, às quais é preciso perguntar: «na escola, quando há um companheiro, uma companheira da qual não gostas, é um pouco odioso ou fraco, fazes bullying ou fazes a paz, procuras fazer a paz? Perdoas tudo?». O estilo deve ser o dos «artesãos de paz» e «é preciso este tempo de Advento, de preparação para a vinda do Senhor, que é o Príncipe da paz».

«E a paz — explicou Francisco — vai sempre em frente, nunca se detém, chega a um ponto e dá mais um passo de paz, outro passo de paz: é fecunda». Mais ainda, «a paz parte da alma e volta para a alma, depois de ter percorrido este caminho de pacificação». Por isso, «fazer a paz é um pouco imitar Deus, quando quis fazer a paz connosco e nos perdoou, enviando-nos o seu Filho para fazer a paz, para ser o Príncipe da paz».

Todos estão chamados a ser artífices de paz. Talvez, sugeriu o Papa, «alguém possa dizer: “padre, não estudei como se faz a paz, não sou uma pessoa culta, não sei, sou jovem, não sei”». Mas é o próprio Jesus, no trecho evangélico de Lucas, proposto pela liturgia (10, 21-24), quem nos diz «qual deve ser a atitude: “Pai, Senhor do céu e da terra, dou-te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”». Talvez, reiterou o Papa, «não tenhas estudado, não sejas sábio», mas «faz-te pequenino, humilde, servo dos outros: faz-te pequenino e o Senhor dar-te-á a capacidade de entender como se faz a paz e a força para a concretizar».

«Viver em paz com a nossa alma, em casa com a família, na escola, no trabalho, no bairro, viver em paz, tal será a oração deste tempo de Advento», sugeriu Francisco. Trata-se de «pacificar, fazer a paz com humildade». E «cada vez que vemos que há a possibilidade de uma pequena guerra, quer em casa, quer no meu coração, na escola, no trabalho, paremos e procuremos fazer a paz». Sobretudo «nunca firamos o outro, nunca». E o primeiro passo «para não ferir o próximo» é precisamente «não falar mal dos outros, não disparar o primeiro tiro de canhão». Convicto de que, «se todos nós fizéssemos só isto — não falar mal do próximo — a paz progrediria».

«Que o Senhor nos prepare para o Natal do Príncipe da paz», concluiu o Papa. Mas, acrescentou, «que nos prepare, levando-nos a fazer tudo o que nos compete para pacificar: pacificar o meu coração, a minha alma, a minha família, a escola, o bairro, o lugar de trabalho». E para sermos assim, verdadeiramente «homens e mulheres de paz!».

L'Osservatore Romano

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sábado, 1 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

ARISTIDES DE SOUSA MENDES (19 de julho de 1885 – 3 de abril de 1954) foi um diplomata português, que desempenhava funções de cônsul de Bordéus em França no início da Segunda Guerra Mundial.
De 16 a 23 de junho de 1940, guiando-se pelos imperativos da sua consciência, trabalhou incessantemente na emissão de vistos a refugiados, na sua maioria judeus, que fugiam duma França ocupada pelos alemães, desobedecendo à ordem do Governo português que proibia a emissão de vistos ou documentos que permitissem atravessar território nacional.
Pela sua ação humanitária em Bordéus, devido à qual morreu na miséria, em 1966 o Yad Vashem, Memorial do Holocausto em Jerusalém, prestou-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de “Justo entre as Nações”, título oficial dado a não-judeus que tenham arriscado a vida para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.



2. Reflexão

Realmente desobedeci, mas a minha desobediência não me desonra. Não cumpri instruções que significavam, a meu ver, perseguição a verdadeiros náufragos que procuravam a todo o custo salvar-se da sanha hitleriana. Acima dessas instruções, estava para mim a lei de Deus e foi essa que eu procurei cumprir, sem hesitações, nem cobardias de poltrão. O verdadeiro valor da religião cristã está no amor do próximo e eu, sendo cristão, não podia fugir do seu império.

Carta a Adelino da Palma Carlos. 17 de julho 1941


3. Gesto de Paz

Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 1ª semana:
Quando tenho de tomar uma decisão importante na minha vida qual o primeiro critério que me guia: A opinião dos que me rodeiam? As convenções sociais? Ou procuro seguir a Lei de Deus e os valores cristãos?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

ADVENTO 2018: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018

A nossa geração vai ter de se arrepender não apenas das odiosas palavras e ações dos maus, mas também do confrangedor silêncio dos bons. (MARTIN LUTHER KING, JR., Carta da prisão de Birmingham, 16 de abril de 1963)


A 11 de novembro assinalou-se o centenário do fim da I Guerra Mundial (1914-1918), uma guerra que resultou em vários milhões de mortos e feridos. A propósito desta efeméride o Papa Francisco afirmou: «A página histórica do primeiro conflito mundial é, para todos, uma severa advertência para refutar a cultura da guerra e procurar todos os meios legítimos para pôr fim aos conflitos que ainda ensanguentam várias regiões do mundo. Parece que não aprendemos». E, depois de pedir orações pelos milhões de vítimas «daquela imensa tragédia», lançou um repto: «apostemos na paz, não na guerra!».

Este nosso mundo, contudo, parece não ter aprendido a lição: apesar de já ter passado por duas Grandes Guerras, que fizeram milhões de vítimas, continua a apostar na guerra como meio legítimo para pôr fim aos conflitos.

Apostar na paz é o caminho! Contudo, como afirmou o Papa Francisco em Amã (Jordânia, 24.05.2014), «a paz não se pode comprar, não está à venda. A paz é um dom que se deve buscar pacientemente e construir “artesanalmente” através dos pequenos e grandes gestos que formam a nossa vida diária». O nosso mundo tem necessidade, por isso, de quem lhe leve e testemunhe a paz. Este nosso tempo, continuamente ameaçado pela violência multifacetada, precisa de quem lhe indique o caminho para construir a paz; «precisa de obreiros de paz e de pessoas livres e libertadoras, pessoas corajosas que saibam aprender do passado para construir o futuro sem se fechar nos preconceitos; precisa de construtores de pontes de paz, de diálogo, de fraternidade, de justiça e de humanidade».

A exemplo de Jesus Cristo, que cheio do Espírito do Pai, «veio anunciar a boa nova da paz» (Efésios 2,17), também nós, seus discípulos, ungidos pelo mesmo Espírito, que «ungiu interiormente Jesus, e unge os discípulos para que tenham os mesmos sentimentos de Jesus e possam, assim, assumir na sua vida atitudes que favoreçam a paz e a comunhão (…), somos enviados como mensageiros e testemunhas de paz» a este mundo que tanta necessidade tem «de nós como mensageiros de paz, como testemunhas de paz!».

É neste espírito que propomos este itinerário, pautado por textos selecionados de testemunhas de paz contemporâneas portuguesas, para celebrar e viver o Advento de 2018, seja na paróquia, em família ou em grupo, tendo como ideia central a temática da Paz.

Neste tempo litúrgico em que, em piedosa e alegre expectativa, alimentada pela oração e pelo compromisso efetivo do amor feito serviço, nos preparamos para acolher o Deus que, na fragilidade de um Menino, vem ao nosso encontro como «a paz» (cf. Efésios 2,14; Isaías 9,6), deixemo-nos interpelar pelas testemunhas de paz que nos instigam «a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora», a deixar de ser espetadores e passar a ser protagonistas da História. Levemos a paz ao mundo. Testemunhemos a paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus!

Novembro de 2018

Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018 está disponível para impressão aqui.

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