a OBSERVATÓRIO DA PAX

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Lançamento do Fórum de Jovens da Pax Christi Internacional


Durante o Encontro Mundial da Pax Christi International 2025, realizado em Florença de 5 a 9 de novembro, foi lançado oficialmente o Fórum dos Jovens Pax Christi. O Fórum é uma plataforma para jovens dos 18 aos 35 anos, que desejam comprometer-se, a partir de uma perspectiva centrada nos jovens, com a promoção dos valores e mensagens do Movimento.

Participantes de Inglaterra, França, Itália, Filipinas, Portugal, Coreia do Sul e Estados Unidos tiveram a oportunidade de se encontrarem pessoalmente pela primeira vez em Florença, por ocasião da celebração do 80º aniversário da Pax Christi Internacional. Este encontro permitiu-lhes reunir e trabalhar coletivamente na definição de objetivos comuns e de um compromisso conjunto, que foi oficialmente apresentado durante o evento de lançamento do Fórum dos Jovens.

"Estamos a lutar pelas gerações futuras, pela democracia, pelos direitos humanos e pela justiça", declararam os jovens participantes. "Defendemos um mundo onde os jovens possam crescer sem medo, onde cada voz conte e onde a compaixão supere a divisão. Fazemo-lo não porque seja fácil, mas porque é necessário. A paz não é apenas o nosso sonho: é o nosso dever partilhado para com as gerações futuras."

A partir de 2026, os jovens da Pax Christi procurarão promover uma mensagem global de Não-Violência Ativa, utilizando — e alargando ainda mais — a sua rede, comprometendo-se de forma concreta com a busca de valores universais para uma Paz Justa.

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Compromisso Florença 2025-2030 da Pax Christi Internacional: 80 anos a construir pontes para o futuro

 


Compromisso Florença 2025-2030 da Pax Christi Internacional

80 anos a construir pontes para o futuro

Florença, Itália, novembro de 2025

Onde começámos e onde estamos

Nascida no rescaldo da guerra e da divisão, a Pax Christi iniciou a sua peregrinação há oitenta anos com uma oração pela reconciliação e a convicção de que a paz era possível. Enraizado no Evangelho, alimentado pela Doutrina Social da Igreja Católica e moldado pela coragem de inúmeros construtores da paz ao longo de gerações, o nosso movimento cresceu e tornou-se uma comunidade global comprometida com o poder transformador da não-violência ativa e a paz justa.

Hoje, o nosso mundo está novamente ferido por conflitos violentos, medo e divisão. A violência armada marca todas as regiões, incluindo a Terra Santa, o Sudão e a Ucrânia. As tentativas de resolver crises com a violência multiplicam-se, enquanto a diplomacia e o diálogo recuam. Os valores democráticos estão enfraquecidos, as vozes da dissidência e da consciência enfrentam a intimidação e a repressão e, em algumas nações, os jovens enfrentam novamente o serviço militar obrigatório. O ódio é alimentado para ganhos políticos e a dignidade da vida humana é ameaçada por sistemas que privilegiam o poder, o lucro e a dominação.

A nossa casa comum sofre a violência da exploração e da poluição. A degradação climática intensifica o sofrimento e aprofunda a desigualdade. O deslocamento forçado está entre as consequências mais visíveis desta injustiça. Muitos migrantes e refugiados personificam uma resistência silenciosa e não-violenta, testemunho do anseio pela vida, pela dignidade e por um lugar ao qual pertencer. As economias extrativas, modelos energéticos destrutivos baseados em minerais “críticos”, também impulsionados pela indústria bélica, atingem com mais força os pobres, os povos indígenas, as mulheres e as jovens gerações. No entanto, no meio destas crises, a nossa vocação comum permanece inalterada: testemunhar o amor não-violento de Cristo e construir pontes para o amanhã.

Uma jornada moldada pela esperança

Ao longo de oito décadas, a Pax Christi International testemunhou que a paz floresce onde as relações são restauradas e onde os excluídos são ouvidos. Apoiamos comunidades afetadas por guerras, ocupações militares, racismo, extremismo religioso, destruição ecológica, injustiça e outras formas de violência. Ouvimos a sua sabedoria, partilhamos as suas esperanças e levamos as suas vozes ao mundo. Aprendemos que a paz justa nunca é imposta de cima para baixo, mas nasce da resiliência, da criatividade e da coragem daqueles cujas vidas são profundamente marcadas pela injustiça.

A nossa rede global, composta por leigos, religiosos consagrados, jovens líderes, clérigos e parceiros em todos os continentes, continua a ensinar-nos que a construção da paz é profundamente local e profundamente global. É espiritual e política, contemplativa e ativa, enraizada na vida e na missão de Jesus, o Construtor da Paz.

Focar o futuro com raízes profundas no nosso presente

O pontificado de Leão XIV marca uma nova era e um apelo a construir uma “paz desarmada e desarmante”. A Pax Christi, reunida em Florença, faz seu este apelo, oferecendo testemunhos vivos e alternativas não-violentas a uma cultura de guerra e de múltiplas formas de violência.

O nosso compromisso é traduzir este apelo, a uma “paz desarmada e desarmante”, em ações concretas para o desarmamento pessoal, familiar, coletivo, social e político, oferecendo respostas desarmadas e não-violentas à guerra e a múltiplas formas de violência, como a defesa civil desarmada, a objeção de consciência, a resistência civil, a proteção desarmada em zonas de conflito, a educação para a paz, a mediação, a diplomacia, o diálogo inter-religioso, a justiça restaurativa e o acompanhamento das ações não-violentas face à violência, à guerra e ao autoritarismo.

Reafirmamos o nosso compromisso com a paz justa e a não-violência ativa. Continuaremos a cultivar espaços de encontro, diálogo e cura, e a promover abordagens de segurança que priorizem a dignidade humana, o cuidado com a Criação, a participação equitativa e a proteção dos direitos humanos. A verdadeira segurança nasce da justiça, do Estado de Direito, da solidariedade entre os povos e da proteção e prosperidade da Criação.

Fortaleceremos o nosso compromisso teológico e pastoral com a não-violência evangélica através da Iniciativa Católica para a Não Violência e do Instituto Católico para a Não Violência, caminhando com a Igreja universal na sua busca por aprofundar a compreensão e o compromisso com a missão não-violenta de Jesus. Defenderemos a abolição das armas nucleares, consideradas imorais pelo Papa Francisco, e a regulamentação das armas autónomas, o desarmamento e a diplomacia da paz, bem como a proteção daqueles que defendem os direitos humanos e a Criação. Avaliaremos cuidadosamente o impacto das tecnologias emergentes, especialmente a Inteligência Artificial (IA), assegurando que respeitam a dignidade humana, a verdade e o bem comum.

A nossa ecoespiritualidade continuará a crescer como fonte de sabedoria e renovação. Inspirados pela Laudato Si’ e pela Laudate Deum, trabalharemos ao lado de comunidades que defendem a terra, a água e a vida, e promoveremos uma transição ecológica justa, fundamentada no cuidado, na reverência e na responsabilidade partilhada. O clamor da Terra e o clamor dos pobres permanecem indissociáveis no cerne da nossa missão.

Jovens a liderar a jornada

Neste ano de aniversário, reconhecemos com alegria a liderança dos jovens dentro da Pax Christi Internacional. Não são apenas herdeiros da nossa missão, são co-peregrinos, corresponsáveis pela construção da paz hoje. Através do Fórum de Jovens da Pax Christi Internacional, os jovens líderes de todas as regiões irão aprofundar a sua formação, moldar as nossas prioridades e amplificar a nossa mensagem nas escolas, universidades, comunidades religiosas, movimentos sociais e populares, espaços internacionais e outros grupos. A sua clareza moral, imaginação espiritual e compromisso com a não-violência dão uma nova vida e direção ao nosso movimento e são essenciais para construir pontes para o futuro.

Continuando a Peregrinação

Neste momento de incerteza global, recusamos o desespero. Inspirados pelo Ano Jubilar da Esperança, escolhemos a Esperança, não como um mero sentimento, mas como uma disciplina enraizada na fé e vivida em solidariedade. Continuaremos a construir pontes entre culturas e continentes, entre povos e nações, entre gerações e tradições. Cultivaremos parcerias com outras comunidades cristãs, com pessoas de todas as fés, não crentes e com todos aqueles que trabalham por um mundo onde cada pessoa possa viver com dignidade e paz.

Como movimento global, reafirmamos a nossa corresponsabilidade uns pelos outros e pela nossa missão. Aprofundaremos a nossa colaboração regional, reforçaremos a nossa base organizacional e investiremos nas capacidades necessárias para sustentar um testemunho visível, profético e eficaz no mundo.

Um compromisso renovado a sermos Artesãos da Paz Justa

Ao prosseguirmos a nossa jornada a partir de Florença, fazemo-lo na companhia daqueles que nos precederam e daqueles que nos seguirão. Com humildade, coragem e confiança no Deus da Paz e da Não-Violência, renovamos o nosso compromisso de sermos artesãos da paz justa, zeladores da Criação, companheiros dos vulneráveis e testemunhas ousadas da não-violência de Cristo. Inspirados também por Dilexi Te, afirmamos que o Amor é o fundamento da Paz, a medida pela qual a nossa Fé se torna credível e o nosso compromisso com a não-violência se mantém.

Que possamos permanecer fiéis às pontes que somos chamados a construir, entre comunidades, nações, povos e a Terra ferida que partilhamos.

«A paz que anunciais com a boca,
tende-a ainda mais copiosa nos vossos corações».

São Francisco de Assis (Legenda dos Três Companheiros, cap. 14)

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Dia Mundial da Paz 2023

Dia Mundial da Paz de 2023
"Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”


Na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, o Papa faz um convite a refletir sobre as lições deixadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia e indica o caminho para a paz: "É juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos."

"É hora de pararmos um pouco para nos interrogar, aprender, crescer e deixar transformar": este é o convite do Papa Francisco contido na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, celebrado no 1º de janeiro.

O tema escolhido pelo Pontífice é "Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz".

O segredo, aponta o Papa, está na palavra "juntos".

“De facto, as respostas mais eficazes à pandemia foram aquelas que viram grupos sociais, instituições públicas e privadas, organizações internacionais, unidos para responder ao desafio, deixando de lado interesses particulares."

Mas quando o mundo ainda se recuperava do trauma, eis que outro facto colocou a humanidade à dura prova: a guerra na Ucrânia. Francisco fala de "desgraça", "flagelo" que, diferentemente do Covid, foi pilotado por "opções humanas culpáveis". A guerra ceifa vítimas inocentes e as suas consequências vão além-fronteiras, como demonstram o aumento do preço do trigo e energia.

"Não era esta, sem dúvida, a estação pós-Covid que esperávamos ou por que ansiávamos", lamenta o Pontífice, definindo a guerra uma "derrota da humanidade" para a qual ainda não há vacina.

"Com certeza, o vírus da guerra é mais difícil de derrotar do que aqueles que atingem o organismo humano, porque o primeiro não provem de fora, mas do íntimo do coração humano, corrompido pelo pecado."

E vem a última pergunta: "Que fazer?"

Antes de mais nada, deixar que Deus transforme os nossos corações. E depois, pensar em termos comunitários. Não existe mais o espaço dos nossos interesses pessoais ou nacionais, mas "é hora de nos comprometermos todos em prol da cura da nossa sociedade e do nosso planeta".

E os desafios, infelizmente, não são poucos: guerras, alterações climáticas, desigualdades, desemprego, migração e o "escândalo dos povos famintos".

"Compartilho estas reflexões com a esperança de que, no novo ano, possamos caminhar juntos valorizando tudo o que a história nos pode ensinar", conclui o Santo Padre.

Adaptado de artigo de Bianca Fraccalvieri – Vatican News


Texto para ajudar a reflexão neste Dia Mundial da Paz

Arrisquemos o perigoso sonho da paz, proclamando a sua possibilidade, concebendo a cura dos conflitos que dividem o nosso mundo e dividem também os nossos próprios corações. Vamos desistir de frustrações e de uma aceitação resignada de "o mundo é assim" como uma inevitabilidade. 

Vamos tomar a sério a saudação enviada por São Paulo aos seus amigos de Corinto há quase 2.000 anos: “Que Deus, nosso Pai, e Jesus Cristo, nosso Senhor, vos deem graça e paz”. Ámen a isto! 

Mas o que significa, abraçar este dom? O que teria de mudar em nós e nos outros? Como teria de mudar o mundo para fazer isto acontecer, e como esta Paz poderia mudar o mundo?

Pode ser útil usar aqui a nossa imaginação, em vez de simplesmente enumerar os passos que nos podem levar do conflito ativo até ao fim da divisão. 

Simplesmente permitindo a possibilidade de que as nossas vidas sejam vividas sob a bandeira da graça e da paz e se tornem sinais destas mesmas duas qualidades – graça e paz – o nosso ser é mudado e o nosso destino é mudado.

E, enquanto estamos aqui, imaginemos também quais as qualidades que seriam necessárias num verdadeiro construtor da paz. Talvez o salmo 39 (40) possa ser o nosso guia. O refrão leva-nos ao ponto de partida certo: "Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade": por um lado, a capacidade de estar presente no momento, em vez de dilacerado e distraído – aqui estou; por outro lado, uma abertura de coração, um desejo de que a minha vida seja mais do que só para mim. É o que o salmista chama de "esperar no Senhor", um encontro que começa a mudar a minha forma de pensar e a minha forma de falar. "(O Senhor) Pôs em meus lábios um cântico novo, um hino de louvor ao nosso Deus". Para ser pacificadores, temos de ser pessoas cujas palavras edificam em vez de deitarem abaixo, portadores de esperança que se recusam a ceder ao cinismo preguiçoso.

O construtor da paz é também alguém que escuta: "Não Vos agradaram sacrifícios nem oblações, mas abristes-me os ouvidos". Sim, isso significa escutar a Palavra de Deus, mas significa também escutar a realidade em que vivemos, escutando especialmente o grito dos pobres e excluídos, as vozes incómodas da dor, mesmo as vozes daqueles que chamamos de "inimigos". Por que é que nos temem? Por que é que, às vezes, nos odeiam?

Antes de podermos esperar pela paz, devemos ser capazes de enfrentar qualquer sombra que impeça o nosso encontro com os nossos irmãos e irmãs num lugar de luz, seja o peso da história ou o peso de estruturas injustas (deles e nossas).

No entanto, além de ouvir, é necessário algo mais, uma vontade de defender a justiça e de falar contra a opressão. O caminho para a paz de coração, mesmo que pareça arrastar-nos para campos de conflito, é poder dizer o que confessa o antigo poeta: "Proclamei a justiça ... não fechei os meus lábios". A justiça de Deus, não a minha justiça; a visão de Deus do florescimento do mundo, não os meus pequenos planos, projetos e preconceitos.

"Se queres a paz, prepara-te para a guerra", escreveu certa vez o antigo general romano Vegetius. Mas todos os nossos preparativos para a guerra ao longo de muitas gerações não nos trouxeram paz. É hora de corrigir esse velho ditado, pelo menos para os cristãos. 

Se queres a paz, põe-te ao serviço da graça de Deus: espera no Senhor; canta o novo cântico de esperança que tem as suas raízes no Evangelho; aprende a ouvir aqueles que aprendemos a ignorar – especialmente as vozes dos pobres e excluídos, mas também os rancores dos nossos inimigos, para tentar entender melhor os nossos conflitos; e, em último caso, recusa-te a ficar calado. Fala pela justiça e contra a opressão, mas sem rancor nem ódio. Que a graça e a paz estejam no coração de tudo o que fazemos e dizemos. 

Traduzido e adaptado de 2023 Peace Sunday Liturgy Booklet, Pax Christi UK, Homily Notes – First Reflection


Proposta de atividade


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sexta-feira, 19 de junho de 2020

D. Rui Valério: Novo Presidente da Pax Christi Portugal

A 16 de junho de 2020, a Conferência Episcopal Portuguesa nomeou D. Rui Manuel Sousa Valério como Presidente da Pax Christi Portugal, para o triénio 2020-2023.


Nascido a 24 de Dezembro de 1964, em Urgueira, no Concelho de Ourém, D. Rui Valério ingressou no Noviciado da Congregação dos Missionários Monfortinos (Companhia de Maria) de São Luís Maria Grignon de Montfort, em Santaeramo-in-Colle, Itália, no ano de 1984. Um ano depois vai para Roma a fim de frequentar o curso de Filosofia, na Pontifícia Universidade Lateranense, e, em 1987, inicia a Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. Realizou entretanto a sua profissão perpétua em 6 de outubro de 1990, tendo sido ordenado presbítero, em Fátima, a 23 de março de 1991. 

No ano de 1995-96 frequentou um curso de “Espiritualidade Missionária” no Centre International Montfortain, em Leuven-Bélgica. De regresso a Portugal, em 1997, iniciou o Doutoramento em Teologia, na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

Do ponto de vista pastoral a sua ação desenrolou-se sobretudo a nível paroquial. Esteve nas Paróquias do Concelho de Castro Verde, Diocese de Beja, de 1993 a 1995 como Coadjutor, e, como Pároco, de 2001 a 2007. No Patriarcado de Lisboa foi Coadjutor na Paróquia da Póvoa de Santo Adrião (Odivelas), de 1996 a 2001 e Pároco de 2011 a 2018.

Trabalhou também no âmbito da Formação, enquanto responsável do Postulantado Monfortino de Portugal.

Entre 2008 e 2011, foi Capelão Militar na Marinha, mais propriamente na Escola Naval.

Em 2016, no Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco nomeou-o «Missionário da Misericórdia». 

Em 27 de outubro de 2018, o Papa Francisco nomeou-o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal, sucedendo a D. Manuel Linda no governo do Ordinariato Castrense. A ordenação episcopal teve lugar no dia 25 de novembro de 2018, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

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quinta-feira, 14 de maio de 2020

Encontro virtual “Boas práticas, conquistas e perspetivas de futuro a favor da paz e da não-violência”


A Pax Christi Internacional está a celebrar este ano 75 anos de existência e, não fosse a situação atual de pandemia/confinamento, estaria prestes a ter início no Japão a sua Assembleia Mundial.

Em Portugal tínhamos planeado realizar um encontro da Pax Christi no dia 16 de maio, no novo espaço onde instalámos a sede (Basílica da Estrela). Tal não sendo possível e porque não queremos adiar mais este encontro vimos convidar-vos a participar um encontro virtual a ter lugar no dia 6 de junho, entre as 15:00 e as 17:00, para conversar e refletir sobre “Boas práticas, conquistas e perspetivas de futuro a favor da paz e da não-violência”.

Reservem a data na vossa agenda e contamos com a vossa participação.

Para participar neste encontro siga o link abaixo:
https://meetingsemea11.webex.com/meetingsemea11/j.php?MTID=mca7ae14cd7cda84143dc3151c2ac0614

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domingo, 12 de abril de 2020

COVID-19: Mensagem dos co-presidentes da Pax Christi Internacional



"…em ti me refugio e me abrigo à sombra das tuas asas, até que passe o perigo". (Salmo 57,2)


Queridas irmãs e irmãos em todo o mundo.

A paz de Cristo esteja com cada um de vós novamente!

Expressamos a nossa solidariedade com todos vós, especialmente aqueles que, em Itália e outros países do mundo, foram afetados adversamente pela pandemia de coronavírus (COVID-19). Estamos particularmente preocupados com as notícias alarmantes que vêm de África. As nossas orações estão convosco de uma maneira muito especial.

O Deus que caminhou connosco até hoje chama-nos a caminharmos mais longe na fé e na confiança. Desde que esta crise sanitária começou, todos nós, temos a certeza, fomos abalados até ao âmago do nosso ser e nunca mais voltaremos a ser os mesmos. É nossa esperança e oração que todos aproveitemos esta oportunidade para refletir, como indivíduos e sociedade como um todo, sobre o que significa ser humano, ser vulnerável, ser uma comunidade global com um Criador que é Mãe e Pai de todos nós. É também um apelo para que sejamos um povo de esperança.

Durante este período da Quaresma e à sombra da pandemia de Coronavírus (COVID-19), o Mistério Pascal é para nós um ponto de partida para realmente começarmos esta reflexão. Embora não haja lugar na pousada, agora que a quarentena e o bloqueio entram em vigor em diferentes partes do mundo, que isto seja um convite para refletirmos sobre as oportunidades que tivemos e estão disponíveis para acolhermos outros nos nossos corações, na nossa casa e nos nossos países. Enquanto percorremos com Jesus o caminho para o Calvário, carregando a nossa cruz de incerteza, dor, perda, culpa, medo e agonia, recordemos também aqueles que nos ajudam a carregar esta cruz; as “Marias” que lamentam o seu sofrimento e o filho morto, as “Verónicas” que limpam o rosto daqueles que sofrem, as “Mulheres” que choram vendo o sofrimento e os moribundos e os “Simão” que ajudam os outros a carregar as suas cruzes. Rezamos de uma maneira muito especial pelos médicos e enfermeiros, todos aqueles que estão direta e indiretamente envolvidos em aliviar o sofrimento de todos os afetados por este vírus.

À medida que encontremos novas maneiras de interagir entre nós nas nossas famílias, comunidades e comunidade global durante estes tempos difíceis, que esta seja uma verdadeira lição para nós sobre o que significa ser uma família de Deus, cuidar e partilhar os recursos que Deus nos confiou como guardiões, amar a todos, independentemente de género, credo, idade, classe e seguir os passos de Jesus não-violento, que morreu e ressuscitou para que todos os povos da terra possam ter vida e tê-la em abundância (João 10,10).

Que este seja um tempo para refletirmos mais sobre o que significa ser um Povo de Esperança, que caminha com um Deus cujos planos para nós são de paz e não de desgraça, reservando-nos um futuro cheio de esperança [cf. Jeremias 29,11]. A esperança é, por vezes, difícil, quando os nossos corações estão carregados de angústia. O próprio Jesus experimentou isto na sua agonia. Lembremo-nos do testemunho do Apóstolo Paulo: “Alegro-me nas minhas fraquezas… e nas angústias sofridas por amor de Cristo, porque, quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Coríntios 12,10).

Bênçãos para cada um de vós e vossas famílias

30 de março de 2020

Bispo Marc Stenger - Ir. Teresia Wamuyu Wachira (IBVM)
(Co-presidentes da Pax Christi Internacional)

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Reflexão dos Copresidentes da Pax Christi Internacional sobre a mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia Mundial da Paz

REFLEXÃO DOS COPRESIDENTES DA PAX CHRISTI INTERNACIONAL SOBRE A MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 53º DIA MUNDIAL DA PAZ
1 DE JANEIRO DE 2020

A 52ª mensagem do Dia Mundial da Paz do Papa Francisco no ano de 2019 convidou-nos a refletir sobre o tema “A boa política está ao serviço da paz”. A mensagem do Papa era que a política, apesar de essencial à construção de comunidades e instituições humanas, pode tornar-se um meio de opressão, marginalização e até de destruição quando a vida política não é vista como uma forma de serviço à sociedade como um todo. Este ano, o tema do 53º Dia Mundial da Paz do Papa Francisco em 2020 é “A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. A reflexão sobre este tema é retratada nas seguintes seções da sua mensagem (1) A paz, caminho de esperança face aos obstáculos e provações. (2) A paz, caminho de escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade. (3) A paz, caminho de reconciliação na comunhão fraterna. (4) A paz, caminho de conversão ecológica.

Num mundo devastado por guerra e conflitos que frequentemente afetam os marginalizados e os vulneráveis da nossa sociedade, somos convidados a refletir sobre a paz como objeto da nossa esperança e aspiração de toda a família humana. A virtude da esperança inspira-nos e mantém-nos na nossa caminhada, mesmo quando os obstáculos parecem esmagadores. O Papa aborda as diferentes formas de violência que estão a dilacerar a humanidade e o seu verdadeiro significado. Ele afirma: “Na realidade, toda a guerra se revela um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana”.

A mensagem do Papa Francisco é uma mensagem muito forte, uma mensagem vocacional. Esta vocação é a dos filhos de Deus, irmãos e irmãs. Mas o Papa sublinha a “impaciência pela diversidade do outro, que fomenta o desejo de […] domínio. Nasce no coração do homem a partir do egoísmo e do orgulho, do ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro, a excluí-lo e cancelá-lo”. Ele enfatiza o facto de que a “guerra nutre-se com a perversão das relações, com as ambições hegemónicas, os abusos de poder, com o medo do outro e a diferença vista como obstáculo”. Pelo contrário, respeitando, confiando nos outros e vendo-os como filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs, podemos “romper a espiral da vingança e empreender o caminho da esperança”.

Refletindo sobre esta mensagem, temos a oportunidade de agir contra estereótipos e preconceitos de outros, dominação cultural e cegueira cultural e várias formas de exclusão experimentadas nas nossas comunidades, país e em todo o mundo devido à raça, género, credo, etnia, estatuto, orientação e idade. Mais importante, o Papa coloca algumas questões críticas para nos ajudar a refletir sobre a nossa falta de aceitação, desconfiança e medo dos outros como indivíduos e/ou comunidade. “Como construir um caminho de paz e mútuo reconhecimento? Como romper a lógica morbosa da ameaça e do medo? Como quebrar a dinâmica de desconfiança atualmente prevalecente?” Outra pergunta importante a ser feita é: como lidamos com as divisões dentro de uma sociedade, o aumento das desigualdades sociais e a recusa em empregar os meios para garantir o desenvolvimento humano integral que põe em risco a busca do bem comum? Isto exige profunda reflexão e o estímulo do Espírito Santo, que nos iluminará para que respondamos positivamente, tornando-nos artesãos da justiça e da paz.

Segundo o Papa, o mundo desenvolve um estranho paradoxo, ao mesmo tempo que busca garantir a paz “com base numa falsa segurança sustentada por uma mentalidade de medo e desconfiança, que acaba por envenenar as relações entre os povos e impedir a possibilidade de qualquer diálogo”. O clima de medo reforça a fragilidade dos relacionamentos e aumenta o risco de violência, criando círculos viciosos que nunca levam a um relacionamento pacífico. O Papa concentra-se em particular no perigo da dissuasão nuclear que “só pode criar uma segurança ilusória”. Refletindo sobre isto, o Papa Francisco adverte contra a ilusão de pensar que podemos “manter a estabilidade no mundo através do medo da aniquilação”, em vez de proteger e preservar a vida e desenvolver uma “ética global de solidariedade e cooperação ao serviço dum futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira de hoje e de amanhã”. Quão inspiradora é esta perceção do Papa Francisco de que a violência em todas as suas formas nunca levou à paz, incluindo especialmente o uso de armas de destruição em massa. A paz nunca será alcançada através da dissuasão nuclear ou de qualquer ato de violência, pelo contrário, “a paz alcança-se no mais fundo do coração humano”. Somos chamados a viver livres do medo, pois temos um Deus que nos ama, apesar das nossas fraquezas e necessidades, como ilustra a parábola do filho pródigo (Lucas 15,11-24). Portanto, na nossa busca pela paz, “pode-nos inspirar o amor de Deus por cada um de nós, amor libertador, ilimitado, gratuito, incansável”. Para quebrar essa dinâmica de desconfiança devemos, portanto, “procurar uma fraternidade real, baseada na origem comum de Deus e vivida no diálogo e na confiança mútua. O desejo de paz está profundamente inscrito no coração do homem e não devemos resignar-nos com nada de menos”.

O Santo Padre fala então da paz como um “caminho de escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade”. Refletindo sobre o horror das bombas atómicas lançadas em Hiroxima e Nagasaki em agosto de 1945 e as memórias dos Hibakusha (os sobreviventes da bomba atómica), o Papa Francisco exalta a importância de manter e preservar a memória de eventos passados. Tais memórias não devem ser apenas um lembrete para impedir que eventos semelhantes aconteçam, “mas também para que a memória, fruto da experiência, constitua a raiz e sugira a vereda para as opções de paz presentes e futuras”. Manter as memórias das vítimas vivas gera nova esperança em indivíduos e comunidades, em vez de buscar vingança, o que tende a criar mais violência. Em vista disso, convidamos cada um de nós a estudar o nosso contexto e, quando aplicável, honrar as memórias das vítimas, para que a esperança delas e a nossa possa acender-se, a fim de aproveitar a paz.

Na escuridão da guerra e da violência, uma simples mão estendida pode, às vezes, despertar novas energias e reavivar novas esperanças em indivíduos e comunidades. Abrir e traçar o caminho da paz é um desafio “complexo”, porque os interesses em jogo nos relacionamentos são múltiplos e contraditórios. Só podemos realmente alcançar a paz se buscarmos a verdade juntos “mais além das ideologias e das diferentes opiniões”. Através do diálogo e ouvindo-nos mutuamente, “podem crescer também o conhecimento e a estima do outro, até ao ponto de reconhecer no inimigo o rosto dum irmão”. O processo de paz é um compromisso de longo prazo. O Papa insiste que “o mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações”. O Santo Padre desenvolve então o papel da democracia, que pode ser “um paradigma significativo deste processo”. Também adverte contra sociedades fraturadas, nas quais “o aumento das desigualdades sociais e a recusa de empregar os meios para um desenvolvimento humano integral colocam em perigo a prossecução do bem comum”. Cabe à Igreja e às suas organizações participar no serviço deste bem comum, através da transmissão de valores cristãos, ensino moral e obras de educação social.

Na terceira parte de sua mensagem, o Papa refere-se à Bíblia, onde muitas passagens mostram que o outro nunca deve estar fechado no que tem de dizer ou fazer, mas deve ser considerado de acordo com a promessa que carrega dentro de si. O Papa Francisco convida-nos a respeitar, perdoar, reconciliar. Chama-nos a refletir sobre o poder do perdão, conforme ensinado por Jesus Cristo (Mateus 18,21-22) - perdoar “setenta vezes sete”. Aprendemos a viver no perdão para que possamos aumentar “a nossa capacidade de nos tornarmos mulheres e homens de paz” e oferecer essa paz aos homens e mulheres do nosso tempo.

O Santo Padre invoca uma comunhão fraterna em cada área da existência, social, económica e política. Ao fazer isso, imitamos Cristo, que foi o primeiro reconciliador através de sua morte na cruz “estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz” (Colossenses 1,20). Nesta mensagem para o Dia Mundial da Paz, somos lembrados que para aqueles que seguem a Cristo, o caminho para a paz é sustentada pelo sacramento da reconciliação que renova indivíduos e comunidades. Este é um caminho que exige paciência e confiança, ouvindo-nos uns aos outros e contemplando o mundo que Deus deu para ser a nossa casa comum e o das gerações vindouras.

Nesta mensagem de paz, o Papa também nos convida a refletir sobre a “conversão ecológica” como forma de construir a paz. Assim, cada um de nós é desafiado a examinar a nossa atitude exploradora, dominadora, abusiva e egoísta em relação ao meio ambiente e aos recursos que o nosso Criador nos confiou como guardiães. Esta é também uma reflexão sobre a maneira como tratamos os outros, especialmente os marginalizados e vulneráveis. Somos, portanto, convidados a percorrer o caminho da “conversão ecológica”, de modo a respeitar e nutrir a Terra e tudo o que nela vive, inclusive a vida humana. Por meio da conversão ecológica desafiamo-nos a nós mesmos e aos outros a uma nova maneira de encarar a vida, enquanto apreciamos a generosidade de Deus para connosco por nos dar e compartilhar a terra. Isto exige uma mudança de atitude e transformação na maneira como nos relacionamos com o Criador, que é a origem e fonte de toda a vida, com os outros e com a criação de Deus em toda a sua rica variedade. Assim, como refere o Papa: “temos necessidade duma mudança nas convicções e na perspetiva, que nos abra mais ao encontro com o outro e à receção do dom da criação, que reflete a beleza e a sabedoria do seu Artífice”. Além disso, refletindo sobre a recente visita do Papa à Região Pan-Amazónica e a sua reflexão sobre essa visita, o apelo que nos é feito é o de procurar trabalhar para o relacionamento pacífico entre as comunidades e a terra, entre o presente e o passado, entre a experiência e a esperança. O Papa Francisco também nos convida a encontrar novas maneiras de viver juntos, celebrando e partilhando a vida com outros, além de respeitar e apreciar a Terra como a nossa casa comum.

Finalmente, o Papa volta ao tema com que abriu o texto, o da “esperança". “Não se obtém a paz, se não a esperamos”, enfatiza o Papa Francisco, que designa a paciência e a confiança como apoios. E continua a explicar. Em primeiro lugar, isto significa acreditar na possibilidade da paz, acreditar que os outros precisam da paz tanto como nós. Aqui podemos encontrar inspiração no amor que Deus tem por cada um de nós; amor que é libertador, ilimitado, gratuito e incansável.

Que todos nós, nos cinco continentes – velhos e jovens, mulheres e homens, todos criados à imagem e semelhança de Deus – possamos “conhecer uma existência de paz e desenvolver plenamente a promessa de amor e vida que traz em si”. À medida que continuamos a servir nos nossos diferentes contextos e capacidades; que avançamos nas quatro áreas de intervenção da Pax Christi Internacional: (1) Não-violência como estilo de política da paz; (2) Tratado de proibição de armas nucleares: (3) Indústrias Extrativas na América Latina; (4) Processo de paz Israel-Palestina renovado; e na expectativa de comemorar o 75º aniversário da Pax Christi Internacional em maio de 2020 em Hiroxima, que a inspiração desta mensagem deste Dia Mundial da Paz de 2020 continue a ser o ímpeto que nos conduz. Que continuemos a trabalhar por um mundo onde todos experimentarão igualdade e justiça social; onde “o outro” já não é tratado como um inimigo, mas como um amigo, onde as espadas serão transformadas em arados, onde a criação de Deus será nutrida e respeitada e todos se reunirão em gratidão ao Criador de todos nós.

Que o Criador de novos começos caminhe suavemente com cada um de vós e traga a paz para vós e as vossas famílias neste novo ano de 2020. Ao criarem culturas de paz no vosso dia-a-dia, que possam experimentar paz, alegria e esperança.

Bispo Marc Stenger (Bispo de Troyes, França) | Irmã Teresia Wamuyu Wachira, IBVM (Quénia)

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domingo, 1 de dezembro de 2019

Fazei desabrochar a Paz... Reflexões para o Advento 2019 - Apresentação


Fazei desabrochar a Paz...

APRESENTAÇÃO


A paz – afirmou o Papa Francisco, na sua mensagem para a celebração do 52º Dia Mundial da Paz –, «é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência». E, como recordou às autoridades civis moçambicanas, em Maputo, a 5 de setembro de 2019, «a busca da paz duradoura – uma missão que envolve a todos – exige um trabalho árduo, constante e sem tréguas».

Neste sentido, é nossa convicção que a educação para a paz e a não-violência assume, sem dúvida, uma tarefa importante e fundamental para a promoção e consolidação de uma cultura da paz e não-violência nesta nossa casa comum. Ela permitirá fazer desabrochar essa “flor frágil”, continuamente ameaçada, que é a paz, na medida em que as sementes de paz que “formos plantando”, mesmo em ambientes inóspitos, farão florescer o amor, a esperança e a alegria. E esta tem sido uma preocupação e um dos princípios fundamentais de ação da secção portuguesa da Pax Christi, Movimento Católico Internacional para a Paz, desde o seu início, nos anos 1980.

A este propósito, numa recente publicação conjunta (Educação para a paz num mundo multirreligioso: Perspetiva Cristã), o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Conselho Mundial de Igrejas, afirmam: «A educação para a paz torna-se um imperativo no nosso contexto atual, caracterizado pela perda da vida humana, destruição de lares, propriedades e infraestruturas, pelas crises migratórias e de refugiados, pelo impacto no meio ambiente, bem como a traumatização de gerações inteiras e o uso de recursos finitos para abastecer o stock de armas à custa da educação e do desenvolvimento. A nossa tarefa torna-se ainda mais importante no contexto da crescente visibilidade da violência nos meios de comunicação social, que pode fomentar o medo e o ódio».

É neste espírito que propomos estas reflexões para viver o Advento de 2019, seja na paróquia, em família ou em grupo, a partir de textos selecionados do documento do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e do Conselho Mundial de Igrejas, atrás citado, que realça o papel fundamental que a educação pode desempenhar na promoção de uma cultura da paz.

Esta proposta está enraizada na convicção de que todos podemos ser educadores para a paz e de que a educação para a paz e a não-violência é missão de todos, nomeadamente dos cristãos.

É nossa expectativa que estas reflexões para o advento sejam um incentivo a que cada um assuma o compromisso de promover, pelo menos, uma ação de educação para a paz no próximo ano.

Há inúmeras possibilidades: em família, na paróquia, na escola, no grupo, seja em ambientes online ou offline, pode promover uma campanha de educação/promoção da paz e da não-violência. Pode abordar o tema da paz em geral ou escolher temáticas específicas, como, por exemplo, Paz e diálogo inter-religioso, Paz e emergência climática, Viver a paz em sociedades multiculturais…

Contacte a Pax Christi se quiser ajuda, e partilhe connosco a sua iniciativa.

Novembro de 2019

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Pax Christi International lança "A Europa que queremos", um manifesto sobre as eleições de Maio do Parlamento Europeu

Manifesto Europeu: “A Europa que queremos”
3 de abril de 2019

Por ocasião da eleição dos membros do Parlamento Europeu (23-26 de maio de 2019), a Pax Christi International e vários dos seus membros nacionais publicam o seguinte manifesto que encoraja os candidatos e cidadãos a escolher um projeto europeu renovado baseado na solidariedade, na fraternidade e na paz.

I. A Europa em que acreditamos

1. A “Europa” é um projeto de paz único que existe há mais de 70 anos. Quando começou após a Segunda Guerra Mundial, o “projeto europeu” foi construído sobre dois pilares paralelos: um era o controlo conjunto dos recursos de guerra, nomeadamente através da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1951); a outra era a promoção e proteção dos direitos humanos como um meio significativo para prevenir a guerra entre nações europeias, através da criação do Conselho da Europa (1949). Em seguida, foram estabelecidas a Convenção Europeia dos Direitos do Homem (1950) e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (1959).

2. Desde então, foram desenvolvidas metodologias para a cooperação europeia, trazendo paz e prosperidade de modo inigualável a todo o nosso continente. A Comunidade Europeia do Carvão e do Aço de 6 expandiu-se para uma União Europeia de 28 e os países que estão vinculados pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos são hoje 47. Todos os europeus partilham os mesmos direitos e liberdades fundamentais, a paz foi amplamente mantida em todo o continente, e declarar a guerra contra outro Estado europeu é agora simplesmente impensável. Além disso, contribuições cruciais foram feitas para a resolução de conflitos e a construção da paz noutros continentes.

3. Mas estas conquistas não acontecem sem falhas: a prosperidade não é partilhada de modo igual, os direitos humanos ainda são violados e a solidariedade é desafiada. Durante os 70 anos de paz, os conflitos armados reapareceram no continente europeu e a corrida armamentista que tinha sido revertida após o colapso da União Soviética recomeçou, com vários países europeus a desempenhar um grande papel nela como produtores e comerciantes de armas sofisticadas. As exportações de armas dos Estados-Membros da UE representam cerca de um quarto do total das exportações mundiais, causando devastação em todo o mundo.

4. O afluxo de imigrantes provocou apreensão e medo nas sociedades europeias. Sentimentos de insegurança minaram a confiança que as pessoas tinham na Europa como um projeto de paz e segurança. Alguns cidadãos prefeririam que a Europa erguesse muros como forma de bloquear esse afluxo; associam os imigrantes ao terror e ao possível desaparecimento da sua identidade, cultura e valores tradicionais. Políticos com programas nacionalistas e populistas rejeitam a ideia de diversidade e cooperação europeia, em vez de permanecerem abertos e tolerantes e de enfrentar os desafios europeus de forma conjunta, como é necessário.

5. Nós, as organizações da Pax Christi ligadas ao movimento de paz católico em toda a Europa, reiteramos a nossa fé no projeto europeu:

• Sim, a “Europa” ainda é muito necessária para alcançar os objetivos de paz, prosperidade e sustentabilidade num mundo abalado por desigualdades, conflitos, mudanças climáticas catastróficas e desequilíbrios geopolíticos;

• Sim, a “Europa” deve permanecer um farol de esperança e humanidade para todos os que foram despojados da sua dignidade e direito a condições de vida dignas, e

• Sim, a “Europa” tem os recursos e a coragem para se adaptar a um mundo em mudança sem renegar os seus valores fundamentais, como o respeito pela dignidade humana, a democracia e os direitos humanos.

6. Por conseguinte, acreditamos que estes princípios fundamentais devem ser novamente colocados no âmago do projeto europeu e que as próximas eleições do Parlamento Europeu, a realizar em 23-26 de Maio de 2019 nos Estados-Membros da EU, constituem o momento certo para todos aqueles que acreditam numa Europa unida se mobilizarem para a apoiar.

7. Instamos os nossos membros e concidadãos europeus a terem uma visão crítica dos programas e manifestos dos partidos políticos europeus e candidatos individuais às eleições para o Parlamento Europeu, com vista a escolher aqueles que apoiam a Europa como um projeto de paz. A vossa voz será crucial, uma vez que as eleições para o Parlamento Europeu de 2019 serão disputadas sobre questões muito importantes da Europa e poderão constituir a eleição mais decisiva até agora sobre o futuro da Europa.

II. A Europa como um projeto de paz

8. A Europa tem a força, a experiência e os recursos para desempenhar um papel ativo, forte e construtivo nas questões mundiais. É um parceiro económico de confiança, possui uma moeda sólida e possui legislação social modelar e diplomatas hábeis que podem liderar a população através das mudanças necessárias para um mundo sustentável. O nosso movimento está convencido de que estas capacidades permitem alcançar as metas de bem-estar, prosperidade e segurança sem significativos esforços militares. Em vez de estar a gastar enormes quantias num recém-criado “Fundo Europeu de Defesa”, a UE deveria investir os seus recursos em:

i. Integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em todas as políticas internas e externas e torná-los numa estratégia abrangente.

ii. Manter o aumento da temperatura da Terra abaixo de 1,5° C através de políticas de limitação corajosas e socialmente responsáveis dentro das fronteiras da Europa, bem como nos países pobres e em desenvolvimento que estão igualmente expostos às mudanças climáticas, em conformidade com o Acordo de Paris sobre o clima.

iii. Desenvolver uma cultura de paz e não-violência em áreas dominadas por conflitos promovendo o desenvolvimento económico, social e sustentável, iniciativas de justiça e construção da paz, e ações de formação e educação para a paz.

iv. Promover e garantir o desarmamento nuclear, incluindo a assinatura e ratificação, por parte dos Estados europeus, do Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, que foi adotado na ONU.

v. Garantir que os Estados adiram rigorosamente ao Tratado de Comércio de Armas. A UE precisa de reforçar ainda mais os critérios europeus para as exportações de armas, sendo necessária maior transparência e obrigação de apresentação de relatórios uniformes para os Estados, nomeadamente através da responsabilização pelas exportações impugnadas.

vi. Participar de forma ativa e construtiva nas negociações para um forte Tratado das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos que possa fazer justiça às vítimas de violações dos direitos humanos, incluindo através da criação de provedores de justiça europeus.

III. A Europa como um farol de justiça

9. No espírito da Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), foram estabelecidos a Convenção Europeia dos Direitos do Homem (1950) e o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (1959); eles devem ser salvaguardados a todo o custo. Inspiraram outros mecanismos a nível internacional e foram complementados na UE pela Carta dos Direitos Fundamentais (2000), pelas disposições em matéria de direitos humanos no Tratado de Lisboa (2009) e pela jurisprudência do Tribunal de Justiça Europeia (desde 1952). Nestes tempos, em que os direitos humanos e os seus defensores estão sob pressão, a UE deve fazer mais para os apoiar:

i. Confirmando inequivocamente a sua concordância com a Convenção Europeia dos Direitos do Homem, retomando os procedimentos de adesão à mesma.

ii. Reforçando as capacidades da Agência dos Direitos Fundamentais da UE para aumentar a sensibilização para a Carta dos Direitos Fundamentais da UE e outros instrumentos em matéria de direitos humanos, e para monitorizar o seu cumprimento na Europa através de trabalho político e de investigação.

iii. Aperfeiçoando a proteção mundial dos defensores dos direitos humanos, em conformidade com a Declaração das Nações Unidas sobre os Defensores dos Direitos Humanos (1998), as Diretrizes da UE sobre os Defensores dos Direitos Humanos (2008) e a recomendação do Conselho da Europa sobre a necessidade de reforçar o espaço da sociedade civil (2018).

iv. Regulamentando as atividades de lobbying no seio das instituições da UE e nos Estados-Membros, em conformidade com a recomendação do Conselho da Europa em matéria de lobbying no contexto do processo público de decisão (2017).

v. Promovendo um sistema mais forte para lidar com a legislação restritiva sobre as ONG, tanto dentro como fora da Europa, e pronunciando-se contra tais práticas, com o fim de apoiar a sociedade civil.

IV. A Europa como terra de humanidade

10. Em 1950, a ambição da unidade europeia era garantir a paz através da prosperidade partilhada, dentro e fora das suas fronteiras. A migração intercontinental hoje é uma realidade que requer uma resposta coletiva europeia baseada na solidariedade, no respeito pelos direitos humanos e na justiça, e políticas efetivas de integração socioeconómica. Os Estados-Membros da UE devem reforçar a sua cooperação em matéria de migrações com o fim de:

i. Renegociar a regulamentação de Dublin com o objetivo de tornar os processos de pedidos de asilo mais justos e rápidos, com pleno respeito pelos direitos e pelo melhor interesse das crianças e com especial atenção para os menores não acompanhados.

ii. Implementar ativamente o Pacto Global das Nações Unidas para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, que foi adotado em Marraquexe (Marrocos) em 10 de dezembro de 2018 como um quadro de referência importante para a cooperação internacional.

iii. Adotar legislação sobre "vistos humanitários", dada a necessidade de per-cursos legais e seguros para a Europa para os civis que fogem da guerra e das zonas de conflito.

iv. Resistir à criminalização de atos de solidariedade por parte da sociedade civil e desafiar medidas questionáveis para restringir o acesso à proteção social por parte de refugiados, requerentes de asilo e migrantes.

v. Adotar legislação e práticas que permitam aos refugiados, requerentes de asilo e migrantes estabelecerem-se, adaptarem-se e enriquecerem as próprias sociedades que lhes proporcionam abrigo, em conformidade com os valores e normas dos países de acolhimento, conforme estabelecido pela Convenção Europeia dos Direitos Humanos e outros instrumentos de direitos humanos.

V. A Europa como continente com futuro

11. A Europa é um projeto para os seus cidadãos e para todos os que nela vi-vem. Deve oferecer oportunidades para suas crianças e jovens através de políticas educativas, vocacionais e laborais apropriadas, que incluam aprender a viver em paz, a respeitar o pluralismo e a fazer da diversidade uma vantagem numa sociedade multicultural. Isto inclui oportunidades de intercâmbio e de aprendizagem com crianças e jovens de outros continentes para aumentar a compreensão intercultural. A Europa deve continuar os seus investimentos nas presentes e futuras gerações mediante:

i. Gastar mais fundos em projetos de intercâmbio internacional, como o “Erasmus +”, para jovens europeus estudarem, formarem-se ou aprenderem no estrangeiro, em consonância com a proposta da Comissão Europeia para duplicar as dotações com o próximo orçamento da UE e, especialmente, na educação e formação para a paz e a não-violência.

ii. Adotar políticas e ações que promovam a educação para os direitos humanos e a democracia, compreensão mútua, tolerância e respeito pela diversidade, utilizando os resultados e lições aprendidas pelo Conselho da Europa.

iii. Investir em proteger e tornar acessível a todos, especialmente às jovens gerações, a sua herança cultural como meio de compreender a natureza múltipla das suas raízes históricas, culturais e espirituais.

VI. A Europa em que acreditamos e pela qual trabalhamos

12. “A Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem em primeiro lugar uma solidariedade de facto.” Estas palavras de Robert Schuman ainda são verdadeiras quase 70 anos depois de terem sido pronunciadas (9 de maio de 1950). A Europa ainda está incompleta e permanecem muitos desafios, mas as suas conquistas são imensas. Seria tolice não as reconhecer. No entanto, não podemos aceitar que um projeto tão generoso – paz, solidariedade, participação – seja interrompido por causa do medo: medo do futuro desconhecido, medo da diversidade da humanidade que bate à nossa porta, medo de um desastre ecológico iminente.

13. Acreditamos que a Europa é a única resposta aos imensos desafios dentro das nossas fronteiras e fora delas. Mais do que nunca, o futuro da Europa está em jogo. Enquanto populistas e nacionalistas estão a fazer ouvir a sua voz no período que antecede as eleições para o Parlamento Europeu, vamos agir e convencer as pessoas a participarem nas eleições e apoiarem a Europa que queremos: uma Europa pacífica, fraterna e voltada para um futuro para todas as mulheres e todos os homens de boa vontade.


- O manifesto está disponível em PDF aqui.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Declaração da Pax Christi Internacional a propósito do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Today marks the 70th anniversary of the Universal Declaration on Human Rights (UDHR), which was adopted by the UN General Assembly on 10 December 1948. A milestone document, it enumerated, for the first time, a universal core of human rights that, as agreed upon, guaranteed the fundamental rights of every individual. The declaration is an essential component to our present-day foundation of human rights protection. For 70 years, the UNDR has served as a roadmap for the advancement of human rights around the world.

The promotion and the protection of human rights, such as those recognised in the UDHR, are at the very heart of Pax Christi International’s work as a global peace and nonviolence movement. Through activities grounded in the belief of the power of nonviolence, our member organisations and partners educate people and communities about their human rights, promote services to ensure that their human rights will be met, and cooperate with - as well as pressure - decision-makers to respect and advance human rights through their actions. The UDHR has truly served as a catalyst for human rights advancement at the local, national, regional and international level benefiting many of the people and communities with whom we work.

Pax Christi International believes that this anniversary should serve not only as a moment to celebrate the achievements of the UDHR but also as a pivotal time to examine the current challenges for its implementation. We have become acutely aware from our partners and friends that human rights and those who seek to protect them are increasingly under attack. The tireless guardians of these universal rights are faced with a shrinking space in which to do their work. Yet despite these challenges, we remain hopeful because human rights defenders, environmental and disarmament activists remain steadfast in their nonviolent struggle for human rights. [+]

Pax Christi Internacional

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

ADVENTO 2018: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018

A nossa geração vai ter de se arrepender não apenas das odiosas palavras e ações dos maus, mas também do confrangedor silêncio dos bons. (MARTIN LUTHER KING, JR., Carta da prisão de Birmingham, 16 de abril de 1963)


A 11 de novembro assinalou-se o centenário do fim da I Guerra Mundial (1914-1918), uma guerra que resultou em vários milhões de mortos e feridos. A propósito desta efeméride o Papa Francisco afirmou: «A página histórica do primeiro conflito mundial é, para todos, uma severa advertência para refutar a cultura da guerra e procurar todos os meios legítimos para pôr fim aos conflitos que ainda ensanguentam várias regiões do mundo. Parece que não aprendemos». E, depois de pedir orações pelos milhões de vítimas «daquela imensa tragédia», lançou um repto: «apostemos na paz, não na guerra!».

Este nosso mundo, contudo, parece não ter aprendido a lição: apesar de já ter passado por duas Grandes Guerras, que fizeram milhões de vítimas, continua a apostar na guerra como meio legítimo para pôr fim aos conflitos.

Apostar na paz é o caminho! Contudo, como afirmou o Papa Francisco em Amã (Jordânia, 24.05.2014), «a paz não se pode comprar, não está à venda. A paz é um dom que se deve buscar pacientemente e construir “artesanalmente” através dos pequenos e grandes gestos que formam a nossa vida diária». O nosso mundo tem necessidade, por isso, de quem lhe leve e testemunhe a paz. Este nosso tempo, continuamente ameaçado pela violência multifacetada, precisa de quem lhe indique o caminho para construir a paz; «precisa de obreiros de paz e de pessoas livres e libertadoras, pessoas corajosas que saibam aprender do passado para construir o futuro sem se fechar nos preconceitos; precisa de construtores de pontes de paz, de diálogo, de fraternidade, de justiça e de humanidade».

A exemplo de Jesus Cristo, que cheio do Espírito do Pai, «veio anunciar a boa nova da paz» (Efésios 2,17), também nós, seus discípulos, ungidos pelo mesmo Espírito, que «ungiu interiormente Jesus, e unge os discípulos para que tenham os mesmos sentimentos de Jesus e possam, assim, assumir na sua vida atitudes que favoreçam a paz e a comunhão (…), somos enviados como mensageiros e testemunhas de paz» a este mundo que tanta necessidade tem «de nós como mensageiros de paz, como testemunhas de paz!».

É neste espírito que propomos este itinerário, pautado por textos selecionados de testemunhas de paz contemporâneas portuguesas, para celebrar e viver o Advento de 2018, seja na paróquia, em família ou em grupo, tendo como ideia central a temática da Paz.

Neste tempo litúrgico em que, em piedosa e alegre expectativa, alimentada pela oração e pelo compromisso efetivo do amor feito serviço, nos preparamos para acolher o Deus que, na fragilidade de um Menino, vem ao nosso encontro como «a paz» (cf. Efésios 2,14; Isaías 9,6), deixemo-nos interpelar pelas testemunhas de paz que nos instigam «a sair da mediocridade tranquila e anestesiadora», a deixar de ser espetadores e passar a ser protagonistas da História. Levemos a paz ao mundo. Testemunhemos a paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus!

Novembro de 2018

Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018 está disponível para impressão aqui.

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Acolher os migrantes e os refugiados: Caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 51º Dia Mundial da Paz

No âmbito da celebração do 51º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco convida-nos a refletir sobre o tema "Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz".

Pretendendo contribuir para a celebração deste dia dedicado à paz, um direito humano fundamental, que é dom de Deus e, ao mesmo tempo, projeto humano em realização, a Pax Christi Portugal produziu a brochura "Acolher os migrantes e os refugiados: Caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 51º Dia Mundial da Paz".

Dela fazem parte uma seleção de textos para ajudar a aprofundar a mensagem do Papa Francisco, uma coletânea de orações, assim como sugestões para atividades para assinalar o dia e usar o tema durante todo o ano de 2018...

Pode descarregar a brochura em dois formatos para impressão: Livro dobrado ou A5 simples.

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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

STATEMENT: Pax Christi International calls upon UN Security Council members to strongly oppose the US government's decision to recognize Jerusalem as the capital of Israel

Pax Christi International is appalled by the decision of U.S. President Trump, on 6 December 2017 (1), to recognise Jerusalem as the capital of Israel as well as to start the process of moving the U.S. embassy there. We are very concerned about the devastating consequences it will have for reaching a just resolution to the long-standing Israeli-Palestinian conflict.

In line with the EU, the UN and governments around the world, we condemn this unilateral decision by the U.S. government which violates international law and is detrimental to any Israeli-Palestinian peace effort. We call upon UN Security Council members to strongly oppose this decision in the emergency meeting that is expected to take place on 8 December 2017 at the UN in New York.

We recall that in UN Resolution 181 (2), the international community, including the U.S., decided that Jerusalem should have special status, given its pluralistic and religious importance. With its latest decision, the U.S. government is departing from the foreign affairs policies of governments around the world which respect the ‘status quo’ of Jerusalem.

Pax Christi International also wants to highlight that with UN resolution 478 (3), which followed the enactment of "basic law" in the Israeli Knesset proclaiming a change in the character and status of the Holy City of Jerusalem (annexation of East-Jerusalem), all states are obliged to have their embassies in Tel Aviv.

Pax Christi International urges respect of the ‘status quo’ as any change should be the outcome of Israeli-Palestinian negotiations. A letter from the Patriarchs and Heads of Local Churches in Jerusalem to President Trump states, “We are certain that such steps will yield increased hatred, conflict, violence and suffering in Jerusalem and the Holy Land moving us farther from the goal of unity and deeper toward destructive division." (4)

We are convinced that the decision of the U.S. government is an international threat to peace and security in the Middle East region and the world. We welcome the request of eight UN Security Council Member States (5) to schedule an emergency meeting to discuss the decision. We ask the UN Security Council members to take the following action:
  • To strongly condemn the decision of the U.S. government as a violation of international law and UN resolutions and to demand the continued recognition of the present international status of Jerusalem.
  • To reaffirm the position taken by UN Security Council Resolution 2334 (6), in 2016, that it will not recognize any changes to the 4 June 1967 boundaries, including in regard to Jerusalem, other than those agreed by the parties through negotiations.
  • To confirm its determination to support the Israelis and Palestinians to reach a just and sustainable solution, guaranteeing the fundamental rights of both Israelis and Palestinians.
  • To consider, as a possible solution, the reunification of the city of Jerusalem by recognising two legal, political parts, each with its own political capital, working to ensure equal rights for all.
  • To protect and preserve the unique religious interests of the city: the three great monotheistic faiths of Christianity, Judaism and Islam.
Pax Christi International welcomes the recent statement of Pope Francis during his General Audience in Paul VI Hall on 6 December 2017 in which he called for the maintenance of the “status quo” of Jerusalem:

“Jerusalem is a unique city, sacred to Jews, Christians, and Muslims, where the Holy Places for the respective religions are venerated, and it has a special vocation to peace. I pray to the Lord that such identity be preserved and strengthened for the benefit of the Holy Land, the Middle East and the entire world, and that wisdom and prudence prevail, to avoid adding new elements of tension in a world already shaken and scarred by many cruel conflicts.” (7)

Brussels, 7 December 2017

____________

1. His statement can be found on the website of the Whitehouse: https://www.whitehouse.gov/the-press-office/2017/12/06/statement-president-trump-jerusalem

2. UN Security Council Resolution 181, 29 November 1947, A/RES/181(II), online available at: https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/7F0AF2BD897689B785256C330061D253

3. UN Security Council Resolution 478, 20 August 1980, S/RES/478 (1980), online available at: https://unispal.un.org/DPA/DPR/unispal.nsf/0/DDE590C6FF232007852560DF0065FDDB

4. Patriarchs and Heads of Local Churches in Jerusalem, letter of 6 December to USA President Donald Trump, online available at: https://www.lpj.org/heads-local-churches-send-letter-to-president-donald-trump-regarding-status-of-jerusalem/

5. Bolivia, Britain, Egypt, France, Italy, Senegal, Sweden and Uruguay

6. UN Security Council Resolution 2334, 23 December 2016, S/RES/2334 (2016), online available at: http://www.un.org/webcast/pdfs/SRES2334-2016.pdf

7. Zenit, ‘Jerusalem: Pope Urges Status Quo’, 6 December 2017, online available at: https://zenit.org/articles/jerusalem-pope-urges-status-quo

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Highlights from the Pax Christi delegation to the Vatican conference on nuclear disarmament

On 10-11 November 2017, Pax Christi International sent a delegation to attend a high-level international conference on disarmament in Rome sponsored by the Vatican.

This conference, “Prospects for a World Free from Nuclear Weapons and for Integral Disarmament” was a unique opportunity for civil society, church leaders, Vatican representatives, policy makers and others to discuss the next steps toward freeing the world of nuclear weapons as part of integral human development. Below are highlights from the delegation's participation in the conference.

Media coverage

Pax Christi Internacional

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sábado, 18 de novembro de 2017

ADVENTO 2017: Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017

Vivemos num mundo em que a violência parece algo intrínseco ao modo como a sociedade moderna se organiza e se desenvolve.

Presente e evidente, mas também escondida e latente, nos mais diversos sectores da vida social (família, escola e sociedade), a violência pode-se expressar de maneiras diferentes e a variados níveis: marginalização e opressão, conflitos militares e terrorismo, alterações climáticas e degradação ambiental, desigualdade e pobreza, e agressão interpessoal.

Qual o caminho a seguir para superar este problema omnipresente no quotidiano contemporâneo? Responder à violência com violência? No entanto, e ao contrário do que “o mundo” nos pretende fazer crer, a violência gera sempre mais violência, como a história o tem demonstrado, e tudo o que se obtém com essa atitude, como alerta o Papa Francisco, é «desencadear represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos “senhores da guerra”» e não uma paz justa e sustentável.

É utópico pensar que o recurso à violência possa ajudar a resolver os problemas que a humanidade enfrenta actualmente a nível global: «A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado», adverte o Papa.

É, pois, premente enveredar por um caminho diferente, que a uma espiral de violência e de destruição oponha uma espiral de reconciliação e de vida. Esse caminho é o da não-violência activa e criativa. Escolhê-lo e seguir por ele, no dia-a-dia das nossas vidas, foi o desafio que nos lançou o Papa Francisco na sua mensagem para a celebração do 50º Dia Mundial da Paz, a 1 de Janeiro de 2017 (Cf. PAPA FRANCISCO, A não-violência; IDEM, Discurso por ocasião da apresentação das Cartas Credenciais de alguns embaixadores, 15 de dezembro de 2016).

E porque este foi o caminho trilhado pelo próprio Jesus Cristo (Cf. PAPA FRANCISCO, A não-violência, n. 3 e 6), para os cristãos seguir por ele torna-se um imperativo: «Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência» (PAPA FRANCISCO, A não-violência, n. 3. Cf. PAPA BENTO XVI, Angelus, 18 de Fevereiro de 2007).

Neste mesmo sentido, a convite do Conselho Pontifício Justiça e Paz, da Pax Christi Internacional e de muitas outras organizações católicas internacionais, 85 pessoas de todo o mundo, muitas das quais provenientes de países que estiveram em guerra ou que lidavam com violência grave há décadas, reuniram-se em Roma, de 11 a 13 Abril de 2016, para reflectir sobre “Não-violência e Paz Justa: Contributo para a compreensão e compromisso católicos com a não-violência”.

Do documento final dessa conferência, “Um apelo à Igreja Católica a com-prometer-se de novo com a centralidade da não-violência evangélica”, foram retirados os textos para esta brochura que a Pax Christi Portugal, como tem vindo a ser costume, preparou para o tempo de Advento, com contributos para a sua celebração e vivência seja na paróquia, em família ou em grupo, tendo como ideia central a temática da Paz.

Neste tempo litúrgico em que, em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efectivo do amor feito serviço, nos preparamos para acolher o Deus que vem ao nosso encontro como «Menino inerme para vencer a soberba, a violência e a ambição de posse do homem» (PAPA BENTO XVI, Audiência Geral, 23 de Dezembro de 2009) dediquemo-nos activamente a promover um novo estilo de vida que rejeite a violência em todas as suas formas e respeite a pessoa humana e a nossa casa comum: Façamos da não-violência o nosso estilo de vida!

Novembro de 2017

Percorramos o caminho da não-violência… Contributos para a celebração do Advento 2017 está disponível para impressão aqui.

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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Eucaristia em memória de D. Manuel Martins, 1º Presidente da secção portuguesa da Pax Christi

Terá lugar no próximo dia 18 de Outubro, 4ª-feira, às 19:00 horas, na igreja de Santa Isabel, em Lisboa, uma celebração da Eucaristia em memória do 1º Presidente da secção portuguesa da Pax Christi, D. Manuel Martins, falecido no passado dia 24 de Setembro.

Esta celebração será presidida pelo bispo D. Manuel Linda, actual Presidente da Pax Christi Portugal.

Convidamos a estar presentes todas as pessoas que desejem participar, de modo especial os antigos e actuais membros e amigos da Pax Christi.

A Direcção da Pax Christi Portugal

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Presidente da República condecora D. Manuel Martins pela vida de «serviço aos outros» e ao «Evangelho da libertação»

Lisboa, 05 out 2017 (Ecclesia) – O presidente da República condecorou hoje, a título póstumo, D. Manuel Martins com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade para distinguir uma vida de “serviço aos outros” e ao “Evangelho da libertação”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que se trata de um “galardão merecido por uma vida de serviço aos outros, em particular os mais sacrificados e sofredores na sua diocese durante um quarto de século”.

O presidente da República sublinhou a “coragem” a “disponibilidade” de D. Manuel Martins e a sua “capacidade de doação e de aceitação do imperativo ético e religioso de viver o evangelho da libertação”.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu na cerimónia de entrega das insígnias da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade a D. Manuel Martins que tinha intenção de atribuir a mesma Ordem há um ano.

“Só o não fiz em homenagem à primazia que entendi devida ao seu mestre, Senhor D. António Ferreira Gomes”, lembrou o presidente da República, que condecorou o antigo bispo do Porto no dia 25 de abril último.

As insígnias da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade foram entregues ao sobrinho de D. Manuel Martins, Arnaldo Cerqueira, numa cerimónia que distinguiu também António Barreto e, a título póstumo, Maria de Lurdes Pintassilgo. (Mais...)

Agência Ecclesia

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D. Manuel Martins (1927-2017)


Agência Ecclesia

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

D. Manuel Martins (1927-2017): Anunciador do Evangelho da justiça, da paz e do amor

Foi com tristeza que tivemos conhecimento do falecimento de D. Manuel Martins, bispo de Setúbal entre 1975 e 1998, e primeiro presidente da secção portuguesa da Pax Christi.

D. Manuel Martins acompanhou, com entusiasmo e carinho, a criação e desenvolvimento da Pax Christi em Portugal, tendo sido um grande impulsionador do nosso trabalho e compromisso com a Paz. Tinha sempre uma palavra de incentivo e atenção que não nos deixava desistir ou esmorecer, acompanhando e participando no trabalho desenvolvido, nomeadamente, na defesa dos Direitos Humanos, na luta pela paz em Timor Leste, nas ações de educação a favor da paz e da justiça, no desenvolvimento do diálogo ecuménico e inter-religioso.

Foi ele que na Assembleia Mundial da Pax Christi Internacional em 1995, em Assis, apresentou a candidatura da Secção Portuguesa a membro de pleno direito do Movimento Internacional.

Guardaremos sempre o seu testemunho de anunciador do Evangelho da justiça, da paz e do amor. Um testemunho de coragem, firmeza e serenidade empenhada, enraizada na certeza de que o projeto de Deus para o Homem passa pela construção da Paz com Justiça e Fraternidade. A intensidade com que vivemos estes momentos, não nos deixa ficar só pela recordação, mas continua a dar-nos forças para prosseguir, apesar das dificuldades e obstáculos.

Sabemos que não deixará de nos continuar a acompanhar e acarinhar, como sempre fez!

Obrigado D. Manuel, descanse em Paz, na Paz de Cristo!

A Direção da Pax Christi Portugal

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

STATEMENT: Pax Christi International calls on the international community to urgently pressure Israel over the situation of Palestinian prisoners

Pax Christi International, together with its member organisations (1) and partners (2), is deeply concerned about the situation of Palestinian prisoners in Israeli prisons—especially those who have been on a hunger strike for one month and whose situation is deteriorating. Their health is in danger and they are being subjected to violent and coercive measures and policies by the Israeli Prison Service and special units, attempting to push the prisoners to end their hunger strike. (3)

The prisoners who are on a hunger strike are engaged in a legitimate, nonviolent action to demand their basic rights, including an end to torture and ill-treatment, the use of administrative detention, unfair trials, the detention of children, demeaning detention conditions including sleep and food deprivation, insufficient medical care, solitary confinement and the denial of the right to education. (4) Their requests are just and in line with international law as humanitarian and human rights standards protecting prisoners.

Pax Christi International welcomes the recent statement of the UN Special Rapporteur on human rights in the occupied Palestinian territories (5), in which he calls on Israel to comply with international law on detention. We urge the rest of the international community also to speak up to support the demands of Palestinian prisoners and to insist that Israel immediately enters into serious dialogue with the prisoners about their demands before it is too late.

This year, marks 100 years since the Balfour declaration, 70 years since UN resolution 181, and 50 years since Israel began its occupation of the West Bank, the Gaza Strip, the Golan Heights and the annexation of East Jerusalem. The hunger strike of the prisoners once again draws attention to basic human rights violations against the background of 50 years of harsh occupation. (6)

Brussels, 17 May 2017

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1. Our member organization in Bethlehem, the Arab Educational Institute in Bethlehem, has issued a statement (http://www.aeicenter.org/images/statement on prisoners hunger  strike.pdf) as well as Pax Christi France (http://www.paxchristi.cef.fr/v2/pax-christi-france-soutient-les-prisonni...

2. World Council of Churches, ‘WCC concerned over conditions for Palestinian prisoners’, 5May 2017, https://www.oikoumene.org/en/press-centre/news/tveit-concerned-about-con... and Kairos Palestine, ‘Kairos Palestine Statement on prisoners' Hunger Strike, online available at: http://www.kairospalestine.ps/index.php/kairos-palestine-blog/228-kairos...

3. Addameer Prisoner Support and Human Rights Association, ‘One 30th day of hunger strike: Addameer calls for continued solidarity’, 16 May 2017, online available at: http://www.addameer.org/news/one-30th-day-hunger-strike-addameer-calls-c...

4. EuroMed Rights, ‘EU to support detained Palestinian hunger strikers’, 11 May 2017, online available at: http://www.euromedrights.org/publication/eu-support-detained-palestinian...

5. United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights, ‘UN Special Rapporteur on OPT calls on Israel to comply with international law on detention’, 16 May 2017, online available at: http://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=21624&L...

6. See our statement of last year December: http://www.paxchristi.net/news/israel-palestine-call-new-israeli-palesti...

Pax Christi International

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