a OBSERVATÓRIO DA PAX

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

54º Dia Mundial da Paz 2021 - A cultura do cuidado como percurso de paz

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO 54º DIA MUNDIAL DA PAZ
1º DE JANEIRO DE 2021 
A CULTURA DO CUIDADO COMO PERCURSO DE PAZ 

1. Aproximando-se o Ano Novo, desejo apresentar as minhas respeitosas saudações aos Chefes de Estado e de Governo, aos responsáveis das Organizações Internacionais, aos líderes espirituais e fiéis das várias religiões, aos homens e mulheres de boa vontade. Para todos formulo os melhores votos, esperando que o ano de 2021 faça a humanidade progredir no caminho da fraternidade, da justiça e da paz entre as pessoas, as comunidades, os povos e os Estados. 

O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da Covid-19, que se transformou num fenómeno plurissectorial e global, agravando fortemente outras crises inter-relacionadas como a climática, alimentar, económica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos. Penso, em primeiro lugar, naqueles que perderam um familiar ou uma pessoa querida, mas também em quem ficou sem trabalho. Lembro de modo especial os médicos, enfermeiras e enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, voluntários, capelães e funcionários dos hospitais e centros de saúde, que se prodigalizaram – e continuam a fazê-lo – com grande fadiga e sacrifício, a ponto de alguns deles morrerem quando procuravam estar perto dos doentes a fim de aliviar os seus sofrimentos ou salvar-lhes a vida. Ao mesmo tempo que presto homenagem a estas pessoas, renovo o apelo aos responsáveis políticos e ao sector privado para que tomem as medidas adequadas a garantir o acesso às vacinas contra a Covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para dar assistência aos doentes e a todos aqueles que são mais pobres e mais frágeis.[1] 

É doloroso constatar que, ao lado de numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, infelizmente ganham novo impulso várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos que semeiam morte e destruição. 

Estes e outros acontecimentos, que marcaram o caminho da humanidade no ano de 2020, ensinam-nos a importância de cuidarmos uns dos outros e da criação a fim de se construir uma sociedade alicerçada em relações de fraternidade. Por isso, escolhi como tema desta mensagem «a cultura do cuidado como percurso de paz»; a cultura do cuidado* para erradicar a cultura da indiferença, do descarte e do conflito, que hoje muitas vezes parece prevalecer. [+]

Etiquetas: , , , , ,

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Fratelli tutti: Declaração da Pax Christi Internacional sobre a encíclica do Papa Francisco


Fratelli tutti: Uma base para promover a não-violência num mundo violento

Uma declaração da Pax Christi Internacional sobre a encíclica do Papa Francisco
6 de outubro de 2020


A Pax Christi Internacional está grata pela nova encíclica do Papa Francisco, Fratelli tutti: Sobre a fraternidade e a amizade social. Este documento oportuno enfrenta as realidades de um mundo polarizado, violento e injusto no meio da crise mundial da pandemia COVID-19 e visualiza uma nova forma de avançar para um futuro mais justo, pacífico, igual, esperançoso e não-violento.

Embora Fratelli tutti não use explicitamente o termo não-violência, a encíclica oferece uma base clara para desenvolver e integrar a teologia e a prática da não-violência no ensinamento da Igreja, um esforço ao qual se dedica a Iniciativa Católica de Não-violência da Pax Christi. Em particular, a análise clara do Papa Francisco da violência global, incluindo a violência estrutural, prepara o cenário para uma compreensão mais profunda da não-violência.

No início do documento, o Papa Francisco descreve o “normal injusto”, com as suas estruturas económicas, políticas, sociais e tecnológicas interligadas, que dividem os privilegiados de milhares de outros, incluindo os empobrecidos, os migrantes, as mulheres, os doentes, os idosos. Para transformar o mundo de maneira não-violenta, devemos primeiro vislumbrar a sua violência, e o Papa Francisco não nos poupa nisto.

O papa, porém, não se limita a descrever a realidade do nosso mundo injusto; ele responde-lhe com temas-chave fundamentados numa visão espiritual primordial, que é também a base da ética universal da não-violência: que todos os seres em todos os lugares estão interrelacionados. Inspirado por São Francisco de Assis, que fez da sororidade e da fraternidade de todos os seres uma pedra de toque da sua espiritualidade e ação concreta no mundo, o Papa Francisco dissolve todas as barreiras que nos impedem de ver e viver esta realidade.

Na encíclica, uma série de temas resulta logicamente disto. Se somos todos parentes, se somos todos uma família, então devemos desafiar tudo o que destrói esta unidade: mostrando cuidado radical uns pelos outros; construindo uma cultura de encontro autêntico; tornando o diálogo central na nossa maneira de ser; e colocando em ação a solidariedade com os mais excluídos, despossuídos, desumanizados e sistematicamente sob ataque. O Papa Francisco está aqui a chamar-nos inflexivelmente à vida não-violenta, especialmente iluminada pela sua extensa análise da história do Bom Samaritano.

O Papa Francisco nesta encíclica também age, mesmo quando chama o mundo a fazê-lo. Reitera a inadmissibilidade da pena de morte, mas talvez ainda de grande envergadura é a reflexão do Papa Francisco sobre a guerra, que acreditamos ir mais longe do que qualquer encíclica papal na história.

Ao enfatizar como a tradição da guerra justa fracassa face à guerra moderna, ele escreve: “Já não podemos pensar na guerra como solução, porque provavelmente os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Perante esta realidade, hoje é muito difícil sustentar os critérios racionais amadurecidos noutros séculos para falar duma possível ‘guerra justa’.” Na nota de rodapé nº 242, ele é ainda mais direto: “Santo Agostinho, que elaborou uma ideia da ‘guerra justa’ que hoje já não defendemos, disse que ‘matar a guerra com a palavra e alcançar e conseguir a paz com a paz e não com a guerra, é maior glória do que a dar aos homens com a espada’ (Epistula 229, 2: PL 33, 1020).”

A Pax Christi Internacional e a sua Iniciativa Católica de Não-Violência estão enormemente gratas pela visão do Papa Francisco de tal mundo, que ele compartilha desde o início do seu papado. Em resposta a esta visão, temos explorado a não-violência como uma espiritualidade, um modo de vida, um programa de transformação social e uma ética universal. Fratelli tutti oferece uma base para promover a teologia e a prática fiel da não-violência.

O Papa Francisco convida-nos a uma reflexão sobre a realidade da guerra e sobre outra realidade quando “escolhemos a paz”. Façamos esta viagem com o Papa enquanto fazemos avançar esta reflexão juntos em busca de uma casa comum mais justa, pacífica e não-violenta.


Pode descarregar a versão em PDF aqui.


Etiquetas: , , , , ,

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

THE MOTIVES FOR MEANINGFUL PEACE WORK

By Fr. Paul Lansu
Senior Policy Advisor, Pax Christi International

Catholic social teaching provides a critical framework from where to search values and norms and to contribute to justice, peace and care for the creation. The social ideas of the Church, which have developed over decades, offer an almost inexhaustible richness of points of reference for peace work. Especially concerning the four most prominent (international) areas of attention: peace/security, human rights, development and climate. Within the broader political framework, international law and especially international humanitarian law are applicable.

Human dignity

Catholic social teaching has the dignity of each individual as its point of departure. Each person is unique. Moreover, life in solidarity is people’s calling. Solidarity refers mostly to taking responsibility together for each person’s dignity, whatever his/her identity and so-called social status. Catholic social thought is universal in nature. Transnational problems will ask for transnational answers, especially in these times of globalisation.

Serving the common good

Living in solidarity entails striving for the common good, or the ‘bonum commune’, together. Society should develop in harmony with every person and his/her environment, and to everybody’s content. Solidarity calls for tangible acts. It is time for action. Every person deserves help, especially in situations of war or other need, such as people on the run.

As a human being, one inevitably lives in the company of others, both locally and globally. Society belongs to everyone and people thus live in a participatory manner. The social fabric in which people live has both local and international characteristics. That social fabric should be, or is, the medium for life in peace and harmony with other people and our surroundings.

Options for the poor and weakest

People are part of different social networks: family, upbringing, culture, religion, career, etc. The (shared) responsibility for social/public life lies with people themselves in the first place.

This kind of thinking requires making choices regularly. It requires prioritising the most weak and the poorest and simultaneously it requires redistribution of wealth. A social safety net should take up the delicate. It is not possible to live in freedom without there being some form of social protection.

Globalisation often results in inequality between countries and societies. It is necessary to eliminate large inequalities between people and between populations. We must develop the earth and her society in a responsible way as much as possible. The UN’s Sustainable Development Goals are a frame of reference for this as well. [+]

PEACE STORIES
A project of Pax Christi International, the global Catholic movement for peace

Etiquetas: , ,