a OBSERVATÓRIO DA PAX

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Fratelli tutti: Declaração da Pax Christi Internacional sobre a encíclica do Papa Francisco


Fratelli tutti: Uma base para promover a não-violência num mundo violento

Uma declaração da Pax Christi Internacional sobre a encíclica do Papa Francisco
6 de outubro de 2020


A Pax Christi Internacional está grata pela nova encíclica do Papa Francisco, Fratelli tutti: Sobre a fraternidade e a amizade social. Este documento oportuno enfrenta as realidades de um mundo polarizado, violento e injusto no meio da crise mundial da pandemia COVID-19 e visualiza uma nova forma de avançar para um futuro mais justo, pacífico, igual, esperançoso e não-violento.

Embora Fratelli tutti não use explicitamente o termo não-violência, a encíclica oferece uma base clara para desenvolver e integrar a teologia e a prática da não-violência no ensinamento da Igreja, um esforço ao qual se dedica a Iniciativa Católica de Não-violência da Pax Christi. Em particular, a análise clara do Papa Francisco da violência global, incluindo a violência estrutural, prepara o cenário para uma compreensão mais profunda da não-violência.

No início do documento, o Papa Francisco descreve o “normal injusto”, com as suas estruturas económicas, políticas, sociais e tecnológicas interligadas, que dividem os privilegiados de milhares de outros, incluindo os empobrecidos, os migrantes, as mulheres, os doentes, os idosos. Para transformar o mundo de maneira não-violenta, devemos primeiro vislumbrar a sua violência, e o Papa Francisco não nos poupa nisto.

O papa, porém, não se limita a descrever a realidade do nosso mundo injusto; ele responde-lhe com temas-chave fundamentados numa visão espiritual primordial, que é também a base da ética universal da não-violência: que todos os seres em todos os lugares estão interrelacionados. Inspirado por São Francisco de Assis, que fez da sororidade e da fraternidade de todos os seres uma pedra de toque da sua espiritualidade e ação concreta no mundo, o Papa Francisco dissolve todas as barreiras que nos impedem de ver e viver esta realidade.

Na encíclica, uma série de temas resulta logicamente disto. Se somos todos parentes, se somos todos uma família, então devemos desafiar tudo o que destrói esta unidade: mostrando cuidado radical uns pelos outros; construindo uma cultura de encontro autêntico; tornando o diálogo central na nossa maneira de ser; e colocando em ação a solidariedade com os mais excluídos, despossuídos, desumanizados e sistematicamente sob ataque. O Papa Francisco está aqui a chamar-nos inflexivelmente à vida não-violenta, especialmente iluminada pela sua extensa análise da história do Bom Samaritano.

O Papa Francisco nesta encíclica também age, mesmo quando chama o mundo a fazê-lo. Reitera a inadmissibilidade da pena de morte, mas talvez ainda de grande envergadura é a reflexão do Papa Francisco sobre a guerra, que acreditamos ir mais longe do que qualquer encíclica papal na história.

Ao enfatizar como a tradição da guerra justa fracassa face à guerra moderna, ele escreve: “Já não podemos pensar na guerra como solução, porque provavelmente os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Perante esta realidade, hoje é muito difícil sustentar os critérios racionais amadurecidos noutros séculos para falar duma possível ‘guerra justa’.” Na nota de rodapé nº 242, ele é ainda mais direto: “Santo Agostinho, que elaborou uma ideia da ‘guerra justa’ que hoje já não defendemos, disse que ‘matar a guerra com a palavra e alcançar e conseguir a paz com a paz e não com a guerra, é maior glória do que a dar aos homens com a espada’ (Epistula 229, 2: PL 33, 1020).”

A Pax Christi Internacional e a sua Iniciativa Católica de Não-Violência estão enormemente gratas pela visão do Papa Francisco de tal mundo, que ele compartilha desde o início do seu papado. Em resposta a esta visão, temos explorado a não-violência como uma espiritualidade, um modo de vida, um programa de transformação social e uma ética universal. Fratelli tutti oferece uma base para promover a teologia e a prática fiel da não-violência.

O Papa Francisco convida-nos a uma reflexão sobre a realidade da guerra e sobre outra realidade quando “escolhemos a paz”. Façamos esta viagem com o Papa enquanto fazemos avançar esta reflexão juntos em busca de uma casa comum mais justa, pacífica e não-violenta.


Pode descarregar a versão em PDF aqui.


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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Tempo da Criação: 3. Economia ecológica

Economia ecológica

Um desenvolvimento tecnológico e económico, que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso. Além disso, muitas vezes a qualidade real de vida das pessoas diminui – pela deterioração do ambiente, a baixa qualidade dos produtos alimentares ou o esgotamento de alguns recursos – no contexto dum crescimento da economia. (Laudato Si', n. 194)

Importa repensar os critérios pelos quais julgamos o desenvolvimento económico. O lucro, o aumento do consumo, a instalação de grandes empresas, etc., não são sinais de um desenvolvimento económico a longo prazo, que respeite os recursos e ritmos da natureza, ou o crescimento pessoal e social de todos os seres humanos num ambiente de paz e justiça.

Como guardiões da casa comum temos de estar atentos e defender a produção sustentável, o comércio justo e solidário, o consumo ético, os investimentos éticos, o desinvestimento em combustíveis fósseis e qualquer outra atividade económica que possa causar danos ao planeta e aos seus habitantes, o investimento em energias renováveis, etc.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Tempo da Criação: 2. Resposta ao grito dos pobres

Resposta ao grito dos pobres

É necessário voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos. (Laudato Si', n. 229)

Dado que todos e tudo foi criado por Deus, toda a criação está interligada. Reconhecê-lo leva-nos a uma espiritualidade de solidariedade global, especialmente dando prioridade às necessidades dos que não se podem proteger e defender sozinhos: os pobres, os débeis e os vulneráveis. Exercer a solidariedade ajuda-nos a superar a tentação do individualismo, os interesses pessoais e a escutar o grito dos pobres.

Este caminho faz-se pela defesa da vida humana e de todas as formas de vida na Terra, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis, incluindo comunidades indígenas, migrantes, refugiados, crianças em risco de escravidão, sem abrigo, desempregados, etc.

Como é que as nossas decisões diárias afetam os pobres? Por exemplo, na utilização dos recursos naturais, o emprego do nosso tempo e do nosso dinheiro, os locais onde fazemos compras, etc.



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terça-feira, 7 de julho de 2020

Mais de 100 bispos católicos assinam manifesto para impedir os abusos cometidos pelas empresas

Um grupo de mais de 100 bispos de vários países, incluindo Portugal, assinou uma petição dirigida à presidência alemã do Conselho da União Europeia, denunciando as violações aos Direitos Humanos no comércio internacional. [...] Ler +


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sábado, 13 de junho de 2020

Pax Christi Internacional denuncia empresas multinacionais de mineração

A Pax Christi Internacional uniu-se a mais de 300 organizações do mundo, onde se contam também Comissões Episcopais de Justiça e Paz, para denunciar a exploração de empresas multinacionais de mineração, que estão a lucrar com a pandemia global do COVID-19. A extração de recursos é uma das indústrias mais destrutivas do mundo e as empresas de mineração estão a tentar lucrar com a crise atual. 
Na mensagem condenam e rejeitam o modo como a indústria e muitos governos estão a aproveitar a pandemia para encontrar novas oportunidade para a extração insustentável dos recursos minerais e a estabelecer uma imagem pública positiva, hoje e no futuro. E as comunidades indígenas são, frequentemente, altamente vulneráveis e o seu direito ao consentimento livre, prévio e informado é negado.

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

IS MIGRATION THE “MOTHER OF ALL PROBLEMS”?

By Fr. Paul Lansu
Senior Policy Advisor, Pax Christi International

Europe is now home to people from all over the world. In most European countries, we see the increase of rejection of new foreign citizens in Western society. Anti-migration sentiments are growing. In the south and east negative attitudes prevailed. In Italy for instance, one in every two persons perceive migration as a problem. Several European countries have built fences and barriers at their borders playing on people’s fear of foreign threats and focusing on the dangers from immigration of terrorism. Recent elections in different EU states demonstrate that concerns surrounding migration and asylum continue to dominate the public space, shape national, and EU politics. Extremist (right wing) political parties are winning votes massively.

Migration remains the biggest challenge and is a debatable issue both in public opinion as well as in politics. Is this question the mother of all problems? Negative perceptions of “outsiders” have caused divisions not just between countries, but also within communities, political parties, the media, at street level, even within families. This topic will make a big difference in the next EU elections in May 2019.

Unhappiness characterizes modern man. Many people experience living in a chaotic world. Fear of innovation is the result of this. Determining or confronting other customs and cultures gives rise to resistance, even hatred and racism. Because the “stranger” is now also visible in the small cities and municipalities, the fear of migration is growing. It all became so unexpectedly and chaotic, loss of political control. Emotions are put to the test. Hosting in my neighbourhood refugees of different cultural and religious backgrounds is a sensitive issue. The fact that refugees/migrants want to go to places where they are among themselves is understandable but that does not help the integration. Ghettos should be prevented.

Some politicians use the rhetoric of keeping and “kicking migrants out.” That can result in criminalising these people. Even Prime Ministers or Presidents of EU member states use xenophobic rhetoric and hate speech against migrants and refugees. That behaviour is observable within authoritarian populist leaderships in Europe. The microphone of xenophobia is often the megaphone of a loud minority. [+]

PEACE STORIES
A project of Pax Christi International, the global Catholic movement for peace

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Intenção do Papa Francisco para o mês de Fevereiro: Não à corrupção


Para que aqueles que têm poder material, político ou espiritual não se deixem dominar pela corrupção.

Papa Francisco - Fevereiro 2018

Vídeo do Papa

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Papa Francisco: Cuidar dos pobres é um dever evangélico

Mesmo se «aos olhos do mundo têm pouco valor», os pobres «abrem-nos a via do céu, são o nosso “passaporte para o paraíso”», recordou o Papa Francisco durante a missa presidida na manhã de domingo, 19 de novembro, na basílica vaticana, na presença de quase sete mil necessitados, pessoas menos abastadas e desabrigados, além de numerosos voluntários.

Instituído pelo Pontífice em 2016 com a carta apostólica Misericordia et misera na conclusão do jubileu da misericórdia, o primeiro dia mundial dos pobres viveu em São Pedro o seu solene momento celebrativo. E prosseguiu no sinal da solidariedade na Sala Paulo VI, onde o Papa partilhou o almoço com cerca de mil e quinhentos indigentes de diversos países.

Na homilia da missa, inspirando-se na parábola dos talentos, Francisco frisou que «a omissão é o grande pecado em relação aos pobres». E torna-se verdadeira «indiferença» quando nos viramos «para o outro lado no momento em que o irmão está em necessidade» ou ignoramos «o mal sem nada fazer», esquecendo-nos de que «nos pobres se manifesta a presença de Jesus», o qual «de rico se fez pobre». Por isso, afirmou o Pontífice, «na sua fragilidade, têm uma “força salvífica”». E «para nós é dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza, e fazê-lo não só dando pão mas também partindo com eles o pão da Palavra, do qual eles são os mais naturais destinatários».

«Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas espirituais e materiais», afirmou Francisco. Eis então os votos – formulados durante o Angelus recitado na praça de São Pedro depois da missa – para que «os pobres estejam no centro das nossas comunidades não só em momentos como este mas sempre; porque eles estão no coração do Evangelho, neles encontramos Jesus que nos fala e nos interpela através dos seus sofrimentos e necessidades». Deve ser interpretado neste sentido o sucessivo apelo lançado pelo Pontífice a favor das «populações que vivem uma pobreza dolorosa por causa da guerra e dos conflitos». À comunidade internacional o Papa pediu «que faça todos os esforços possíveis para favorecer a paz, em particular no Médio Oriente». E dirigiu «um pensamento especial ao querido povo libanês», invocando «a estabilidade do país, a fim de que possa continuar a ser uma “mensagem” de respeito e convivência para toda a região e para o mundo inteiro».

L'Osservatore Romano

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sábado, 18 de novembro de 2017

1º Dia Mundial dos Pobres

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O I DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM
(19 DE NOVEMBRO DE 2017)


«Não amemos com palavras, mas com obras»

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a pontos de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sl 34/33,7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6,3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5,3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2,45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca com as mãos a carne de Cristo. Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, partido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).

Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de mais, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminho atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5,3; Lc 6,20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo. Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 25-45).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Conhecemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, de poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos marcados pelo sofrimento, pela marginalização, pela opressão, pela violência, pelas torturas e a prisão, pela guerra, pela privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e pelo analfabetismo, pela emergência sanitária e pela falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e pela escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perversas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes sectores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança. Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Predecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade. Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

7. Desejo que, na semana anterior ao Dia Mundial dos Pobres – que este ano será no dia 19 de novembro, XXXIII domingo do Tempo Comum –, as comunidades cristãs se empenhem na criação de muitos momentos de encontro e amizade, de solidariedade e ajuda concreta. Poderão ainda convidar os pobres e os voluntários para participarem, juntos, na Eucaristia deste domingo, de modo que, no domingo seguinte, a celebração da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo resulte ainda mais autêntica. Na verdade, a realeza de Cristo aparece em todo o seu significado precisamente no Gólgota, quando o Inocente, pregado na cruz, pobre, nu e privado de tudo, encarna e revela a plenitude do amor de Deus. O seu completo abandono ao Pai, ao mesmo tempo que exprime a sua pobreza total, torna evidente a força deste Amor, que O ressuscita para uma vida nova no dia de Páscoa.

Neste domingo, se viverem no nosso bairro pobres que buscam proteção e ajuda, aproximemo-nos deles: será um momento propício para encontrar o Deus que buscamos. Como ensina a Sagrada Escritura (cf. Gn 18, 3-5; Heb 13, 2), acolhamo-los como hóspedes privilegiados à nossa mesa; poderão ser mestres, que nos ajudam a viver de maneira mais coerente a fé. Com a sua confiança e a disponibilidade para aceitar ajuda, mostram-nos, de forma sóbria e muitas vezes feliz, como é decisivo vivermos do essencial e abandonarmo-nos à providência do Pai.

8. Na base das múltiplas iniciativas concretas que se poderão realizar neste Dia, esteja sempre a oração. Não esqueçamos que o Pai Nosso é a oração dos pobres. De facto, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida. Tudo o que Jesus nos ensinou com esta oração exprime e recolhe o grito de quem sofre pela precariedade da existência e a falta do necessário. Aos discípulos que Lhe pediam para os ensinar a rezar, Jesus respondeu com as palavras dos pobres que se dirigem ao único Pai, em quem todos se reconhecem como irmãos. O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é «nosso», e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco.

9. Aos irmãos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos – que, por vocação, têm a missão de apoiar os pobres –, às pessoas consagradas, às associações, aos movimentos e ao vasto mundo do voluntariado, peço que se comprometam para que, com este Dia Mundial dos Pobres, se instaure uma tradição que seja contribuição concreta para a evangelização no mundo contemporâneo.

Que este novo Dia Mundial se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso de que lançar mão para acolher e viver a essência do Evangelho.

Vaticano, Memória de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 2017.

Franciscus

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Os pobres batem à nossa porta: ​Na mensagem para a Quaresma o Papa releu e atualizou a parábola de Lázaro | L'Osservatore Romano

«O pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida». Eis quanto recordou o Papa Francisco na mensagem para a Quaresma de 2017, apresentada na manhã de terça-feira 7 de fevereiro.

Centrado sobre o tema «A Palavra é um dom. O outro é um dom», a reflexão do Pontífice retomou e atualizou a parábola evangélica de Lázaro: uma «página significativa – definiu-a Francisco – que nos oferece a chave para compreender como agir para alcançar a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma conversão sincera».

«O primeiro convite que nos faz esta parábola – revela a mensagem – é abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, quer o nosso vizinho quer o pobre desconhecido». Com efeito, a Quaresma «é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e reconhecer nele ou nela o rosto de Cristo». O Papa recordou que na raiz de todos os males está «a avidez do dinheiro», que «pode chegar a dominar-nos, a ponto de se tornar um ídolo tirânico». Deste modo, em vez de «instrumento ao nosso dispor», o dinheiro «pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz».

Além disso, a parábola mostra-nos que «a ganância do rico fá-lo vaidoso». De facto, a sua personalidade vive de aparências «fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir»; mas «a aparência serve de máscara para o vazio interior». Portanto, para o homem corrompido pelas riquezas «nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar».

Por fim, «só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro». Esta é «uma mensagem para todos os cristãos»: na realidade, «a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo». Eis o convite conclusivo do Pontífice a viver o caminho da Quaresma como «tempo favorável para se renovar no encontro com Cristo vivo na sua palavra, nos sacramentos e no próximo».

Mensagem do Papa

L'Osservatore Romano

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Outra economia é possível: Denunciada pelo Papa Francisco a idolatria do sistema financeiro que aniquila milhões de famílias | L'Osservatore Romano

Denunciando a idolatria de um sistema financeiro que aniquila milhões de famílias, Francisco invocou uma mudança nas regras do capitalismo que continua a produzir descartes. Estes votos estão contidos no seu discurso dirigido aos participantes no encontro sobre a economia de comunhão — promovido pelo movimento dos focolares — recebidos na manhã de 4 de fevereiro.

Para a sua reflexão, o Papa inspirou-se em dois termos «economia» e «comunhão», que «a cultura atual mantém bem separadas», aliás «considera opostas». E que na realidade os herdeiros espirituais de Chiara Lubich quiseram unir, aceitando o convite de fundadora neste sentido.

O Papa aprofundou três temas relativos ao dinheiro, à pobreza e ao futuro. A propósito do primeiro, frisou a importância da «comunhão dos rendimentos», porque o dinheiro «é importante, sobretudo quando não há e dele dependem a comida, a escola o futuro dos filhos». Outra coisa é transformá-lo em ídolo; por isso, «quando o capitalismo faz da busca do lucro sua única finalidade, corre o risco de se tornar uma forma de culto».

Quanto à pobreza, o Pontífice elogiou as «múltiplas iniciativas públicas e particulares» para a debelar. E recordou que «a razão dos impostos» está «também nesta solidariedade, que é negada pela evasão e da fraude fiscal». Não obstante, «o capitalismo continua a produzir descartes que depois gostaria de resolver». Uma hipocrisia evidente que deve ser eliminada, apostando na mudança das regras de jogo do sistema económico-social.

Enfim, em relação ao futuro, Francisco espera num crescimento desta «experiência que por enquanto se limita a um pequeno número de empresas». Uma esperança inspirada no princípio da reciprocidade, porque — evocou — «a comunhão não é só divisão, mas também multiplicação dos bens». Eis os seus votos conclusivos: «Continuar a ser semente, sal e fermento de outra economia», onde «os ricos sabem compartilhar as suas riquezas e os pobres são chamados bem-aventurados».

O discurso do Papa

L'Osservatore Romano

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Cáritas lança campanha de inverno a favor dos refugiados | Cáritas Portuguesa

Os refugiados e as populações mais vulneráveis estão a enfrentar condições inumanas resultantes da vaga de frio que assola a Europa. As imagens que têm chegado às nossas casas falam por si. Não podemos ficar indiferentes, sob pena de estas pessoas que fugiram à morte, por causa da guerra, virem a sucumbir pela inclemência do tempo.

Impulsionados pela generosa solidariedade a que já nos habituou o nosso povo, a Cáritas Portuguesa lança uma campanha nacional para apoiar as populações mais vulneráveis e refugiados que se encontram no Leste e Sul da Europa.

Quem quiser colaborar poderá fazê-lo, através da conta "Levo calor aos refugiados", com o
IBAN PT50 0033 0000 0109004015012 do Millenium BCP ou através da entidade/referência 22222/222 222 222 nas redes de Multibanco, até 31 do corrente mês. (Mais ...)

Cáritas Portuguesa

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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Together for dignity and justice: Declaration of Intent between ‘Caritas Internationalis’ and the Lutheran World Federation – World Service | L'Osservatore Romano

On occasion of the common commemoration of the Reformation, ‘Caritas Internationalis’ and the Lutheran World Federation – World Service have signed a Declaration of Intent with the aim of strengthening cooperation and commitment to the promotion of human dignity and social justice.


“Together in Hope”
Declaration of Intent between
Caritas Internationalis and The Lutheran World Federation – World Service


1. Preamble

Caritas Internationalis, created in 1951, is the social and justice arm of the Catholic Church. It is at the same time a confederation of 165 national organisations present in 200 countries and territories and a central entity of the Holy See. Serve, accompany and defend the poor: its mission is to promote a civilization of love, based on the social and other teachings of the Church and is developed around five central strategic orientations that are: Caritas at the heart of the Church; save lives and rebuild communities; promote sustainable integral human development; build global solidarity; make the Caritas Confederation more effective.

In its first orientation, an objective is to contribute to and promote a culture of partnership and ecumenical and interreligious cooperation.

The LWF has engaged with diakonia and service since its founding in 1947. World Service, the diaconal arm of the LWF, focuses especially on the needs of refugees and internally displaced people in humanitarian assistance, development aid and advocacy. The LWF is committed to working with other Christian World communions and faith-based organisations (FBOs) for broader reach and wider impact, aiming to empower and enable local populations through rights-based approaches.

Caritas Internationalis and the LWF World Service have worked together on several occasions during the past decades in many countries and regions addressing the root causes of poverty and humanitarian crises. Caritas member organisations have also cooperated with the LWF World Service.

On the occasion of the commemoration of the 500 years of the Reformation, the Lutheran World Federation and the Catholic Church have taken further steps towards reconciliation and moved forward in the field of joint service to express and strengthen their commitment to the quest for unity. This is expressed in the Lutheran-Catholic study document “From Conflict to Communion”, in which the 5 th ecumenical imperative calls for joint diaconal action. It says:

“Catholics and Lutherans should witness together to the mercy of God in proclamation and service to the world”. § 243 reads: “Ecumenical engagement for the unity of the Church does not serve only the Church but also the world so that the world may believe”.

The international community is also calling especially upon FBOs to engage actively in realizing the Sustainable Development Goals agenda, working towards the eradication of extreme poverty in a generation. In the Catholic world, there are various spaces of collective engagement (among which the Forum of Catholic Organisations) and in the broader Christian world, there is ACT Alliance, of which the LWF is a member and with which Caritas Internationalis has been linked for many years.

We believe that faith communities and the organisations with which they engage are uniquely placed to fight extreme poverty in all its dimensions. Not only because these communities are present around the world, but also because when trained, organised and accompanied, they are the best responders to disasters, the best promoters of integral sustainable human development, and the best advocates for their lives. What animates us is our faith and, in a secularized world, this makes a huge difference: courage, commitment, perseverance, taking risks, the belief that God is with us to confront evil and rebuild lives.

As two global Christian organisations working for human dignity and social justice, we decide to join hands. To bring hope. To witness and act together, without being exclusive. And to invite our members to engage with their counterparts and friends locally.

2. Purpose

The overall purpose of this Declaration of Intent is to consolidate and develop a mutually inspiring relationship beneficial to the people we serve, accompany and defend, based on shared values and vision regarding how our organisations can work together in the world today.

Caritas Internationalis and the LWF World Service will seek to expand and deepen their relationships and joint work at all levels. We will:

- look for opportunities

- commit to cooperate where appropriate

- engage in regular strategic discussions

- share learnings, challenges and opportunities

- ensure that members, staff and volunteers understand the Declaration of Intent and look to work together in harmony and collaboration

3. Areas for cooperation

The LWF World Service and Caritas Internationalis will work together in the following fields at global level:

- Refugees, internally displaced people and migrants

- Peace building and reconciliation

- Humanitarian preparedness and response

- Implementation of Sustainable Development Goals

- Interfaith action and programming

4. Concrete application mechanisms

Caritas Internationalis and the LWF World Service will:

- Engage in regular strategic discussions on issues agreed upon, with specific experts on board

- Engage in common programs whenever possible

- Invite our membership to cooperate and engage in joint programming at national/diocesan/local levels, in consultation with respective member organizations in donor countries when applicable, in those fields referred to above and more as identified locally, including capacity building, interfaith action, reinforcing local civil society.

- Meet annually to appreciate the work done and plan ahead.

- Communicate what we have achieved

Signed on the occasion of the Joint Ecumenical Commemoration of the Reformation,
In Lund, Sweden,
On 31 October 2016

For Caritas Internationalis
Michel Roy, Secretary General

For LWF World Service
Maria Immonen, Director

L'Osservatore Romano

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domingo, 30 de outubro de 2016

UE: Bispos católicos recordam os 119 milhões de europeus em risco de pobreza e exclusão social | Agência ECCLESIA

Bruxelas, 28 out 2016 (Ecclesia) - A Comissão dos Episcopados Católicos da União Europeia (COMECE), da qual Portugal faz parte, concluiu hoje a sua assembleia plenária com um alerta a favor dos “mais pobres” do Velho Continente.

Nas conclusões do encontro, enviadas à Agência ECCLESIA, aquele organismo salienta que cerca de “119 milhões de europeus, quase um quarto da população no território, vivem hoje com o risco da pobreza e da exclusão social”. (Mais ...)

Agência ECCLESIA

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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

D. Manuel Linda: O imposto é uma obrigação moral e fugir-lhe é pecado | Agência Ecclesia

Lisboa, 14 out 2016 (Ecclesia) – D. Manuel Linda, que participou na revisão científica do primeiro Compêndio da Doutrina Social da Igreja, afirmou que a “única forma” de “alguma justiça social” é a participação dos cidadãos nos impostos que permitem a garantia do Estado Social.

“Nós dizemos com muito afinco que o imposto é uma obrigação moral e fugir-lhe é pecado”, disse à Agência ECCLESIA o bispo das Forças Armadas e de Segurança [e Presidente da Pax Christi Portugal]. (Mais ...)

Agência ECCLESIA


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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz: «Os mais pobres dos pobres em Portugal. Que futuro?»

A Comissão Nacional Justiça e Paz publicou um comunicado a propósito do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o impacto da crise e da austeridade nas desigualdades económicas em Portugal entre os anos 2009 e 2014.


A pobreza em Portugal tem nome de mulher, criança, jovem, idoso, desempregado/a.... Alguns factos já conhecemos e pronunciámo-nos recentemente sobre eles. Porquê, então, denunciar novamente? O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (coordenado pelo Professor Farinha Rodrigues) sobre o impacto da crise e da austeridade nas desigualdades económicas em Portugal entre os anos 2009 e 2014, divulgado há dias, proporciona-nos dados mais específicos ainda. As estatísticas corroboram a informação que possuíamos sobre quem mais sofre com o impacto da crise, mas traz-nos dados ainda mais preocupantes:

- os mais pobres continuam a ser os mais afectados pelas políticas de austeridade, o que reforça o comunicado da CNJP de 7 de Junho passado, explicitando que, entre 2009 e 2012, um em cada três portugueses passou pela pobreza durante pelo menos um ano;
- a desigualdade gritante no acesso à justiça mantém-se e as oportunidades de trabalho também são desiguais, com especial incidência nas mulheres e nos jovens;
- na área da saúde a situação é cada vez mais precária, pondo em risco a manutenção de um Serviço Nacional de Saúde para todos;
- os jovens perderam 29% dos seus rendimentos e muitos – alguns dos mais qualificados - foram forçados a emigrar para conseguir trabalho, contribuindo para o envelhecimento ainda maior da sociedade portuguesa;
- o índice de pobreza nas mulheres aumentou, nomeadamente daquelas que são as únicas responsáveis pela família: uma descida de 20% dos rendimentos (perante apenas 8% nos homens), para além de uma maior exposição ao risco de desemprego;
- a pobreza infantil cresceu entre 2009 e 2014, chegando ao valor mais elevado desde 2006, aumentando de 22,4% para 24,8%;
- os idosos continuam ao abandono e a engrossar o grupo dos mais pobres;
- 1/5 da população vive com menos de 420 euros;
- em cinco anos o rendimento dos 5% mais ricos passou de 15 para 19 vezes superior ao dos 5% mais pobres. (Mais ...)

CNJP


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Comissão Nacional Justiça e Paz: Conferência anual 2016 «Sistema Fiscal e Justiça Social»

No dia 22 de outubro a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) promove a sua conferência anual sobre o tema: «Sistema Fiscal e Justiça Social».


Data e local

22 de outubro, das 9h30 às 17h30

Fundação Calouste Gulbenkian, auditório 3


Painéis e convidados

«O sistema fiscal na Doutrina Social da Igreja»: Pe. Ildefonso Camacho S.J.

«Sistema fiscal e justiça social»: Guilherme d´Oliveira Martins.

«A ética e os impostos»: João Amaral Tomaz.

«O que é uma tributação justa?»: António Bagão Félix e Manuela Silva.


Programa

Já está disponível o programa da conferência.


[programa | cartaz | inscrições]


CNJP


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segunda-feira, 10 de março de 2014

«Pobreza e Riqueza de Deus e dos Homens»: Mensagem da CNJP para a Quaresma 2014

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) publicou hoje a sua mensagem para a Quaresma 2014, intitulada "Pobreza e Riqueza de Deus e dos Homens", inspirada na mensagem do Papa Francisco para a quaresma deste ano.


1. É hoje evidente que o olhar pastoral do Papa Francisco atribui à pobreza e aos pobres um lugar central nas suas preocupações. Poderá dizer-se que a escolha do nome, no encalço de Francisco de Assis, já o indiciava. Todavia, sobretudo para quem não conhecesse o seu passado de Bispo, era difícil antever a forma que aquela preocupação viria a ter no exercício da missão de Papa. O que mais importa notar é, no entanto, que o Papa não fala dos pobres na perspetiva de um ativista social ou político, mas como alguém que encontra no tema uma dimensão essencial da mensagem cristã. Por outras palavras, a novidade não está apenas no modo de ver os pobres e a pobreza, mas também no seu entendimento da mensagem cristã. Interessa-nos aqui a abordagem do assunto na sua recente mensagem para a quaresma deste ano de 2014.
A reflexão do Papa Francisco, cuja leitura e meditação recomendamos vivamente, parte da passagem em que o Apóstolo Paulo recorda aos cristãos de Corinto que Jesus Cristo, “sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza”. Com esse texto, Paulo visava encorajar os coríntios a serem generosos com os cristãos de Jerusalém que passavam necessidade. Neste sentido, era um “convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico”.
O que nos diz a nós, cristãos de hoje, esse convite? pergunta o Papa.

2. A propósito da crise que atravessamos e do que deveria ser diferente após a crise, tem-se realçado a necessidade de um estilo de vida diferente: mais sóbrio, liberto dos vícios em parte responsáveis pela crise, tais como o individualismo, a cultura do «consumismo» e do «descartável», a idolatria do dinheiro e do poder. Na mensagem quaresmal, a mudança do estilo de vida sugerida por critérios humanos e económicos adquire um significado muito mais profundo. Inspira-se no “estilo de Deus”, designadamente no facto de o Filho se ter despojado do poder e da glória, para se tornar em tudo semelhante a nós. A finalidade de Jesus Se fazer pobre, nota o Papa, não foi a pobreza em si mesma, mas a salvação da humanidade. Com efeito, “Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo!” Para os cristãos, portanto, a adoção de um novo estilo de vida, marcado pela pobreza evangélica, aparece como uma exigência dafé, independentemente de a sociedade portuguesa e, em certa medida o mundo, estarem a atravessar uma crise. O Papa refere-se à Igreja como “um povo de pobres”. (Mais ...)

CNJP


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sábado, 1 de março de 2014

Programa Quaresmal 2014 aborda relação da fé com os bens materiais



«AS PARÁBOLAS E OS BENS MATERIAIS - Sobre economia e um correto relacionamento com o dinheiro» é o titulo de um interessante programa Quaresmal preparado pela Igreja da Escócia [KIRK] no âmbito da Comissão Ecuménica «Igrejas juntas na Grã-Bretanha e na Irlanda» (CTBI) e traduzido para Português pelo Instituto Anglicano de Estudos Teológicos da Igreja Lusitana (IAET).

A crise do crédito, a crise financeira e o impacto da recessão que se lhes seguiu a nível Europeu são o pano de fundo para um aprofundamento bíblico comprometido da profunda relação existente entre a fé e os assuntos e temas de natureza económica e material tão presentes no dia-a-dia de cada pessoa, comunidade, Igrejas e sociedade.

No contexto da tradição do tempo Quaresmal com os seus fortes valores e princípios de sacrifício, solidariedade, renúncia e auto-exame, o propósito é o desenvolvimento de um estilo de vida cristão gera-dor de novas formas de estar e de viver principalmente ao nível da relação com o dinheiro e os bens materiais.

O programa a ser adaptado em função das especificidades locais compreende seis sessões podendo ser usado individualmente, nas Paróquias ou em grupos ao longo da Quaresma. Cada sessão foca uma Parábola Bíblica diferente que é precedida de uma reflexão quaresmal e contém uma proposta de ação e de compromisso. Cada encontro termina sempre com um período de oração. (Mais...)

O material de estudo e de oração pode ser obtido diretamente no site da Igreja Lusitana: www.igreja-lusitana.org

Igreja Lusitana

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Oxfam denuncia que 1% da população detém metade da riqueza mundial

Cerca de metade da riqueza mundial é actualmente detida por 1% da população, denunciou esta segunda-feira a ONG Oxfam, adiantando que as desigualdades económicas aumentaram rapidamente na maioria dos países desde o início da crise.

No relatório "Governar para as elites: sequestro democrático e desigualdade económica", a Oxfam conclui que a concentração de 46% da riqueza em mãos de uma minoria supõe um nível de desigualdade "sem precedentes" que ameaça "perpetuar as diferenças entre ricos e pobres até as tornar irreversíveis".

A Oxfam refere ainda que os cerca de 1% dos mais ricos aumentaram os rendimentos em 24 dos 26 países para os quais os dados estão disponíveis entre 1980 e 2012 e que sete em cada dez pessoas vivem em países onde a desigualdade económica aumentou nos últimos 30 anos. Assim, os cerca de 1% dos mais ricos na China, em Portugal e nos Estados Unidos mais do que duplicaram os rendimentos nacionais desde 1980 e mesmo nos países com a reputação de serem mais igualitários como a Suécia e a Noruega, a riqueza dos 1% mais ricos aumentou 50% no período em referência.

O relatório da Oxfam sublinha que a metade mais pobre da população mundial possui a mesma riqueza que as 85 pessoas mais ricas do mundo. (Mais ...)

Sábado


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