a OBSERVATÓRIO DA PAX: Dezembro 2018

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2019

«A BOA POLÍTICA
ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ»



1. «A paz esteja nesta casa!»

Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).

Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz.[1] A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.

Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: «A paz esteja nesta casa!»

2. O desafio da boa política

A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy;[2] é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.

«Se alguém quiser ser o primeiro – diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, «tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade».[3]

Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade.

3. Caridade e virtudes humanas para uma política ao serviço dos direitos humanos e da paz

O Papa Bento XVI recordava que «todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. (…) Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político. (…) A ação do homem sobre a terra, quando é inspirada e sustentada pela caridade, contribui para a edificação daquela cidade universal de Deus que é a meta para onde caminha a história da família humana».[4] Trata-se de um programa no qual se podem reconhecer todos os políticos, de qualquer afiliação cultural ou religiosa, que desejam trabalhar juntos para o bem da família humana, praticando as virtudes humanas que subjazem a uma boa ação política: a justiça, a equidade, o respeito mútuo, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade.

A propósito, vale a pena recordar as «bem-aventuranças do político», propostas por uma testemunha fiel do Evangelho, o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan, falecido em 2002:

Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel.

Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade.

Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses.

Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente.

Bem-aventurado o político que realiza a unidade.

Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical.

Bem-aventurado o político que sabe escutar.

Bem-aventurado o político que não tem medo.[5]

Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito. Duma coisa temos a certeza: a boa política está ao serviço da paz; respeita e promove os direitos humanos fundamentais, que são igualmente deveres recíprocos, para que se teça um vínculo de confiança e gratidão entre as gerações do presente e as futuras.

4. Os vícios da política

A par das virtudes, não faltam infelizmente os vícios, mesmo na política, devidos quer à inépcia pessoal quer às distorções no meio ambiente e nas instituições. Para todos, está claro que os vícios da vida política tiram credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam. Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social: a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas –, a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo, a recusa a cuidar da Terra, a exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato, o desprezo daqueles que foram forçados ao exílio.

5. A boa política promove a participação dos jovens e a confiança no outro

Quando o exercício do poder político visa apenas salvaguardar os interesses de certos indivíduos privilegiados, o futuro fica comprometido e os jovens podem ser tentados pela desconfiança, por se verem condenados a permanecer à margem da sociedade, sem possibilidades de participar num projeto para o futuro. Pelo contrário, quando a política se traduz, concretamente, no encorajamento dos talentos juvenis e das vocações que requerem a sua realização, a paz propaga-se nas consciências e nos rostos. Torna-se uma confiança dinâmica, que significa «fio-me de ti e creio contigo» na possibilidade de trabalharmos juntos pelo bem comum. Por isso, a política é a favor da paz, se se expressa no reconhecimento dos carismas e capacidades de cada pessoa. «Que há de mais belo que uma mão estendida? Esta foi querida por Deus para dar e receber. Deus não a quis para matar (cf. Gn 4, 1-16) ou fazer sofrer, mas para cuidar e ajudar a viver. Juntamente com o coração e a inteligência, pode, também a mão, tornar-se um instrumento de diálogo».[6]

Cada um pode contribuir com a própria pedra para a construção da casa comum. A vida política autêntica, que se funda no direito e num diálogo leal entre os sujeitos, renova-se com a convicção de que cada mulher, cada homem e cada geração encerram em si uma promessa que pode irradiar novas energias relacionais, intelectuais, culturais e espirituais. Uma tal confiança nunca é fácil de viver, porque as relações humanas são complexas. Nestes tempos, em particular, vivemos num clima de desconfiança que está enraizada no medo do outro ou do forasteiro, na ansiedade pela perda das próprias vantagens, e manifesta-se também, infelizmente, a nível político mediante atitudes de fechamento ou nacionalismos que colocam em questão aquela fraternidade de que o nosso mundo globalizado tanto precisa. Hoje, mais do que nunca, as nossas sociedades necessitam de «artesãos da paz» que possam ser autênticos mensageiros e testemunhas de Deus Pai, que quer o bem e a felicidade da família humana.

6. Não à guerra nem à estratégia do medo

Cem anos depois do fim da I Guerra Mundial, ao recordarmos os jovens mortos durante aqueles combates e as populações civis dilaceradas, experimentamos – hoje, ainda mais que ontem – a terrível lição das guerras fratricidas, isto é, que a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo. Manter o outro sob ameaça significa reduzi-lo ao estado de objeto e negar a sua dignidade. Por esta razão, reiteramos que a escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia. O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança. Ao contrário, deve-se reafirmar que a paz se baseia no respeito por toda a pessoa, independentemente da sua história, no respeito pelo direito e o bem comum, pela criação que nos foi confiada e pela riqueza moral transmitida pelas gerações passadas.

O nosso pensamento detém-se, ainda e de modo particular, nas crianças que vivem nas zonas atuais de conflito e em todos aqueles que se esforçam por que a sua vida e os seus direitos sejam protegidos. No mundo, uma em cada seis crianças sofre com a violência da guerra ou pelas suas consequências, quando não é requisitada para se tornar, ela própria, soldado ou refém dos grupos armados. O testemunho daqueles que trabalham para defender a dignidade e o respeito das crianças é extremamente precioso para o futuro da humanidade.

7. Um grande projeto de paz

Celebra-se, nestes dias, o septuagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada após a II Guerra Mundial. A este respeito, recordemos a observação do Papa São João XXIII: «Quando numa pessoa surge a consciência dos próprios direitos, nela nascerá forçosamente a consciência do dever: no titular de direitos, o dever de reclamar esses direitos, como expressão da sua dignidade; nos demais, o dever de reconhecer e respeitar tais direitos».[7]

Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:

- a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;

- a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado..., tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;

- a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro.

A política da paz, que conhece bem as fragilidades humanas e delas se ocupa, pode sempre inspirar-se ao espírito do Magnificat que Maria, Mãe de Cristo Salvador e Rainha da Paz, canta em nome de todos os homens: A «misericórdia [do Todo-Poderoso] estende-se de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes (...), lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre» (Lc 1, 50-55).

Vaticano, 8 de dezembro de 2018.

Franciscus


[1] Cf. Lc 2, 14: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado».

[2] Cf. Le Porche du mystère de la deuxième vertu (Paris 1986).

[3] Carta ap. Octogesima adveniens (14/V/1971), 46.

[4] Carta enc. Caritas in veritate (29/V/2009), 7.

[5] Cf. «Discurso na Exposição-Encontro “Civitas” de Pádua»: Revista 30giorni (2002-nº 5).

[6] Bento XVI, Discurso às Autoridades do Benim (Cotonou, 19/XI/2011).

[7] Carta enc. Pacem in terris (11/IV/1963), 24 (44).


Vatican.va

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sábado, 22 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES (10 de maio de 1906 – 13 de abril de 1989), bispo da diocese do Porto desde 1952, viu-se forçado ao exílio durante o Estado Novo, por ter criticado a situação político-social e religiosa do país.
Após o afastamento político de Salazar (ocorrido em 1968), e no seguimento da denominada primavera marcelista, regressou a Portugal em 18 de junho de 1969, dez anos após o começo do exílio, tendo retomado o governo da diocese portucalense até 1982.
D. António foi um paladino da liberdade e um educador da consciência e da convivência democrática e da sua faceta de cidadão ressalta a sua postura sempre serena mas frontal perante a realidade e os desafios que o cercavam.



2. Reflexão

Vivemos habitualmente num alibi tão fácil como falso, numa alienação tranquilizante de consciência: a Paz depende de todos os outros, dos exércitos ou dos governos, das Nações Unidas ou das nações nacionalistas desunidas, dos papas ou dos bispos, dos políticos ou dos economistas, dos mass media ou dos educadores, de todos enfim, menos da minha honesta e pacífica pessoa, sentada ao canto da minha lareira ou a cultivar o meu jardim…
Pois bem: a Paz – e também consequentemente a guerra – depende de ti. De ti, multiplicado evidentemente por milhões. Mas, cuidado, não vás já alienar-te nos milhões, alienar-te agora nos milhões de boas pessoas à tua imagem, como antes nos governos ou nos exércitos ou nos bispos!...
De ti, de cada indivíduo, multiplicado por milhões, sem dúvida. Mas, se não desmultiplicamos esses milhões, se não reduzimos essas massas humanas às unidades, ao indivíduo, à consciência humana, à responsabilidade pessoal, numa palavra, se não responsabilizamos o coletivo, para que falar aqui, para que falar em Igreja inerme, para que tratar de fé e de moral?!

A paz depende de ti. Homilia do Dia Mundial da Paz de 1 de Janeiro de 1974


3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 4ª semana:.
Acho que a paz só depende dos outros, daqueles que ocupam cargos de poder ou de responsabilidade na sociedade? Ou estou disposto/a a fazer a minha parte para a construção da Paz? Como penso que o posso fazer?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS: Como aprofundar os direitos que se querem universais?

Sem o “espírito de fraternidade”, corro o risco de defender (apenas) os meus direitos individuais, deixando desvanecer assim o seu caráter universal. (Andreas Lind)

Foi a 10 de dezembro de 1948 que a Assembleia Geral das Nações Unidas, num contexto marcado pelas feridas e pelo rescaldo de duas guerras à escala global, proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). 70 anos depois, cabe-nos a nós avaliar, aprofundar e tornar mais efetiva tal Declaração no mundo atual.

Por um lado, parece haver um consenso alargado quanto ao facto de muitas das ambições da DUDH ainda estarem por cumprir. Afinal, como se afirma no Preâmbulo da Declaração, trata-se de um “ideal comum” ao torno do qual devemos unir esforços de forma a que a dignidade de cada um seja respeitada o mais possível. No entanto, emergem, por outro lado, opiniões diametralmente opostas sobre possíveis alargamentos dos direitos universais. Há quem queira incluir, a título de exemplo, a identidade de género ou o aborto como um direito universal, quando outros consideram tais ‘direitos’ contrários à dignidade da pessoa humana (ao ter sobretudo em conta o 3º artigo da DUDH: “Todo o indivíduo tem direito à vida”).

Nesse sentido, parece-me importante aprofundar a questão de saber até que ponto os direitos humanos, solenemente proclamados, serão mesmo universais? Trata-se, por outras palavras, da questão de saber o que significa a universalidade de um direito.

A questão pode parecer redundante, até porque o artigo que inaugura a DUDH é explícito quanto ao significado de universal: “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade.” Contudo, para que se possa avaliar e aprofundar a DUDH, desde a sua origem, nos seus avanços e recuos, de forma a projetar o futuro, torna-se imperioso que se precise bem a resposta a esta questão. [+]

Ponto SJ

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

THE MOTIVES FOR MEANINGFUL PEACE WORK

By Fr. Paul Lansu
Senior Policy Advisor, Pax Christi International

Catholic social teaching provides a critical framework from where to search values and norms and to contribute to justice, peace and care for the creation. The social ideas of the Church, which have developed over decades, offer an almost inexhaustible richness of points of reference for peace work. Especially concerning the four most prominent (international) areas of attention: peace/security, human rights, development and climate. Within the broader political framework, international law and especially international humanitarian law are applicable.

Human dignity

Catholic social teaching has the dignity of each individual as its point of departure. Each person is unique. Moreover, life in solidarity is people’s calling. Solidarity refers mostly to taking responsibility together for each person’s dignity, whatever his/her identity and so-called social status. Catholic social thought is universal in nature. Transnational problems will ask for transnational answers, especially in these times of globalisation.

Serving the common good

Living in solidarity entails striving for the common good, or the ‘bonum commune’, together. Society should develop in harmony with every person and his/her environment, and to everybody’s content. Solidarity calls for tangible acts. It is time for action. Every person deserves help, especially in situations of war or other need, such as people on the run.

As a human being, one inevitably lives in the company of others, both locally and globally. Society belongs to everyone and people thus live in a participatory manner. The social fabric in which people live has both local and international characteristics. That social fabric should be, or is, the medium for life in peace and harmony with other people and our surroundings.

Options for the poor and weakest

People are part of different social networks: family, upbringing, culture, religion, career, etc. The (shared) responsibility for social/public life lies with people themselves in the first place.

This kind of thinking requires making choices regularly. It requires prioritising the most weak and the poorest and simultaneously it requires redistribution of wealth. A social safety net should take up the delicate. It is not possible to live in freedom without there being some form of social protection.

Globalisation often results in inequality between countries and societies. It is necessary to eliminate large inequalities between people and between populations. We must develop the earth and her society in a responsible way as much as possible. The UN’s Sustainable Development Goals are a frame of reference for this as well. [+]

PEACE STORIES
A project of Pax Christi International, the global Catholic movement for peace

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sábado, 15 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

D. MANUEL DA SILVA MARTINS (20 de janeiro de 1927 – 24 de setembro de 2017) foi o primeiro bispo da diocese de Setúbal e o primeiro Presidente da Secção Portuguesa da Pax Christi.
Em Setúbal, para onde foi nomeado bispo em 26 de outubro de 1975, encontrando um clima social marcado pela instabilidade e por todo o tipo de carências, procurou comungar vivamente a vida daquele povo, como proclamou no momento da sua ordenação: «Nasci bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal. Aqui anunciarei o Evangelho de Cristo – isto é, a justiça, a paz, o amor».
Com uma presença muito ativa, exerceu a sua ação pastoral, até 24 de abril de 1998, numa vertente de serviço sobretudo aos mais carentes e marginalizados.



2. Reflexão

A Igreja desculpa-se quando é interpelada sobre as suas obrigações nesta sociedade. Diz que tem cumprido o seu dever, mas entende-o apenas como o “dar de comer a quem tem fome”. Tem-lhe faltado uma coisa que é muito importante, que é apontar as causas da fome e denunciá-las sem medo. Mas se calhar a Igreja está comprometida com muita coisa, com o Governo que dá dinheiro para o seminário, com o presidente da Câmara que dá dinheiro para uma obra... Está comprometida com o poder e tem-se esquecido um bocadinho da sua dimensão profética, que é a de denunciar com coragem e sem medo as causas e os causadores da situação que vivemos. O Papa Francisco disse que prefere uma Igreja mergulhada no mundo, do que uma Igreja bonequinha, muito bem tratadinha dentro de uma redoma.

Entrevista ao Expresso, por ocasião dos 40 anos do 25 de Abril (2014)


3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 3ª semana:.
Como desempenho o meu papel na Igreja? A Igreja, a Comunidade é para mim um refúgio, o local onde me abrigo para esquecer os problemas do mundo? Ou, pelo contrário, é uma fonte de inspiração e de coragem para me ajudar a “mergulhar” no mundo?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Declaração da Pax Christi Internacional a propósito do 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Today marks the 70th anniversary of the Universal Declaration on Human Rights (UDHR), which was adopted by the UN General Assembly on 10 December 1948. A milestone document, it enumerated, for the first time, a universal core of human rights that, as agreed upon, guaranteed the fundamental rights of every individual. The declaration is an essential component to our present-day foundation of human rights protection. For 70 years, the UNDR has served as a roadmap for the advancement of human rights around the world.

The promotion and the protection of human rights, such as those recognised in the UDHR, are at the very heart of Pax Christi International’s work as a global peace and nonviolence movement. Through activities grounded in the belief of the power of nonviolence, our member organisations and partners educate people and communities about their human rights, promote services to ensure that their human rights will be met, and cooperate with - as well as pressure - decision-makers to respect and advance human rights through their actions. The UDHR has truly served as a catalyst for human rights advancement at the local, national, regional and international level benefiting many of the people and communities with whom we work.

Pax Christi International believes that this anniversary should serve not only as a moment to celebrate the achievements of the UDHR but also as a pivotal time to examine the current challenges for its implementation. We have become acutely aware from our partners and friends that human rights and those who seek to protect them are increasingly under attack. The tireless guardians of these universal rights are faced with a shrinking space in which to do their work. Yet despite these challenges, we remain hopeful because human rights defenders, environmental and disarmament activists remain steadfast in their nonviolent struggle for human rights. [+]

Pax Christi Internacional

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

IS MIGRATION THE “MOTHER OF ALL PROBLEMS”?

By Fr. Paul Lansu
Senior Policy Advisor, Pax Christi International

Europe is now home to people from all over the world. In most European countries, we see the increase of rejection of new foreign citizens in Western society. Anti-migration sentiments are growing. In the south and east negative attitudes prevailed. In Italy for instance, one in every two persons perceive migration as a problem. Several European countries have built fences and barriers at their borders playing on people’s fear of foreign threats and focusing on the dangers from immigration of terrorism. Recent elections in different EU states demonstrate that concerns surrounding migration and asylum continue to dominate the public space, shape national, and EU politics. Extremist (right wing) political parties are winning votes massively.

Migration remains the biggest challenge and is a debatable issue both in public opinion as well as in politics. Is this question the mother of all problems? Negative perceptions of “outsiders” have caused divisions not just between countries, but also within communities, political parties, the media, at street level, even within families. This topic will make a big difference in the next EU elections in May 2019.

Unhappiness characterizes modern man. Many people experience living in a chaotic world. Fear of innovation is the result of this. Determining or confronting other customs and cultures gives rise to resistance, even hatred and racism. Because the “stranger” is now also visible in the small cities and municipalities, the fear of migration is growing. It all became so unexpectedly and chaotic, loss of political control. Emotions are put to the test. Hosting in my neighbourhood refugees of different cultural and religious backgrounds is a sensitive issue. The fact that refugees/migrants want to go to places where they are among themselves is understandable but that does not help the integration. Ghettos should be prevented.

Some politicians use the rhetoric of keeping and “kicking migrants out.” That can result in criminalising these people. Even Prime Ministers or Presidents of EU member states use xenophobic rhetoric and hate speech against migrants and refugees. That behaviour is observable within authoritarian populist leaderships in Europe. The microphone of xenophobia is often the megaphone of a loud minority. [+]

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A project of Pax Christi International, the global Catholic movement for peace

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sábado, 8 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

MARIA DE LURDES PINTASILGO (18 de janeiro de 1930 – 10 de julho de 2004) foi a primeira mulher (a única até ao momento presente) a assumir o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo liderado o V Governo Constitucional, de 31 de julho de 1979 a 3 de janeiro de 1980.
Ainda muito jovem, pela sua participação no movimento católico português e internacional, alcançou grande notoriedade. Esse protagonismo, associado à sua sensibilização pelas questões sociais, conduziu-a ao envolvimento político tendo uma participação constante na política institucional em Portugal.
A justiça social, a intervenção das mulheres na sociedade e a dimensão internacional de todas as questões foram as suas causas.



2. Reflexão

A uma ética da justiça – em que se funda e a que se limita no seu melhor a democracia existente – há que justapor a ética do cuidado.
Enquanto a ética da justiça constrói todo o edifício político sobre o ser humano como sede de direitos, a ética do cuidado toma em linha de conta a posição eminentemente realista de que o ser humano também é um ser de vulnerabilidades que, em numerosas situações, o impedem de se erguer para defender os seus direitos. (…)
Uma ética do cuidado pode dar um novo ponto de partida ao papel do Estado em relação às verdadeiras prioridades políticas de sociedades em que a pessoa humana deve ser o centro e o fim último de toda decisão política (…).
Não bastará então acrescentar piedosamente à democracia política a democracia social, económica e cultural. Haverá, sim, que construir a democracia simultaneamente sobre a justiça e sobre o cuidado, sobre os direitos e sobre as responsabilidades.

Cuidar o futuro (2000)


3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 2ª semana:
O que significa para mim a intervenção política e democrática? Considero a dimensão política uma forma de intervir na sociedade dando testemunho de uma ética de justiça e do cuidado? Ou, pelo contrário, acho que a intervenção política e democrática são perda de tempo e esforço inglório? Como estou disposto/a a lutar pelos direitos de todas e de todos com justiça e cuidado?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Manual para fazer a paz: ​Missa do Papa Francisco em Santa Marta

Com o estilo humilde dos artesãos, «viver em paz com a nossa alma, em casa com a família, na escola, no trabalho, no bairro»: eis o compromisso prático para o Advento — um verdadeiro manual para construir a paz no dia a dia, com exame de consciência para todos, incluindo as crianças — sugerido por Francisco na missa celebrada a 4 de dezembro em Santa Marta.

Para esta reflexão sobre a paz, o Papa realçou que na primeira leitura, tirada de Isaías (11, 1-10), «há uma promessa dos tempos, quando o Senhor vier: o povo esperava a vinda do Salvador, do Libertador, do Senhor — explicou — e o profeta diz como será aquele tempo, quando Ele vier». E «afirma que tudo estará em paz, o Senhor fará a paz».

Em particular, observou Francisco, o profeta «descreve esta paz com imagens que parecem um pouco bucólicas, mas bonitas: haverá tanta paz que “o lobo estará com o cordeiro, a pantera deitar-se-á ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino guiá-los-á; a vaca e o urso fraternizar-se-ão, as suas crias deitar-se-ão juntas e o leão alimentar-se-á de palha, como o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte”».

Diante deste texto, prosseguiu o Papa, questionamo-nos se isto «será possível». Na realidade, afirmou, Isaías «quer dizer que a paz do Senhor é capaz de transformar a vida e a história, e Jesus é chamado precisamente príncipe da paz porque vem trazer esta paz, oferecer-nos esta paz».

«O tempo de Advento é para nos preparamos em vista desta vinda do Príncipe da paz», insistiu o Pontífice. É, pois, «um tempo para nos pacificarmos: antes de tudo, com nós mesmos, pacificar a alma», porque «muitas vezes não estamos em paz; somos ansiosos, angustiados, sem esperança, e a pergunta que o Senhor nos dirige é: “Como está a tua alma hoje, está em paz?” — “Não sei” – “Mas olha, se não está em paz, começa a percorrer este caminho para a pacificar” — “Mas não posso”». Contudo «Ele pode», afirmou o Papa, convidando a pedir «a Ele que te pacifique: o Príncipe da paz pacifica a alma».

Eis que, observou Francisco, «o primeiro passo deste tempo de Advento consiste em pacificar a própria alma». Na realidade, «estamos habituados a olhar para a alma dos outros: “Mas olha o que ele, ela, faz”». Ao contrário, devemos olhar para a nossa alma e interrogar-nos: «Como estás? O que sente o teu coração? Está em paz? Estás zangado, zangada? És ansioso, ansiosa?». Assim, «pede ao Senhor a graça de pacificar a alma, preparando-te para o encontro com Ele».

«Outra realidade a pacificar é a casa», disse o Pontífice, sugerindo que nos perguntemos: «Como está a paz em casa?». É preciso sempre «pacificar a família: há muitas tristezas na família, muitas lutas, tantas pequenas guerras, às vezes uma grande desunião». Assim, «não há paz: um contra o outro, ou desafia o outro». Por isso, propôs Francisco, «cada um se interrogue: como está a minha família, em paz ou em guerra, unida ou desunida? Existem muitas pontes entre nós, ou muros que nos separam?». O objetivo é «pacificar a família».

É preciso também alargar os horizontes para «observar o mundo — convidou o Papa — e ver que há mais guerra que paz: há muitas guerras, desunião, ódio, exploração. Não há paz». Mas «que faço para construir a paz no mundo?». Poderíamos justificar-nos, dizendo que «o mundo está demasiado distante». Então, o Pontífice convidou a verificar «o que faço para construir a paz no bairro, na escola, no lugar de trabalho: encontro sempre um pretexto para entrar em guerra, para odiar, para falar mal dos outros? Isto significa fazer guerra! Sou manso? Procuro construir pontes? Não condeno?». É uma questão que se refere também às crianças, às quais é preciso perguntar: «na escola, quando há um companheiro, uma companheira da qual não gostas, é um pouco odioso ou fraco, fazes bullying ou fazes a paz, procuras fazer a paz? Perdoas tudo?». O estilo deve ser o dos «artesãos de paz» e «é preciso este tempo de Advento, de preparação para a vinda do Senhor, que é o Príncipe da paz».

«E a paz — explicou Francisco — vai sempre em frente, nunca se detém, chega a um ponto e dá mais um passo de paz, outro passo de paz: é fecunda». Mais ainda, «a paz parte da alma e volta para a alma, depois de ter percorrido este caminho de pacificação». Por isso, «fazer a paz é um pouco imitar Deus, quando quis fazer a paz connosco e nos perdoou, enviando-nos o seu Filho para fazer a paz, para ser o Príncipe da paz».

Todos estão chamados a ser artífices de paz. Talvez, sugeriu o Papa, «alguém possa dizer: “padre, não estudei como se faz a paz, não sou uma pessoa culta, não sei, sou jovem, não sei”». Mas é o próprio Jesus, no trecho evangélico de Lucas, proposto pela liturgia (10, 21-24), quem nos diz «qual deve ser a atitude: “Pai, Senhor do céu e da terra, dou-te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”». Talvez, reiterou o Papa, «não tenhas estudado, não sejas sábio», mas «faz-te pequenino, humilde, servo dos outros: faz-te pequenino e o Senhor dar-te-á a capacidade de entender como se faz a paz e a força para a concretizar».

«Viver em paz com a nossa alma, em casa com a família, na escola, no trabalho, no bairro, viver em paz, tal será a oração deste tempo de Advento», sugeriu Francisco. Trata-se de «pacificar, fazer a paz com humildade». E «cada vez que vemos que há a possibilidade de uma pequena guerra, quer em casa, quer no meu coração, na escola, no trabalho, paremos e procuremos fazer a paz». Sobretudo «nunca firamos o outro, nunca». E o primeiro passo «para não ferir o próximo» é precisamente «não falar mal dos outros, não disparar o primeiro tiro de canhão». Convicto de que, «se todos nós fizéssemos só isto — não falar mal do próximo — a paz progrediria».

«Que o Senhor nos prepare para o Natal do Príncipe da paz», concluiu o Papa. Mas, acrescentou, «que nos prepare, levando-nos a fazer tudo o que nos compete para pacificar: pacificar o meu coração, a minha alma, a minha família, a escola, o bairro, o lugar de trabalho». E para sermos assim, verdadeiramente «homens e mulheres de paz!».

L'Osservatore Romano

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A guerra, origem e essência antropológica e ética

Habitualmente, define-se a guerra como algo não apenas de não-político, mas, na transcendentalidade do político, como algo que diz respeito a grandes massas humanas: povos, nações, estados, países.

Aparentemente, salvo o especial relevo de certos heróis combatentes, como, por exemplo, um Alexandre Magno ou um Nuno Álvares Pereira, a guerra ignora o indivíduo humano, a pessoa singular, cuja ação própria como que se perde no seio de uma ação conjunta de grandes números de seres humanos.

Estas características supostamente evidentes não são algo de moderno, como certas reflexões sobre as grandes guerras do século vinte podem fazer parecer, mas encontram-se presentes nos relatos historiográficos que até nós chegaram. O caráter humano maciço em termos de números envolvidos, bem como o caráter institucional das guerras é verificável já em textos tão antigos quanto os relativos à cultura egípcia, por exemplo, nas suas relações com povos vizinhos; o mesmo se diga da própria Bíblia.

É esta a ideia comum que se tem da guerra.

Ora, nada mais errado quanto ao que constitui a essência da guerra, que, se bem que possa envolver grandes massas de seres humanos, não tem necessariamente de o fazer. E não tem de o fazer porque a sua causa não diz respeito às grandes massas humanas, mas ao modo como cada ser humano, cada pessoa, age na relação com o outro ser humano, com a outra pessoa, com as outras pessoas. [+]

Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

A wall without a future: Israelis and Palestinians live in two different worlds

By Fr. Paul Lansu
Senior Policy Advisor, Pax Christi International

The border wall between Israel and the West Bank is among the most forbidding and hostile in the world. Viewed from up close, whichever side you find yourself on, it rears up from the ground, overwhelming and dominating you. It is dispiriting, intimidating, oppressive, and otherworldly. On each side of the wall lives a different people. It is a monument to one of the world’s most intractable disputes.

I have been following the Israeli – Palestinian conflict since 1981. The conflict became increasingly complicated and, above all, unworthy. However, I could never believe that from 2002 on (during the Second Intifada) a wall would be built by Israel between the two communities. Since then I have been able to follow the construction of the wall, which has recently been completed and built on Palestinian territory. The divisions between Israel and Palestine are well established. You have to cross checkpoints in order to get in the other community, if you are allowed to do so. I regret that some visitors of the Holy Land look at the wall as “conflict tourists.” [+]


PEACE STORIES. A project of Pax Christi International, the global Catholic movement for peace

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sábado, 1 de dezembro de 2018

ADVENTO 2018: 1ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

ARISTIDES DE SOUSA MENDES (19 de julho de 1885 – 3 de abril de 1954) foi um diplomata português, que desempenhava funções de cônsul de Bordéus em França no início da Segunda Guerra Mundial.
De 16 a 23 de junho de 1940, guiando-se pelos imperativos da sua consciência, trabalhou incessantemente na emissão de vistos a refugiados, na sua maioria judeus, que fugiam duma França ocupada pelos alemães, desobedecendo à ordem do Governo português que proibia a emissão de vistos ou documentos que permitissem atravessar território nacional.
Pela sua ação humanitária em Bordéus, devido à qual morreu na miséria, em 1966 o Yad Vashem, Memorial do Holocausto em Jerusalém, prestou-lhe homenagem atribuindo-lhe o título de “Justo entre as Nações”, título oficial dado a não-judeus que tenham arriscado a vida para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.



2. Reflexão

Realmente desobedeci, mas a minha desobediência não me desonra. Não cumpri instruções que significavam, a meu ver, perseguição a verdadeiros náufragos que procuravam a todo o custo salvar-se da sanha hitleriana. Acima dessas instruções, estava para mim a lei de Deus e foi essa que eu procurei cumprir, sem hesitações, nem cobardias de poltrão. O verdadeiro valor da religião cristã está no amor do próximo e eu, sendo cristão, não podia fugir do seu império.

Carta a Adelino da Palma Carlos. 17 de julho 1941


3. Gesto de Paz

Acende-se a PRIMEIRA VELA da Coroa do Advento.

Proposta para refletir durante a 1ª semana:
Quando tenho de tomar uma decisão importante na minha vida qual o primeiro critério que me guia: A opinião dos que me rodeiam? As convenções sociais? Ou procuro seguir a Lei de Deus e os valores cristãos?


4. Oração

1. Senhor, Deus de Paz e de Amor, que nos envias como mensageiros e testemunhas de justiça e de paz, dá-nos a força e a coragem para sermos cada dia artesãos de um mundo que seja uma casa justa e pacífica para toda a humanidade.

Todos: Senhor, ouve a nossa prece e realiza a tua promessa dando-nos uma paz sem fim.


5. Bênção

1. A paz de Deus, que está acima de toda a inteligência, guarde os nossos corações e os nossos pensamentos em Cristo Jesus.

Todos: Ámen.


In: Veio anunciar a boa nova da paz (Ef 2,17). Contributos para a celebração do Advento 2018. Esta brochura está disponível online aqui.

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