a OBSERVATÓRIO DA PAX: Dezembro 2013

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Viver como irmãos e irmãs, fundamento e caminho para a paz. Contributos para a Celebração do 47º Dia Mundial da Paz

No âmbito da celebração do 47º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco, na sua primeira mensagem para este dia, convida-nos a reflectir sobre o tema "Fraternidade, fundamento e caminho para a paz".

Pretendendo contribuir para a celebração deste dia dedicado a esse bem e direito humano fundamental, que é a paz, dom de Deus e, ao mesmo tempo, um projeto a realizar, nunca totalmente cumprido, a Pax Christi Portugal produziu a brochura "Viver como irmãos e irmãs, fundamento e caminho para a paz. Contributos para a Celebração do 47º Dia Mundial da Paz. 1 de Janeiro 2014".

Para ajudar a aprofundar a mensagem do Papa Francisco, da brochura fazem parte uma série de propostas de campanhas para a construção de um mundo mais fraterno.Também pode encontrar na brochura sugestões para atividades para assinalar o dia e usar o tema, ideias para trabalhar com crianças, bem como uma colectânea de orações.

Pode descarregar a brochura em dois formatos para impressão: Livro dobrado ou A5 simples.

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Papa Francisco pede a crentes e não crentes que se unam pela «oração» e pelo «desejo» a favor da paz

MENSAGEM URBI ET ORBI
DO PAPA FRANCISCO

NATAL 2013

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013 


«Glória a Deus nas alturas
e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal!

Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz.

Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever.

Glória a Deus.

A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo.

Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos.

Paz aos homens.

A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo.

Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas!

Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz.

Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado.

Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados.

Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa.

Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância.

Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão.

Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus.

Vatican.va


Vídeo: CTV
Edição e legendagem: rjm / SNPC

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sábado, 21 de dezembro de 2013

ADVENTO 2013: 4º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação 

À medida que a história da salvação avança, o homem descobre que Deus quer fazer a todos participar como irmãos da única bênção, que encontra a sua plenitude em Jesus, para que todos se tornem um só. O amor inexaurível do Pai é-nos comunicado em Jesus, também através da presença do irmão. A fé ensina-nos a ver que, em cada homem, há uma bênção para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina através do rosto do irmão. 

PAPA FRANCISCO – Lumen fidei,n. 54 


2. Reflexão 

Quando o homem pensa só em si mesmo, nos seus próprios interesses e se coloca no centro, quando se deixa fascinar pelos ídolos do domínio e do poder, quando se coloca no lugar de Deus, então deteriora todas as relações, arruína tudo; e abre a porta à violência, à indiferença, ao conflito. É exatamente isso o que nos quer fazer compreender o trecho do Génesis em que se narra o peca-do do ser humano: o homem entra em conflito consigo mesmo, percebe que está nu e esconde-se porque sente medo (Gn 3,10); sente medo do olhar de Deus; acusa a mulher, aquela que é carne da sua carne (v. 12); rompe a har-monia com a criação, chega a levantar a mão contra o seu irmão para matá-lo. Podemos dizer que da harmonia se passa à “desarmonia”? Podemos dizer isso: que da harmonia se passa à desarmonia? Não, não existe a “desarmonia”: ou existe harmonia ou se cai no caos, onde há violência, desavença, confronto, medo...
É justamente neste caos que Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está Abel, teu irmão?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Gn 4,9). Esta pergunta também se dirige a nós, e também nos fará bem perguntarmo-nos: Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa humana significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se rompe a harmonia, dá-se uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar transforma-se em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir daquele momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! […] E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão.

PAPA FRANCISCO – Homilia na Vigília de Oração pela Paz. 7 de setembro de 2013, n. 2 


3. Gesto de Paz 

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento. 

A história das relações humanas é feita de rompimentos que quebram a harmonia e provocam lutas e conflitos. Na nossa vida onde temos encontrado essas situações de conflito, de inveja, de luta pelo poder? Identifiquemos uma situação destas em que estejamos envolvidos: sendo nós o alvo (a vítima), ou os causadores do conflito, ou ainda apenas testemunhas passivas. Como podemos alterar a situação e com a ajuda de quem? Podemos promover um encontro entre todos para analisar a situação? Podemos falar com alguém que possa contribuir para a sua resolução? Podemos simplesmente acompanhar a(s) vítima(s) e dar-lhes apoio? Está na altura de o fazer!


4. Oração

1. Bom Deus, que nos deste a tua Paz, permite-nos partilhá-la com quem está à nossa volta para que o amor e a harmonia estejam sempre presentes nas nossas vidas, para que todo o mundo seja feliz, para que possamos viver dignamente e como irmãos e para que todos se alegrem na tua presença.

Todos: Unidos na diversidade, invocamos a tua Graça Infinita e com humildade suplicamos-te que recebas a nossa oração e nos convertas em instrumentos da tua Paz.


5. Bênção

1. No meio da ira, da violência e da decepção; no meio de guerras e destruição da terra, o Senhor nos mostre a sua luz e nos conceda a força para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz.

Todos: Ao Senhor, nosso Deus, que dirige palavras de paz ao seu povo e a todos os que a Ele se convertem de coração sincero, seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Ámen.


In: Reconstruamos a casa da harmonia e da paz! Contributos para a celebração do Advento 2013. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 14 de dezembro de 2013

ADVENTO 2013: 3º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação 

A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos. Sem um amor fiável, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria concebível apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjugação dos interesses, o medo, mas não sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presença do outro pode gerar. 

PAPA FRANCISCO – Lumen fidei,n. 51 


2. Reflexão 

O que manda hoje não é o homem, mas o dinheiro, é o dinheiro que manda! E Deus, nosso Pai, confiou a tarefa de conservar a terra não ao dinheiro, mas a nós: aos homens e às mulheres; somos nós que temos esta tarefa! No entanto, homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo: é a «cultura do descarte». Se um computador se quebra é uma tragédia, mas a pobreza, as necessidades e os dramas de numerosas pessoas acabam por entrar na normalidade. […] Não pode ser assim! E no entanto estas situações entram na normalidade: que algumas pessoas sem-abrigo morram de frio na rua, isto não é notícia. Ao contrário, numa diminuição de dez pontos na bolsa de valores de algumas cidades constitui uma tragédia. Alguém que morre não é notícia, mas se a bolsa de valores diminui dez pontos é uma tragédia! Assim, as pessoas são descartadas, como se fossem lixo.
Esta «cultura do descarte» tende a tornar-se a mentalidade comum, que contagia todos. A vida humana, a pessoa já não é considerada um valor primário a respeitar e salvaguardar, especialmente se é pobre ou deficiente, se ainda não é útil - como o nascituro - ou se deixou de servir - como o idoso. Esta cul-tura do descarte tornou-nos insensíveis também aos desperdícios e aos restos alimentares, que são ainda mais repreensíveis quando em todas as partes do mundo, infelizmente, muitas pessoas e famílias sofrem fome e subalimentação. Outrora, os nossos avós prestavam muita atenção a não descartar nada da comida que sobejava. O consumismo induziu-nos a habituar-nos ao supérfluo e ao esbanjamento quotidiano de alimentos, aos quais às vezes já não somos capazes de atribuir o justo valor, que vai além dos meros parâmetros económicos. Recordemos bem, porém, que a comida que se deita fora é como se fosse roubada da mesa de quem é pobre, de quem tem fome!

PAPA FRANCISCO – Audiência Geral. 5 de junho de 2013 


3. Gesto de Paz 

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento. 

Quem são para nós as pessoas descartáveis? Ninguém? Provavelmente até nos revolta só a ideia de considerar “pessoas descartáveis”. Mas porque achamos que nada podemos fazer ou que há instituições para assumir a tarefa de cuidar dessas pessoas, nada fazemos! Assumamos o compromisso de dar um pouco do nosso tempo, da nossa comida, da nossa atenção a essas pessoas que têm menos, que estão sós. Não custa muito levar um pouco mais de comida para partilhar na escola ou no trabalho, ou passar a visitar alguém que está só, ou fazer voluntariado numa instituição.


4. Oração

1. Bom Deus, que nos deste a tua Paz, permite-nos partilhá-la com quem está à nossa volta para que o amor e a harmonia estejam sempre presentes nas nossas vidas, para que todo o mundo seja feliz, para que possamos viver dignamente e como irmãos e para que todos se alegrem na tua presença.

Todos: Unidos na diversidade, invocamos a tua Graça Infinita e com humildade suplicamos-te que recebas a nossa oração e nos convertas em instrumentos da tua Paz.


5. Bênção

1. No meio da ira, da violência e da decepção; no meio de guerras e destruição da terra, o Senhor nos mostre a sua luz e nos conceda a força para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz.

Todos: Ao Senhor, nosso Deus, que dirige palavras de paz ao seu povo e a todos os que a Ele se convertem de coração sincero, seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Ámen.


In: Reconstruamos a casa da harmonia e da paz! Contributos para a celebração do Advento 2013. Esta brochura está disponível online aqui.

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz 2014

MENSAGEM DO SANTO PADRE 
FRANCISCO 
PARA A CELEBRAÇÃO DO 
 XLVII DIA MUNDIAL DA PAZ 

1º DE JANEIRO DE 2014 


FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ 

1. Nesta minha primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz, desejo formular a todos, indivíduos e povos, votos duma vida repleta de alegria e esperança. Com efeito, no coração de cada homem e mulher, habita o anseio duma vida plena que contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar.

Na realidade, a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.

O número sempre crescente de ligações e comunicações que envolvem o nosso planeta torna mais palpável a consciência da unidade e partilha dum destino comum entre as nações da terra. Assim, nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. Contudo, ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos factos, num mundo caracterizado pela «globalização da indiferença» que lentamente nos faz «habituar» ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos.

Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos. Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas.

A globalização, como afirmou Bento XVI, torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos.[1] As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta.

Ao mesmo tempo, resulta claramente que as próprias éticas contemporâneas se mostram incapazes de produzir autênticos vínculos de fraternidade, porque uma fraternidade privada da referência a um Pai comum como seu fundamento último não consegue subsistir.[2] Uma verdadeira fraternidade entre os homens supõe e exige uma paternidade transcendente. A partir do reconhecimento desta paternidade, consolida-se a fraternidade entre os homens, ou seja, aquele fazer-se «próximo» para cuidar do outro. (Mais ...)

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

D. Manuel Martins recebe Prémio Bastonário Ângelo D’Almeida Ribeiro 2013

A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados (OA) atribuiu o Prémio Bastonário Ângelo D’Almeida Ribeiro 2013 ao bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, durante a Sessão Comemorativa do 65º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, no dia 10 de Dezembro, no Salão Nobre da OA, em Lisboa. (Mais ...)

Agência Ecclesia

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Conferência "Atualidade das comunidade cristãs no Médio Oriente"


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sábado, 7 de dezembro de 2013

ADVENTO 2013: 2º DOMINGO DO ADVENTO

1. Ambientação 

[A] fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos reconhecer nela uma gramática escrita por Ele e uma habitação que nos foi confiada para ser cultivada e guardada; ajuda-nos a encontrar modelos de progresso, que não se baseiem apenas na utilidade e no lucro mas considerem a criação como dom, de que todos somos devedores […]. 

PAPA FRANCISCO – Lumen fidei,n. 55 


2. Reflexão 

Quando falamos de meio ambiente, da criação, vêm ao meu pensamento as primeiras páginas da Bíblia, o Livro do Génesis, onde se afirma que Deus colo-cou o homem e a mulher na terra, para que a cultivassem e conservassem (cf. 2,15). E em mim surgem estas perguntas: O que quer dizer cultivar e conservar a terra? Estamos verdadeiramente a cultivar e a conservar a criação? Ou esta-mos a explorá-la e a descuidá-la? O verbo «cultivar» faz vir à minha mente o cuidado que o agricultor tem pela sua terra, a fim de que dê fruto e este seja compartilhado: quanta atenção, paixão e dedicação! Cultivar e conservar a criação é uma indicação de Deus, dada não só no início da história, mas a cada um de nós; faz parte do seu projeto; significa fazer crescer o mundo com res-ponsabilidade, transformá-lo para que seja um jardim, um lugar habitável para todos. […]. Nós, ao contrário, somos frequentemente levados pela soberba do domínio, da posse, da manipulação e da exploração; não a «conservamos», não a respeitamos e não a consideramos como um dom gratuito do qual cuidar. Estamos a perder a atitude do encanto, da contemplação, da escuta da criação; e assim já não conseguimos entrever nela aquilo que Bento XVI chama «o ritmo da história de amor de Deus com o homem». Por que acontece isto? Porque pensamos e vivemos de modo horizontal, afastamo-nos de Deus, não lemos os seus sinais.

PAPA FRANCISCO – Audiência Geral. 5 de junho de 2013 


3. Gesto de Paz 

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento. 

Como símbolo da nossa vontade de cuidar da Criação e transformar o mundo num jardim vamos, cada um, plantar uma semente ou um bolbo num vaso e cuidar bem dela/e para que floresça. Teremos assim mais uma oportunidade de contemplar e encantar-nos com a beleza da Criação através da beleza da planta e/ou flor, transpondo para a nossa vida essa capacidade de encantamento com as coisas mais simples.


4. Oração

1. Bom Deus, que nos deste a tua Paz, permite-nos partilhá-la com quem está à nossa volta para que o amor e a harmonia estejam sempre presentes nas nossas vidas, para que todo o mundo seja feliz, para que possamos viver dignamente e como irmãos e para que todos se alegrem na tua presença.

Todos: Unidos na diversidade, invocamos a tua Graça Infinita e com humildade suplicamos-te que recebas a nossa oração e nos convertas em instrumentos da tua Paz.


5. Bênção

1. No meio da ira, da violência e da decepção; no meio de guerras e destruição da terra, o Senhor nos mostre a sua luz e nos conceda a força para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz.

Todos: Ao Senhor, nosso Deus, que dirige palavras de paz ao seu povo e a todos os que a Ele se convertem de coração sincero, seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Ámen.


In: Reconstruamos a casa da harmonia e da paz! Contributos para a celebração do Advento 2013. Esta brochura está disponível online aqui.

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Rolihlahla Mandela, 1918 – 2013


Nelson Rolihlahla Mandela, 1918 – 2013



Advogado e líder político sul-africano nascido em Transkei, África do Sul, Nelson Rolihlahla Mandela (18 de Julho de 1918 - 05 de Dezembro de 2013), considerado um guerreiro em luta pela liberdade, foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em 1993, dividido com Frederik Willem de Klerk (1936 - ), pelos esforços desenvolvidos no sentido de estabelecer a democracia, acabando com o regime de segregação racial. (Mais …)




Excerto do discurso de Nelson Mandela no dia de tomada de posse como Presidente Eleito da África do Sul. 
10 de Maio de 1994.

Hoje, através da nossa presença aqui e das celebrações que têm lugar noutras partes do nosso país e do mundo, conferimos glória e esperança à liberdade recém-conquistada. Da experiência de um extraordinário desastre humano que durou demais, deve nascer uma sociedade da qual toda a humanidade se orgulhará.

Os nossos comportamentos diários como sul-africanos comuns devem dar azo a uma realidade sul-africana que reforce a crença da humanidade na justiça, fortaleça a sua confiança na nobreza da alma humana e alente as nossas esperanças de uma vida gloriosa para todos.

Devemos tudo isto a nós próprios e aos povos do mundo, hoje aqui tão bem representados. (...) [A] união espiritual e física que partilhamos com esta pátria comum explica a profunda dor que trazíamos no nosso coração quando víamos o nosso país despedaçar-se num terrível conflito, quando o víamos desprezado, proscrito e isolado pelos povos do mundo, precisamente por se ter tornado a sede universal da perniciosa ideologia e prática do racismo e da opressão racial. [...]

Chegou o momento de transpor os abismos que nos dividem.

Chegou o momento de construir.

Conseguimos finalmente a nossa emancipação política. Comprometemo-nos a libertar todo o nosso povo do continuado cativeiro da pobreza, das privações, do sofrimento, da discriminação sexual e de quaisquer outras. Conseguimos dar os últimos passos em direção à liberdade em condições de paz relativa. Comprometemo-nos a construir uma paz completa, justa e duradoura.

Triunfámos no nosso intento de implantar a esperança no coração de milhões de compatriotas. Assumimos o compromisso de construir uma sociedade na qual todos os sul-africanos, quer sejam negros ou brancos, possam caminhar de cabeça erguida, sem receios no coração, certos do seu inalienável direito a dignidade humana: uma nação arco-íris, em paz consigo própria e com o mundo.

Como símbolo do seu compromisso de renovar o nosso país, o novo governo provisório de Unidade Nacional abordará, com maior urgência, a questão da amnistia para várias categorias de pessoas que se encontram atualmente a cumprir penas de prisão.

Dedicamos o dia de hoje a todos os heróis e heroínas deste país e do resto do mundo que se sacrificaram de diversas formas e deram as suas vidas para que nós pudéssemos ser livres.

Os seus sonhos tornaram-se realidade. A sua recompensa é a liberdade.

Sinto-me simultaneamente humilde e elevado pela honra e privilégio que o povo da África do Sul me conferiu ao eleger-me primeiro Presidente de uma África do Sul unida, democrática, não racista e não sexista. [...]

Mesmo assim, temos consciência de que o caminho para a liberdade não é fácil.

Sabemos muito bem que nenhum de nós pode ser bem-sucedido agindo sozinho.

Por conseguinte, temos que agir em conjunto, como um povo unido, pela reconciliação nacional, pela construção da nação, pelo nascimento de um novo mundo.

Que haja justiça para todos.

Que haja paz para todos.

Que haja trabalho, pão, água e sal para todos.

Que cada um de nós saiba que o seu corpo, a sua mente e a sua alma foram libertados para se realizarem.

Nunca, nunca e nunca mais voltará esta maravilhosa terra a experimentar a opressão de uns sobre os outros, nem a sofrer a humilhação de ser a escória do mundo.

O sol nunca se porá sobre um tão glorioso feito humano.

Que reine a liberdade. Que Deus abençoe África!


Discurso original em: http://www.nelsonmandela.org

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Cáritas vai lançar campanha global contra a fome

A confederação internacional da Cáritas vai lançar na próxima terça-feira, Dia Internacional dos Direitos Humanos, uma campanha internacional contra a fome, intitulada ‘Uma só família humana, alimento para todos’.

A Cáritas Portuguesa associa-se a esta iniciativa e vai apresentar a campanha aos jornalistas, no mesmo dia 10 de dezembro, pelas 09h00, no Centro Cultural Franciscano, em Lisboa.

A iniciativa promovida pela ‘Caritas Internationalis’ conta com o apoio da Conferência Episcopal Portuguesa e tem como objetivo “alertar os governos, as Nações Unidas e todos os cidadãos para o Direito à Alimentação”.

A campanha apela à erradicação da fome no mundo até ao ano de 2025 e vai começar com uma “onda de oração”, desde a ilha de Samoa, que irá percorrer o mundo inteiro envolvendo à mesma hora “todas as organizações Cáritas e muitas outras pessoas, em todos os continentes”.

O presidente da ‘Caritas Internationalis’, cardeal Oscar Rodríguez Maradiaga, afirma numa mensagem que “há comida suficiente para alimentar o planeta” e que é possível “acabar a fome até 2025” com a ajuda da sociedade civil, dos governos e das Nações Unidas.

O Papa Francisco também se vai associar à iniciativa com uma mensagem que será divulgada no dia do lançamento da campanha, em Roma, numa conferência de imprensa com a presença do secretário-geral da Cáritas Internacional, Michel Roy. (Mais ...)

Agência Ecclesia



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