a OBSERVATÓRIO DA PAX: Dezembro 2016

sábado, 31 de dezembro de 2016

Não-violência ativa e criativa: caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 50º Dia Mundial da Paz

No âmbito da celebração do 50º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco convida-nos a refletir sobre o tema "A não-violência: estilo de uma política para a paz".

Pretendendo contribuir para a celebração deste dia dedicado a esse direito humano fundamental, dom de Deus e projeto humano em realização, que é a paz, a Pax Christi Portugal produziu a brochura "Não-violência ativa e criativa: caminho para construir a paz. Contributos para a Celebração do 50º Dia Mundial da Paz".

Dela fazem parte uma seleção de textos para ajudar a aprofundar a mensagem do Papa Francisco, uma coletânea de orações, assim como sugestões para atividades para assinalar o dia e usar o tema durante todo o ano de 2017, ideias para trabalhar com crianças...

Pode descarregar a brochura em dois formatos para impressão: Livro dobrado ou A5 simples.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Pax Christi International Co-President Marie Dennis named Person of the Year by National Catholic Reporter

As 2016 draws to a close, it is easy to catalog a seemingly endless list of suffering that humans have endured this year through wars and acts of terror that continue to rob the globe of peace. The violence that plagues humanity seems limitless in its ability to mutate into new expressions while continuing to stoke the underlying causes: racism, sexism, economic injustice and environmental degradation.
The intractable tragedy of Syria -- the slaughter there and the resulting humanitarian disaster that spills across borders and continents -- is the year’s most disturbing reminder of how inadequate our current structures are at stopping violence.

It is the lot of peace to have to battle the headwinds of violence; the province of the peacemaker to find ways to be heard above the din of the warrior, to make the case for nonviolence against the forces, as Pope Francis has pointed out, who choose war not only for ideological reasons but because they profit from it. Peacemaking is an exhausting calling, but one more essential today than perhaps at any other time in human history.

It is no surprise, then, that one of the central figures stepping into the breach is an unimposing woman whose life’s dedication to peace-building has resulted in an unprecedented conversation at the highest levels of the church.

Marie Dennis, co-president of Pax Christi International, has long known that making peace in today’s world requires not only new ways of acting, but also new ways of seeing and thinking. (Mais ...)

Pax Christi International

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

NATAL 2016: MENSAGEM URBI ET ORBI DO PAPA FRANCISCO

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Hoje, a Igreja revive a maravilha sentida pela Virgem Maria, São José e os pastores de Belém ao contemplarem o Menino que nasceu e jaz numa manjedoura: Jesus, o Salvador.

Neste dia cheio de luz, ressoa o anúncio profético:

«Um menino nasceu para nós,
um filho nos foi dado;
tem a soberania sobre os seus ombros
e o seu nome é:
Conselheiro-Admirável, Deus herói,
Pai-Eterno, Príncipe da Paz» (Is 9, 5).

O poder deste Menino, Filho de Deus e de Maria, não é o poder deste mundo, baseado na força e na riqueza; é o poder do amor. É o poder que criou o céu e a terra, que dá vida a toda a criatura: aos minerais, às plantas, aos animais; é a força que atrai o homem e a mulher e faz deles uma só carne, uma só existência; é o poder que regenera a vida, que perdoa as culpas, reconcilia os inimigos, transforma o mal em bem. É o poder de Deus. Este poder do amor levou Jesus Cristo a despojar-Se da sua glória e fazer-Se homem; e levá-Lo-á a dar a vida na cruz e ressurgir dentre os mortos. É o poder do serviço, que estabelece no mundo o reino de Deus, reino de justiça e paz.

Por isso, o nascimento de Jesus é acompanhado pelo canto dos anjos que anunciam:

«Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Hoje este anúncio percorre a terra inteira e quer chegar a todos os povos, especialmente aos povos que vivem atribulados pela guerra e duros conflitos e sentem mais intensamente o desejo da paz.

Paz aos homens e mulheres na martirizada Síria, onde já demasiado sangue foi versado. Sobretudo na cidade de Alepo, cenário nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes, é tão urgente que, respeitando o direito humanitário, se assegurem assistência e conforto à população civil exausta, que se encontra ainda numa situação desesperada e de grande tribulação e miséria. É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país.

Paz às mulheres e homens da amada Terra Santa, eleita e predileta de Deus. Israelitas e palestinenses tenham a coragem e a determinação de escrever uma página nova da história, onde o ódio e a vingança cedam o lugar à vontade de construir, juntos, um futuro de mútua compreensão e harmonia. Possam reencontrar unidade e concórdia o Iraque, a Líbia e o Iémen, onde as populações padecem a guerra e brutais ações terroristas.

Paz aos homens e mulheres em várias regiões da África, particularmente na Nigéria, onde o terrorismo fundamentalista usa mesmo as crianças para perpetrar horror e morte. Paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo, para que sejam sanadas as divisões e todas as pessoas de boa vontade se esforcem por embocar um caminho de desenvolvimento e partilha, preferindo a cultura do diálogo à lógica do conflito.

Paz às mulheres e homens que sofrem ainda as consequências do conflito no leste da Ucrânia, onde urge uma vontade comum de levar alívio à população e implementar os compromissos assumidos.

Concórdia, invocamos para o querido povo colombiano, que anela realizar um novo e corajoso caminho de diálogo e reconciliação. Tal coragem anime também a amada Venezuela a empreender os passos necessários para pôr fim às tensões atuais e edificar, juntos, um futuro de esperança para toda a população.

Paz para todos aqueles que, em diferentes áreas, suportam sofrimentos devido a perigos constantes e injustiças persistentes. Possa o Myanmar consolidar os esforços por favorecer a convivência pacífica e, com a ajuda da comunidade internacional, prestar a necessária proteção e assistência humanitária a quantos, delas, têm grave e urgente necessidade. Possa a Península Coreana ver as tensões que a atravessam superadas num renovado espírito de colaboração.

Paz para quem foi ferido ou perdeu uma pessoa querida por causa de brutais atos de terrorismo, que semearam pavor e morte no coração de muitos países e cidades. Paz – não em palavras, mas real e concreta – aos nossos irmãos e irmãs abandonados e excluídos, àqueles que padecem a fome e a quantos são vítimas de violência. Paz aos deslocados, aos migrantes e aos refugiados, a todos aqueles hoje são objeto do tráfico de pessoas. Paz aos povos que sofrem por causa das ambições económicos de poucos e da avidez insaciável do deus-dinheiro que leva à escravidão. Paz a quem suporta dificuldades sociais e económicas e a quem padece as consequências dos terremotos ou doutras catástrofes naturais.

E paz às crianças, neste dia especial em que Deus Se faz criança, sobretudo às privadas das alegrias da infância por causa da fome, das guerras e do egoísmo dos adultos.

Paz na terra a todas as pessoas de boa vontade, que trabalham diariamente, com discrição e paciência, em família e na sociedade para construir um mundo mais humano e mais justo, sustentadas pela convicção de que só há possibilidade dum futuro mais próspero para todos com a paz

Queridos irmãos e irmãs!

«Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado»: é o «Príncipe da Paz». Acolhamo-Lo!

Balcão Central da Basílica Vaticana
Domingo, 25 de dezembro de 2016

Vatican.va

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sábado, 17 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 4ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

«José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». […] Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa

Mateus 1,20-21.24


2. Reflexão

Tragicamente, no mundo de hoje mais de 65 milhões de pessoas foram obri-gadas a abandonar os seus lugares de residência. Este número sem preceden-tes supera qualquer imaginação. […] Contudo, se formos além da mera estatís-tica, descobriremos que os refugiados são mulheres e homens, jovens e moças que não são diversos dos membros das nossas famílias e dos nossos amigos. Cada um deles tem um nome, um rosto e uma história, assim como o direito inalienável de viver em paz e de aspirar por um futuro melhor para os próprios filhos. […]
Encorajo-vos a dar as boas-vindas aos refugiados nas vossas casas e comunida-des, de modo que a sua primeira experiência da Europa não seja a traumática de dormir ao frio nas estradas, mas a de um acolhimento caloroso e humano. Recordai-vos que a hospitalidade autêntica é um profundo valor evangélico, que alimenta o amor e é a nossa maior segurança contra as odiosas ações de terrorismo. […] Vós sois olhos, lábios, mãos e coração de Deus neste mundo. […]
Exorto-vos a ajudar a transformar as vossas comunidades em lugares de boas-vindas onde todos os filhos de Deus têm a oportunidade, não simplesmente de sobreviver, mas de crescer, florescer e dar fruto. […]
Pensai na Sagrada Família – Maria, José e o Menino Jesus – na sua longa viagem como refugiados para o Egito, quando fugiam da violência e encontraram abrigo entre os estrangeiros. De igual modo recordai-vos das palavras de Jesus: «Tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era estrangeiro e acolhestes-me» (Mt 25,35).



3. Gesto de Paz

Acende-se a QUARTA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a quarta e última vela da Coroa do Advento, comprometo-me a procurar e conhecer uma família de refugiados ou imigrantes na minha cidade ou bairro e ajudar na sua integração e acolhimento.


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O caminho da não-violência: A seis novos embaixadores o Papa indicou o método para resolver os conflitos

Há um só caminho a percorrer para resolver os conflitos: o da não-violência. O Papa Francisco está tão convicto disto que, depois de o ter indicado na mensagem para o próximo dia mundial da paz, voltou a repropô-lo na manhã de quinta-feira, 15 de dezembro, recebendo seis novos embaixadores acreditados junto da Santa Sé.

Trata-se dos representantes da Suécia, Fiji, Moldávia, Maurício, Tunísia e Burundi – duas mulheres e quatro homens – aos quais o Pontífice recordou que a não-violência é «um exemplo típico de valor universal, que encontra no Evangelho de Cristo o seu cumprimento mas que pertence também a outras nobres e antigas tradições epirituais». Além disso, observou, «num mundo como o atual, marcado por guerras e numerosos conflitos, e também por uma violência difundida, a escolha da não-violência torna-se cada vez mais uma exigência de responsabilidade a todos os níveis»: a educação na família, o compromisso social e civil, a atividade política, as relações internacionais.

Resumindo, esclareceu Francisco, é preciso «rejeitar a violência como método de resolução dos conflitos» para «os enfrentar sempre mediante o diálogo e a negociação». Este método é válido sobretudo para quantos «desempenham cargos institucionais». Inclusive porque o «estilo» da não-violência «não é sinónimo de debilidade nem de passividade mas pressupõe força de ânimo, coragem e capacidade de enfrentar as questões e os conflitos com honestidade intelectual, procurando deveras o bem comum antes e mais do que cada interesse de parte quer ideológico, económico ou político». De resto, no século passado houve muitos «exemplos luminosos do modo como a não-violência, abraçada com convicção e praticada com coerência, pode obter importantes resultados até no plano social e político». A ponto que, disse o Papa, «algumas populações, e até nações inteiras, graças ao compromisso de líderes não-violentos, conquistaram metas de liberdade e de justiça de maneira pacífica».

Eis então a convicção do Pontífice de que «o caminho da paz» nunca pode ser – concluiu – aquele «proclamado por palavras mas de facto negado perseguindo estratégias de domínio, apoiadas por gastos escandalosos com os armamentos, enquanto tantas pessoas permanecem desprovidas do necessário para viver».

Discurso do Papa

L'Osservatore Romano

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

50º DIA MUNDIAL DA PAZ: A não-violência: estilo de uma política para a paz

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO
50º DIA MUNDIAL DA PAZ

1º DE JANEIRO DE 2017

A não-violência: estilo de uma política para a paz



1. No início deste novo ano, formulo sinceros votos de paz aos povos e nações do mundo inteiro, aos chefes de Estado e de governo, bem como aos responsáveis das Comunidades Religiosas e das várias expressões da sociedade civil. Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta «dignidade mais profunda»[1] e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida.

Esta é a Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz. Na primeira, o Beato Papa Paulo VI dirigiu-se a todos os povos – e não só aos católicos – com palavras inequívocas: «Finalmente resulta, de forma claríssima, que a paz é a única e verdadeira linha do progresso humano (não as tensões de nacionalismos ambiciosos, nem as conquistas violentas, nem as repressões geradoras duma falsa ordem civil)». Advertia contra o «perigo de crer que as controvérsias internacionais não se possam resolver pelas vias da razão, isto é, das negociações baseadas no direito, na justiça, na equidade, mas apenas pelas vias dissuasivas e devastadoras». Ao contrário, citando a Pacem in terris do seu antecessor São João XXIII, exaltava «o sentido e o amor da paz baseada na verdade, na justiça, na liberdade, no amor».[2] É impressionante a atualidade destas palavras, não menos importantes e prementes hoje do que há cinquenta anos.

Nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas.

Um mundo dilacerado

2. Enquanto o século passado foi arrasado por duas guerras mundiais devastadoras, conheceu a ameaça da guerra nuclear e um grande número de outros conflitos, hoje, infelizmente, encontramo-nos a braços com uma terrível guerra mundial aos pedaços. Não é fácil saber se o mundo de hoje seja mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que carateriza a nossa época nos tornem mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela.

Seja como for, esta violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e a variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê? Porventura a violência permite alcançar objetivos de valor duradouro? Tudo aquilo que obtém não é, antes, desencadear represálias e espirais de conflitos letais que beneficiam apenas a poucos «senhores da guerra»?

A violência não é o remédio para o nosso mundo dilacerado. Responder à violência com a violência leva, na melhor das hipóteses, a migrações forçadas e a atrozes sofrimentos, porque grandes quantidades de recursos são destinadas a fins militares e subtraídas às exigências do dia-a-dia dos jovens, das famílias em dificuldade, dos idosos, dos doentes, da grande maioria dos habitantes da terra. No pior dos casos, pode levar à morte física e espiritual de muitos, se não mesmo de todos.

A Boa Nova

3. O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante esta realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou os seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39). Quando impediu, aqueles que acusavam a adúltera, de a lapidar (cf. João 8, 1-11) e na noite antes de morrer, quando disse a Pedro para repor a espada na bainha (cf. Mateus 26, 52), Jesus traçou o caminho da não-violência que Ele percorreu até ao fim, até à cruz, tendo assim estabelecido a paz e destruído a hostilidade (cf. Efésios 2, 14-16). Por isso, quem acolhe a Boa Nova de Jesus, sabe reconhecer a violência que carrega dentro de si e deixa-se curar pela misericórdia de Deus, tornando-se assim, por sua vez, instrumento de reconciliação, como exortava São Francisco de Assis: «A paz que anunciais com os lábios, conservai-a ainda mais abundante nos vossos corações».[3]

Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou o meu predecessor Bento XVI, «é realista pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este “algo mais” vem de Deus».[4]E acrescentava sem hesitação: «a não-violência para os cristãos não é um mero comportamento tático, mas um modo de ser da pessoa, uma atitude de quem está tão convicto do amor de Deus e do seu poder que não tem medo de enfrentar o mal somente com as armas do amor e da verdade. O amor ao inimigo constitui o núcleo da “revolução cristã”».[5] A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, considerada «a magna carta da não-violência cristã»: esta não consiste «em render-se ao mal (...), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça».[6]

Mais poderosa que a violência

4. Por vezes, entende-se a não-violência como rendição, negligência e passividade, mas, na realidade, não é isso. Quando a Madre Teresa recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1979, declarou claramente qual era a sua ideia de não-violência ativa: «Na nossa família, não temos necessidade de bombas e de armas, não precisamos de destruir para edificar a paz, mas apenas de estar juntos, de nos amarmos uns aos outros (...). E poderemos superar todo o mal que há no mundo».[7] Com efeito, a força das armas é enganadora. «Enquanto os traficantes de armas fazem o seu trabalho, há pobres pacificadores que, só para ajudar uma pessoa, outra e outra, dão a vida»; para estes obreiros da paz, a Madre Teresa é «um símbolo, um ícone dos nossos tempos».[8] No passado mês de setembro, tive a grande alegria de a proclamar Santa. Elogiei a sua disponibilidade para com todos «através do acolhimento e da defesa da vida humana, a dos nascituros e a dos abandonados e descartados. (...) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes – diante dos crimes! – da pobreza criada por eles mesmos».[9] Como resposta, a sua missão – e nisto representa milhares, antes, milhões de pessoas – é ir ao encontro das vítimas com generosidade e dedicação, tocando e vendando cada corpo ferido, curando cada vida dilacerada.

A não-violência, praticada com decisão e coerência, produziu resultados impressionantes. Os sucessos alcançados por Mahatma Gandhi e Khan Abdul Ghaffar Khan, na libertação da Índia, e por Martin Luther King Jr contra a discriminação racial nunca serão esquecidos. As mulheres, em particular, são muitas vezes líderes de não-violência, como, por exemplo, Leymah Gbowee e milhares de mulheres liberianas, que organizaram encontros de oração e protesto não-violento (pray-ins), obtendo negociações de alto nível para a conclusão da segunda guerra civil na Libéria.

E não podemos esquecer também aquela década epocal que terminou com a queda dos regimes comunistas na Europa. As comunidades cristãs deram a sua contribuição através da oração insistente e a ação corajosa. Especial influência exerceu São João Paulo II, com o seu ministério e magistério. Refletindo sobre os acontecimentos de 1989, na Encíclica Centesimus annus (1991), o meu predecessor fazia ressaltar como uma mudança epocal na vida dos povos, nações e Estados se realizara «através de uma luta pacífica que lançou mão apenas das armas da verdade e da justiça».[10] Este percurso de transição política para a paz foi possível, em parte, «pelo empenho não-violento de homens que sempre se recusaram a ceder ao poder da força e, ao mesmo tempo, souberam encontrar aqui e ali formas eficazes para dar testemunho da verdade». E concluía: «Que os seres humanos aprendam a lutar pela justiça sem violência, renunciando tanto à luta de classes nas controvérsias internas, como à guerra nas internacionais».[11]

A Igreja comprometeu-se na implementação de estratégias não-violentas para promover a paz em muitos países solicitando, inclusive aos intervenientes mais violentos, esforços para construir uma paz justa e duradoura.

Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um património exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem «a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida».[12] Reitero-o aqui sem hesitação: «nenhuma religião é terrorista».[13] A violência é uma profanação do nome de Deus.[14] Nunca nos cansemos de repetir: «jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra».[15]

A raiz doméstica duma política não-violenta

5. Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. É uma componente daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado, concluindo dois anos de reflexão por parte da Igreja sobre o matrimónio e a família. Esta constitui o cadinho indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão.[16] A partir da família, a alegria do amor propaga-se pelo mundo, irradiando para toda a sociedade.[17] Aliás, uma ética de fraternidade e coexistência pacífica entre as pessoas e entre os povos não se pode basear na lógica do medo, da violência e do fechamento, mas na responsabilidade, no respeito e no diálogo sincero. Neste sentido, lanço um apelo a favor do desarmamento, bem como da proibição e abolição das armas nucleares: a dissuasão nuclear e a ameaça duma segura destruição recíproca não podem fundamentar este tipo de ética.[18] Com igual urgência, suplico que cessem a violência doméstica e os abusos sobre mulheres e crianças.

O Jubileu da Misericórdia, que terminou em novembro passado, foi um convite a olhar para as profundezas do nosso coração e a deixar entrar nele a misericórdia de Deus. O ano jubilar fez-nos tomar consciência de como são numerosos e variados os indivíduos e os grupos sociais que são tratados com indiferença, que são vítimas de injustiça e sofrem violência. Fazem parte da nossa «família», são nossos irmãos e irmãs. Por isso, as políticas de não-violência devem começar dentro das paredes de casa para, depois, se difundir por toda a família humana. «O exemplo de Santa Teresa de Lisieux convida-nos a pôr em prática o pequeno caminho do amor, a não perder a oportunidade duma palavra gentil, dum sorriso, de qualquer pequeno gesto que semeie paz e amizade. Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo».[19]

O meu convite

6. A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação a todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um «manual» desta estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus –, os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça.

Este é um programa e um desafio também para os líderes políticos e religiosos, para os responsáveis das instituições internacionais e os dirigentes das empresas e dos meios de comunicação social de todo o mundo: aplicar as Bem-aventuranças na forma como exercem as suas responsabilidades. É um desafio a construir a sociedade, a comunidade ou a empresa de que são responsáveis com o estilo dos obreiros da paz; a dar provas de misericórdia, recusando-se a descartar as pessoas, danificar o meio ambiente e querer vencer a todo o custo. Isto requer a disponibilidade para «suportar o conflito, resolvê-lo e transformá-lo no elo de ligação de um novo processo».[20] Agir desta forma significa escolher a solidariedade como estilo para fazer a história e construir a amizade social. A não-violência ativa é uma forma de mostrar que a unidade é, verdadeiramente, mais forte e fecunda do que o conflito. No mundo, tudo está intimamente ligado.[21] Claro, é possível que as diferenças gerem atritos: enfrentemo-los de forma construtiva e não-violenta, de modo que «as tensões e os opostos [possam] alcançar uma unidade multifacetada que gera nova vida», conservando «as preciosas potencialidades das polaridades em contraste».[22]

Asseguro que a Igreja Católica acompanhará toda a tentativa de construir a paz inclusive através da não-violência ativa e criativa. No dia 1 de janeiro de 2017, nasce o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que ajudará a Igreja a promover, de modo cada vez mais eficaz, «os bens incomensuráveis da justiça, da paz e da salvaguarda da criação» e da solicitude pelos migrantes, «os necessitados, os doentes e os excluídos, os marginalizados e as vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, os reclusos, os desempregados e as vítimas de toda e qualquer forma de escravidão e de tortura».[23] Toda a ação nesta linha, ainda que modesta, contribui para construir um mundo livre da violência, o primeiro passo para a justiça e a paz.

Em conclusão

7. Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia.

«Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir».[24]No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. «Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz».[25]

Vaticano, 8 de dezembro de 2016.

Francisco



[1] Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.
[2] Mensagem para a celebração do 1º Dia Mundial da Paz, 1° de janeiro de 1968.
[3] «Legenda dos três companheiros»: Fontes Franciscanas, n. 1469.
[4] Angelus, 18 de fevereiro de 2007.
[5] Ibidem.
[6] Ibidem.
[7] Discurso por ocasião da entrega do Prémio Nobel, 11 de dezembro de 1979.
[8] Francisco, Meditação «O caminho da paz», Capela da Domus Sanctae Marthae, 19 de novembro de 2015.
[9] Homilia na canonização da Beata Madre Teresa de Calcutá, 4 de setembro de 2016.
[10] N. 23
[11] Ibidem.
[12] Francisco, Discurso na Audiência inter-religiosa, 3 de novembro de 2016.
[13] Idem, Discurso no III Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 5 de novembro de 2016.
[14] Cf. Idem, Discurso no Encontro com o Xeque dos Muçulmanos do Cáucaso e com Representantes das outras Comunidades Religiosas, Baku, 2 de outubro de 2016.
[15] Idem, Discurso em Assis, 20 de setembro de 2016.
[16] Cf. Exort. ap. pós-sinodal Amoris laetitia, 90-130.
[17] Cf. ibid., 133.194.234.
[18] Cf. Francisco, Mensagem à Conferência sobre o impacto humanitário das armas nucleares, 7 de dezembro de 2014.
[19] Idem, Carta enc. Laudato si’, 230.
[20] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 227.
[21] Cf. Idem, Carta enc.Laudato si’, 16.117.138.
[22] Idem, Exort. ap. Evangelii gaudium, 228.
[23] Idem, Carta apostólica sob a forma de “Motu proprio” pela qual se institui o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, 17 de agosto de 2016.
[24] Francisco, Regina Caeli, Belém, 25 de maio de 2014.
[25] Apelo, Assis, 20 de setembro de 2016.

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sábado, 10 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 3ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

«És Tu Aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo»

Mateus 11,3-6


2. Reflexão

Sob o impulso do Espírito, o núcleo familiar não só acolhe a vida gerando-a no próprio seio, mas abre-se também, sai de si para derramar o seu bem nos outros, para cuidar deles e procurar a sua felicidade. Esta abertura exprime-se particularmente na hospitalidade, que a Palavra de Deus encoraja de forma sugestiva: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Heb 13, 2). Quando a família acolhe e sai ao encontro dos outros, especialmente dos pobres e abandonados, é «símbolo, testemunho, participação da maternidade da Igreja». Na realidade, o amor social, reflexo da Trindade, é o que unifica o sentido espiritual da família e a sua missão fora de si mesma, porque torna presente o querigma com todas as suas exigências comunitárias.*
A Sagrada Família de Nazaré sabe bem o que significa uma porta aberta ou fechada, para quem espera um filho, para quantos não têm abrigo, para quem deve fugir do perigo! As famílias cristãs façam da sua soleira de casa um pequeno grande sinal da Porta da misericórdia e da hospitalidade de Deus. É precisamente assim que a Igreja deverá ser reconhecida em todos os recantos da terra: como a sentinela de um Deus que bate à porta, como o acolhimento de um Deus que não nos fecha a porta na cara, com a desculpa de que não somos de casa.**

PAPA FRANCISCO


3. Gesto de Paz

Acende-se a TERCEIRA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a terceira vela da Coroa do Advento, comprometo-me a reunir a minha família e preparar em conjunto um gesto de solidariedade e acolhimento para com os refugiados ou estrangeiros que procuram abrigo e acolhimento (seja através de uma organização, da nossa paróquia ou outra forma).


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

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sábado, 3 de dezembro de 2016

ADVENTO 2016: 2ª SEMANA DO ADVENTO

1. Ambientação

O Deus da paciência e da consolação vos conceda que alimenteis os mesmos sentimentos uns para com os outros, segundo Cristo Jesus […]. Acolhei-vos, portanto, uns aos outros, como Cristo vos acolheu, para glória de Deus.»

Romanos 15,5.7


2. Reflexão

Acolhimento e hospitalidade constituem caraterísticas fundamentais do ministério pastoral, inclusive aquele que se desempenha no meio dos requerentes de asilo, dos refugiados, das pessoas deslocadas internamente e das vítimas do tráfico de seres humanos. Eles garantem que os tratemos como pessoas e, se forem cristãos, como irmãos ou irmãs na fé, evitando deste modo que passe-mos a considerá-los como números, casos ou mão-de-obra. O acolhimento não consiste tanto numa tarefa, como num modo de viver e de compartilhar.
A oferta da hospitalidade nasce a partir de um esforço em ser fiel a Deus, em ouvir a sua voz nas Sagradas Escrituras e em reconhecê-lo nas pessoas que estão ao nosso redor. Através da hospitalidade, o estrangeiro é recebido na Igreja local, que deve constituir um lugar seguro onde ele possa encontrar alívio, que o respeita, que o aceita e que lhe é amiga. Este acolhimento exige a escuta atenta e a partilha mútua das histórias de vida. Ele requer a abertura do coração, a disponibilidade para tornar a própria vida visível aos outros e uma partilha generosa do próprio tempo e recursos. Desde a doação de coisas até à oferta do próprio tempo e amizade, e finalmente à oferta de Cristo, nosso tesouro, ao próximo como proposta respeitosa e humilde.
No entanto, uma comunidade eclesial que recebe estrangeiros constitui um «sinal de contradição», um lugar onde alegria e dor, lágrimas e paz se encontram intimamente entrelaçadas. Isto torna-se particularmente visível em sociedades que são hostis em relação a quantos são acolhidos. […] Oferecer hospitalidade significa repensar e reformular constantemente as próprias prioridades.



3. Gesto de Paz

Acende-se a SEGUNDA VELA da Coroa do Advento.

Ao acendermos a segunda vela da Coroa do Advento, comprometo-me a apoiar uma organização de ajuda a refugiados ou imigrantes no meu país.


4. Oração

1. Deus de misericórdia, envia o teu Espírito de fortaleza sobre os refugiados, as pessoas perseguidas, os migrantes, as crianças órfãs e desaparecidas:

Todos: Dá-lhes coragem e esperança.

1. Nós Te pedimos também por todas as pessoas e organizações que os acompanham e apoiam:

Todos: Que o seu trabalho sensibilize os políticos e a opinião pública para que o mundo seja mais justo e fraterno, um mundo sem guerras nem disputas, um mundo de paz e de amor.


5. Bênção

1. Que Deus, de quem vêm a paciência e a coragem, nos conceda har-monia de sentimentos uns para com os outros, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, para que todos em conjunto e a uma só voz glorifiquemos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Todos: Ámen.


In: Era estrangeiro e acolhestes-me? (cf. Mt 25,35ss). Contributos para a celebração do Advento 2016. Esta brochura está disponível online aqui.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Intenção do Papa Francisco para o mês de Dezembro: O fim dos meninos‐soldados



Para que seja eliminada em todo o mundo a praga dos meninos‐soldados.

Papa Francisco - Dezembro 2016


Vídeo do Papa

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pax Christi International: New statement on a renewed peace process for Palestine and Israel

The year 2017 will mark 100 years since the Balfour declaration that made public British support for a Jewish homeland in Palestine, 70 years since UN resolution 181 calling for the partition of Palestine into Arab and Jewish states, and 50 years since Israel began its occupation of the West Bank, the Gaza Strip, the Golan Heights and the annexation of East Jerusalem. Pax Christi International believes that this is the moment for a renewed commitment to end the violence and to reach a just and sustainable solution guaranteeing the fundamental rights of both Israelis and Palestinians in accordance with international law.

Today we have released a new statement calling for a renewed peace process for Israel and Palestine.

The conclusion of the statement reads:

While Pax Christi International acknowledges the legitimate grievances of both Israelis and Palestinians and the responsibility of participants on both sides to stop any violence perpetrated against the other, we cannot ignore the gross imbalance of power and resources in favour of Israel. We therefore emphasise the following:

  • that a sustainable peace and reconciliation will only be achieved if Israelis and Palestinians engage in the peace process as equals;
  • that it is essential that the legitimacy and rights of both are respected and protected, which has not been the case to this point, as the rights of Palestinians have been systematically denied;
  • nonviolent struggles should be supported and the strategy set forth by the BDS-movement is one of the possible nonviolent approaches to apply international pressure on Israel until the changes necessary to create an environment for a renewed peace process have been achieved, but we do not call for a boycott of the state of Israel as a whole.

Pax Christi International urges the international community to stay focused on the Israeli-Palestinian conflict, to contribute, together with the Palestinian and Israeli people and authorities, to a revival of the peace process so that an agreement can finally be reached and an enforcement mechanism put in place.

As stated by H.B. Michel Sabbah, Latin Patriarch Emeritus of Jerusalem and former President of Pax Christi International: "We can help leaders and people to free themselves from fear and mistrust and to reach the so long-desired peace. The beginning of Palestinian freedom is also the beginning of reconciliation between the two peoples, Palestinians and Israelis."

Click here to read the entire statement on our website.

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