a OBSERVATÓRIO DA PAX: Janeiro 2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

Educar os jovens para a justiça e a paz, uma tarefa urgente

Entendendo a paz não só como a ausência de guerra ou de conflitos armados, mas sim e essencialmente, como um eixo dinâmico em torno do qual se desenvolvem e se criam formas de ser e de agir em todas as situações da vida pessoal e social conformes com os valores fundamentais de humanidade, como sejam a solidariedade, a justiça, a liberdade, a generosidade, etc., somos obrigados a reconhecer que, numa época em que a perda de referências e de valores sociais é uma realidade cada vez mais marcante para as gerações mais novas, se torna cada vez mais urgente no mundo de hoje pôr em prática uma Educação para a Paz autêntica que tenha por objectivo a aprendizagem destes valores.

Num contexto em que a falta de tempo para os filhos é patente, como poderão as crianças e jovens que crescem isolados, sujeitos ao stress e tensão que lhes transmitem os familiares, os educadores, os meios de comunicação social, acreditar e vivenciar a paz, o respeito pela dignidade da pessoa humana, o diálogo, a cooperação?

Educar para a Paz é uma tarefa que compete não só aos pais e professores, mas também às instituições sociais, às igrejas, aos meios de comunicação social e a toda a sociedade em geral. Caso contrário, caminharemos para uma situação incontrolável de intolerância, agressividade e individualismo que nos levará à auto-destruição.

Este “movimento” de Educação para a Paz e, consequentemente, de educação para os valores, não se pode, nos dias de hoje, circunscrever somente à educação das gerações mais novas.

Para podermos ser pedagogos da paz todos temos que fazer um esforço para, juntos, nos auto-educarmos para a paz, num processo que dura toda uma vida. Enquanto não formos todos capazes de Viver a Paz, não seremos capazes de a transmitir nem de fazer com que ela aconteça no mundo. Não seremos testemunhas autênticas e credíveis.

Temos, pois, que redescobrir o sentido de valores como a tolerância, a solidariedade, a justiça, o perdão, o respeito pelo ser humano. E esta descoberta é tanto mais urgente quanto, neste mundo complexo e globalizado em que vivemos, a interdependência entre os povos e a existência de pessoas de culturas e origens diferentes num mesmo espaço social se acentuam e se manifestam quotidianamente.

Educar para a paz é, em conclusão, uma forma de estar e uma atitude educativa que permite a aprendizagem da paz como sendo uma vivência e um direito fundamental para o ser humano.

A Pax Christi – Movimento Católico Internacional para a Paz, fundado em França em 1945 com o objectivo de encorajar a reconciliação e a paz no seio das nações feridas pela II Guerra Mundial –, entendendo a Educação para a Paz como essencial para a criação de uma Cultura de Paz e Não-violência, fez dela uma preocupação e uma vertente fundamental da sua missão. A oração, o estudo e a acção constituem os seus pilares.

Para este Dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI, escolhendo como tema “Educar os jovens para a justiça e a paz” , oferece-nos uma magnífica oportunidade para reflectirmos sobre como educar os jovens para a justiça e a paz; como despertar a sua imaginação, para lhes oferecer uma visão do mundo como ele poderia e deveria ser: uma comunidade na qual todos são tratados com justiça e misericórdia e na qual os carenciados e vulneráveis são colocados no centro.

A todos, homens e mulheres, que têm a peito a causa da paz, incumbe a tarefa de mostrar aos jovens que o caminho da violência não leva a lado nenhum e que há alternativas ao conflito, à guerra e à vida insustentável; de lhes abrir os olhos para os desafios do nosso mundo: as desigualdades surpreendentes em termos de riqueza, saúde, oportunidades de educação e expectativa de vida em todo o mundo, o sofrimento de tantos dos nossos irmãos e irmãs.

É fundamental e urgente testemunhar com credibilidade que todos, independentemente da idade, deficiência, origem étnica, religião ou crença, género e orientação sexual, fazem parte de uma única família humana, que deve crescer unida.

Margarida Saco, Vice-presidente da Pax Christi Portugal
Manuel Quintãos, Secretário-geral da Pax Christi Portugal

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