a OBSERVATÓRIO DA PAX: A Caminho, rumo à unidade visível das Igrejas na Europa

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Caminho, rumo à unidade visível das Igrejas na Europa


A Caminho, rumo à unidade visível das Igrejas na Europa

«Por isto todos saberão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros» (Jo 13, 35)


2. Anunciar juntos o Evangelho

O dever mais importante das Igrejas na Europa é o de anunciar juntas o Evangelho, através da palavra e da acção, para a salvação de todos os seres humanos. Face à multiforme falta de referências, ao afastamento dos valores cristãos, mas também à variegada procura de sentido, as cristãs e os cristãos são particularmente solicitados a testemunhar a sua própria fé. Para tanto, impõem-se, a nível local, um maior empenho e uma troca de experiências no plano de catequese e da pastoral. Ao mesmo tempo, é importante que todo o povo de Deus se empenhe junto em espalhar o Evangelho, dentro do espaço público da sociedade, e em conferir-lhe valor e credibilidade também através do empenho social e da assunção de responsabilidades no campo político.

Comprometemo-nos:
- em fazer conhecer às outras Igrejas as nossas iniciativas para a evangelização, e em estabelecer acordos a propósito, para assim evitar uma concorrência prejudicial e o perigo de novas divisões;
- em reconhecer que todo o ser humano pode escolher, livremente e em consciência, a sua própria pertença religiosa e eclesial. Ninguém pode ser induzido à conversão, através de pressões morais ou incentivos materiais. Ao mesmo tempo, a ninguém pode ser impedida uma conversão que seja consequência de uma livre escolha.


3. Ir ao encontro do outro

No espírito do evangelho devemos reelaborar juntos a história das Igrejas Cristãs, que se caracteriza por, para além de muitas boas experiências, também por divisões, inimizades e até conflitos armados. A culpa humana, a falta de amor e frequente instrumentalização da fé e das Igrejas, com vista a interesses políticos, têm prejudicado gravemente a credibilidade do testemunho cristão.
O ecumenismo, para as cristãs e os cristãos, começa, portanto, com a renovação dos corações e com a disponibilidade para a penitência e a conversão. Constatamos que a reconciliação já aumentou no âmbito do movimento ecuménico.
É importante reconhecer os dons espirituais das diversas tradições cristãs, aprender uns com os outros e deste modo receber os dons uns dos outros. Para um ulterior desenvolvimento do ecumenismo, é particularmente desejável contar com as experiências e a expectativas dos jovens, e encorajar a sua participação e colaboração.

Comprometemo-nos:
- em superar a auto-suficiência, e a pôr de lado os preconceitos, a procurar o encontro recíproco, e a ser uns pelos outros;
- em promover a abertura ecuménica e a colaboração no campo da educação cristã, na formação teológica inicial e permanente, como também no âmbito da pesquisa.


4. Trabalhar juntos

O ecumenismo exprime-se já em múltiplas formas de acção comum. Numerosos cristãos e cristãs de Igrejas diferentes vivem e trabalham juntos, como amigos, vizinhos, no trabalho e no seio das suas próprias famílias. Em particular, devem-se ajudar os casais interconfessionais e viver o ecumenismo no dia-a-dia.
Recomendamos que se criem e apoiem, a nível local, regional, nacional e internacional, organismos destinados à cooperação ecuménica de carácter bilateral e multilateral. A nível europeu, é necessário reforçar a colaboração entre a Conferência das Igrejas Europeias e o Conselho das Conferências Episcopais Europeias, a realizar ulteriores assembleias ecuménicas europeias.
Em caso de conflitos entre Igrejas, há que iniciar e apoiar esforços de mediação e de paz.

Comprometemo-nos:
- em trabalhar juntos, a todos os níveis da vida eclesial, sempre que existam os pressupostos, e isso não seja impedido por motivos de fé ou por objectivos de maior importância;
- em defender os direitos das minorias, e em ajudar a libertar o campo de equívocos e preconceitos, entre Igrejas maioritárias e minoritárias nos nossos Países.


5. Orar juntos

O ecumenismo vive do facto de escutarmos juntos a Palavra de Deus e deixarmos que o Espírito Santo opere em nós e através de nós. Por força da graça assim recebida, existem hoje múltiplos esforços, por meio de orações e celebrações, tendentes a aprofundar a comunhão espiritual entre as Igrejas, e a rezar pela unidade visível da Igreja de Cristo. Um sinal particularmente doloroso da divisão ainda existente entre muitas Igrejas cristãs é a falta de partilha eucarística.
Em algumas Igrejas existem reservas em relação à oração ecuménica em comum. Todavia, numerosas celebrações ecuménicas, cantos e orações comuns, em particular o Pai-Nosso, caracterizam a nossa espiritualidade cristã.

Comprometemo-nos:
- em rezar uns pelos outros e pela unidade dos cristãos;
- em aprender a conhecer e a apreciar as celebrações e as outras formas de vida espiritual das outras Igrejas;
- em diligenciar no sentido do objectivo da comunhão eucarística.


6. Prosseguir o diálogo

A nossa pertença comum, baseada em Cristo, tem um significado mais fundamental do que as nossas diferenças no campo teológico e ético. Existe uma pluralidade que é dom e enriquecimento, mas existem também oposições doutrinais, sobre as questões éticas e sobre as normas canónicas, que, ao invés, têm levado a rupturas entre as Igrejas, um papel decisivo, nesse sentido, tem sido muitas vezes desempenhado também por específicas circunstâncias históricas e por diferentes tradições culturais.
A fim de se aprofundar a comunhão ecuménica, impõe-se absolutamente prosseguir nos esforços tendentes à consecução de um consenso de fé. Sem unidade na fé, não existe plena comunhão eclesial. Não há nenhuma alternativa ao diálogo.

Comprometemo-nos:
- em prosseguir conscienciosamente e intensamente o diálogo entre as nossas Igrejas, aos diversos níveis eclesiais, e em verificar quais os resultados que possam e devam ser declarados, de forma vinculativa, pelas autoridades eclesiásticas;
- em procurar o diálogo sobre os temas controversos, em particular sobre questões de fé e ética, sobre as quais pende o risco da divisão, e em debater juntos tais problemas, à Luz do Evangelho.


Conselho das Conferências Episcopais da Europa e Conferência das Igrejas Europeias - Charta Oecumenica: Linhas mestras para o aumento da colaboração entre as Igrejas na Europa (2001).

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