a OBSERVATÓRIO DA PAX: Comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz: «Os mais pobres dos pobres em Portugal. Que futuro?»

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Comunicado da Comissão Nacional Justiça e Paz: «Os mais pobres dos pobres em Portugal. Que futuro?»

A Comissão Nacional Justiça e Paz publicou um comunicado a propósito do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre o impacto da crise e da austeridade nas desigualdades económicas em Portugal entre os anos 2009 e 2014.


A pobreza em Portugal tem nome de mulher, criança, jovem, idoso, desempregado/a.... Alguns factos já conhecemos e pronunciámo-nos recentemente sobre eles. Porquê, então, denunciar novamente? O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (coordenado pelo Professor Farinha Rodrigues) sobre o impacto da crise e da austeridade nas desigualdades económicas em Portugal entre os anos 2009 e 2014, divulgado há dias, proporciona-nos dados mais específicos ainda. As estatísticas corroboram a informação que possuíamos sobre quem mais sofre com o impacto da crise, mas traz-nos dados ainda mais preocupantes:

- os mais pobres continuam a ser os mais afectados pelas políticas de austeridade, o que reforça o comunicado da CNJP de 7 de Junho passado, explicitando que, entre 2009 e 2012, um em cada três portugueses passou pela pobreza durante pelo menos um ano;
- a desigualdade gritante no acesso à justiça mantém-se e as oportunidades de trabalho também são desiguais, com especial incidência nas mulheres e nos jovens;
- na área da saúde a situação é cada vez mais precária, pondo em risco a manutenção de um Serviço Nacional de Saúde para todos;
- os jovens perderam 29% dos seus rendimentos e muitos – alguns dos mais qualificados - foram forçados a emigrar para conseguir trabalho, contribuindo para o envelhecimento ainda maior da sociedade portuguesa;
- o índice de pobreza nas mulheres aumentou, nomeadamente daquelas que são as únicas responsáveis pela família: uma descida de 20% dos rendimentos (perante apenas 8% nos homens), para além de uma maior exposição ao risco de desemprego;
- a pobreza infantil cresceu entre 2009 e 2014, chegando ao valor mais elevado desde 2006, aumentando de 22,4% para 24,8%;
- os idosos continuam ao abandono e a engrossar o grupo dos mais pobres;
- 1/5 da população vive com menos de 420 euros;
- em cinco anos o rendimento dos 5% mais ricos passou de 15 para 19 vezes superior ao dos 5% mais pobres. (Mais ...)

CNJP


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